Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
Bíblia - Cartas Apostólicas
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Deus colocou em nossos corações um desejo de realização plena, e o Espírito nos impele a caminhar com ardor rumo à felicidade. Cada dia, enfrentando desafios diversos, renovamos a disposição de construir a casa da alegria e da paz, com os tijolos da fraternidade e com o cimento da justiça. Afinal, queremos trilhar o mesmo caminho de nosso Mestre, Jesus de Nazaré, que veio para que todos tenham Vida. Hoje, e no próximo encontro, vamos conversar sobre a Segunda Carta de Pedro. Esta carta foi escrita no início do segundo século da era cristã. Quem a redigiu fomos nós, um grupo de cristãos e cristãs da comunidade de Roma. Estamos preocupados com certas idéias e certas práticas que consideramos prejudiciais à fé. É bom esclarecer que estamos dentro de um contexto diferente daquele que vocês estão vivendo no século XXI. Por isso, o que escrevemos está condicionado à visão da época. HOMENAGEM A SIMÃO PEDRO Também nesta segunda Carta quisemos homenagear o grande apóstolo e amigo Simão Pedro. É também um escrito pseudônimo, isto é, atribuído a alguém que deixou exemplo edificante na comunidade. Nós imaginamos a pessoa de Pedro, com uma idade bem avançada, dando os seus conselhos importantes para as novas gerações, antes de partir para a casa do Pai. Trata-se, portanto, de uma carta-testamento. O testamento é um gênero literário comum na Bíblia. Por exemplo:
UM LIVRO POLÊMICO A Segunda Carta de Pedro foi o livro que teve as maiores dificuldades de ser aceito como livro inspirado. Demorou muito para entrar na Bíblia: somente no século V. Muitas das nossas comunidades não viam com bons olhos o que nós escrevemos. De fato, é um livro polêmico e bem diferente da Iª Carta de Pedro que era bem conhecida no meio de nós (2Pd 3,1). Se a primeira Carta de Pedro é uma carta cuja preocupação é ajudar as comunidades a ter uma prática concreta de solidariedade com as pessoas excluídas, sua segunda Carta está voltada para esclarecer pontos doutrinários. Para isso, usamos uma linguagem bem dura, condenando os falsos mestres que ensinavam doutrinas contrárias ao que consideramos a verdadeira tradição. Para entender melhor a nossa intenção, vamos analisar o conteúdo da carta, seguindo o seguinte esquema: Introdução: 1,1-2 1. A vocação cristã:
1,3-11 Conclusão: 3,14-18 INTRODUÇÃO:
GRAÇA E PAZ Normalmente, na introdução de uma carta, nós apresentamos o autor, o endereço e os destinatários, isto é, para quem ela está sendo escrita, com os votos de graça e paz. A carta está sendo dirigida a todas as comunidades cristãs, especialmente para aquelas cuja fé em Jesus Cristo Salvador estava sendo ameaçada por falsos mestres. A VOCAÇÃO
CRISTÃ: Diante dessa ameaça, nosso objetivo é alertar as comunidades para viverem segundo a vocação a que elas foram chamadas, lembrando as origens da fé e incentivando à perseverança nas virtudes.
Santo Irineu explicou bem esta maravilhosa verdade: Esta é a razão pela qual o Verbo se fez pessoa humana, e o Filho de Deus se fez Filho do Homem: para que o ser humano, unindo-se ao Verbo e recebendo assim a adoção filial, se tornasse Filho de Deus. Também Orígenes fala desta participação da pessoa com Deus: Com Jesus a natureza divina e a natureza humana começaram a se entrelaçar, a fim de que a natureza humana, pela participação na divindade, fosse divinizada, não em Jesus somente, mas também em todas aquelas pessoas que, com a fé, adotam o gênero de vida que Jesus ensinou... A fé e a prática da virtude devem coexistir. São elas que levam ao conhecimento, ao autodomínio, à perseverança, à piedade, à amizade e à caridade. Levantamos esta lista de qualidades para dizer que tudo deve desembocar na caridade, síntese da vocação cristã. De nada adianta ter muitas capacidades intelectuais e saber discutir muitas idéias e falar sobre filosofias diversas? Se isto não edifica o ser humano e não constrói relações sociais justas, não passa de manifestações de cegueiras. O que faz enxergar com nitidez e produzir frutos bons numa comunidade são as relações fraternas, alicerçadas na caridade. A respeito disso, Paulo já havia escrito de uma forma muito sábia (1Cor 13,1-13). Tudo vai passar: só permanece a caridade. Ela nos garante a comunhão com Deus e com os irmãos. Assim, nenhuma pedra no caminho nos fará tropeçar. A FIDELIDADE À
PALAVRA DE DEUS: Antes de denunciar os falsos doutores e esclarecer a respeito das falsas doutrinas, nós apresentamos as bases da nossa tradição de fé. Os apóstolos e apóstolas, que testemunharam a vida, a morte e a ressurreição de Jesus de Nazaré, nos transmitiram as verdades de nossa fé. Estas verdades não são fábulas inventadas, mas verdades que não devem ser deturpadas a fim de que garantam o caminho da vida em plenitude para todas as pessoas. Simão Pedro nos relatou acontecimentos e palavras de Jesus. Sua proposta não segue a mesma linha dos filósofos e intelectuais que se deleitam em teorias desligadas da realidade dos pobres e desinteressadas com a defesa de sua dignidade. Pedro nos contou, por exemplo, a respeito da experiência muito forte vivida na Transfiguração de Jesus, no monte Tabor. Aí ficou claramente confirmada a filiação divina de Jesus. Deus mesmo fez ouvir sua voz: Este é meu Filho amado em quem coloco toda a minha afeição. Esta experiência inesquecível tornou-se, para nós, um facho de luz indicando o caminho de fé e de adesão ao Filho de Deus. No meio de nós, há mestres ensinando que Jesus não é Deus... Outros dizem que ele só tinha aparência humana. Nós dizemos e reafirmamos que ele é totalmente divino e totalmente humano. O testemunho dos apóstolos está ligado ao testemunho dos profetas da Primeira Aliança. A Palavra de Deus, proferida através destas pessoas guiadas pelo Espírito Santo, deve ser lida e meditada com carinho. É uma Palavra-Promessa que aponta para Jesus e nos faz entender todo o Plano de Amor de Deus que vem nos resgatar do egoísmo e da maldade para uma vida de graça e paz, conforme é o sonho de nosso Deus de bondade. Celso Loraschi PARA CONVERSAR 1.º Ler a Segunda Carta de Pedro e comentar sobre alguns pontos que nela chamam a atenção. 2.º O que significa, na prática, ser participante da natureza divina? 3.º O testemunho dos apóstolos e profetas são importantes na nossa catequese? Por quê? 4.º Temos uma vocação cristã. O que isto quer dizer? Quais são suas características e virtudes? |
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