Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
Bíblia - Cartas Apostólicas
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Sofremos com as discriminações, ódios e guerras, mas não nos deixamos abater. Tudo o que estiver ao nosso alcance nós o fazemos, apostando no amor que nos faz reviver e experimentar os sinais de uma nova humanidade. Para isso nos exortamos mutuamente, a fim de que permaneçamos firmes no caminho indicado por Jesus e transmitido por Pedro e outros apóstolos e apóstolas. SEGUNDA SÉRIE
DE EXORTAÇÕES Neste encontro nós entramos na segunda série de exortações da Primeira Carta de Pedro. O principal objetivo desta série é incentivar os nossos irmãos e irmãs da Ásia Menor a permanecerem no caminho do seguimento de Jesus. Porém, é importante ter consciência que Jesus, a quem seguimos, não adotou uma postura triunfalista. Ele se fez servo da verdade, do amor e da justiça, assumindo as conseqüências de sua opção, sem entrar no jogo dos que têm a pretensão de dominar. Tornou-se, assim, o modelo para todas as pessoas - de todos os lugares e épocas que desejam verdadeiramente a paz. O TESTEMUNHO DA VIDA
COTIDIANA
As boas obras, cedo ou tarde, darão frutos. Nós viemos de Deus! Portanto, tudo o que fizermos deve ser expressão de nossa origem. Assim, os pequenos gestos da vida cotidiana irradiarão a luz divina e Deus será glorificado em seus filhos e filhas. RELAÇÃO
COM AS AUTORIDADES Talvez vocês estranhem este tipo de linguagem em que recomendamos a submissão às autoridades e dizemos que esta é a vontade de Deus. Vamos situar bem o contexto em que nos encontramos, ao redor do ano 100. No Império Romano, de cada três pessoas, uma vivia em situação de escravidão. A realidade delas, no dia a dia, era marcada por desprezo e maus-tratos. Se uma destas pessoas se revoltasse, colocava em risco todo o grupo e as conseqüências poderiam ser terríveis: castigos, torturas e até mortes. Nós, das comunidades cristãs, num sincero esforço de seguir a prática de Jesus, procuramos viver numa atitude de respeito mútuo, sem discriminações. Porém, as pessoas que absorviam a cultura greco-romana acreditavam que na sociedade existem dois tipos de pessoas: as mais fortes que foram feitas para governar e as mais fracas que nasceram para obedecer. É como se fosse uma lei da própria natureza. Nós não podíamos aceitar esta maneira de ver e de agir. Mas também não podíamos ser ingênuos a ponto de agredir frontalmente as pessoas que detinham o poder, pois isso poderia desencadear uma perseguição maior ainda. É uma questão de sobrevivência. Portanto, esta submissão não significa adesão a uma sociedade injusta e excludente, mas uma estratégia necessária para que a proposta de Jesus fosse, pouco a pouco, sendo acolhida por mais gente. O nosso grande objetivo consiste em evangelizar por meio da prática do amor e da inclusão social. RELAÇÃO
COM OS PATRÕES A ideologia do mundo greco-romano penetra no ambiente da casa. As famílias com posses materiais costumavam adotar escravos e escravas. A nossa preocupação era achar um jeito adequado para que estas pessoas oprimidas não sofressem ainda mais. E não percebíamos outro modo, pelo menos naquele momento, do que manter uma atitude de submissão consciente aos patrões. Alguns destes patrões eram violentíssimos. Qualquer rebeldia provocava castigos terríveis. E não havia perspectiva de mudança. Entre nós, porém, levávamos muito a sério as relações de liberdade, igualdade e justiça, conforme nos ensinou Jesus Cristo. Os sofrimentos e angústias que passavam as pessoas escravas ganhava sentido no próprio sofrimento de Jesus. Por isso, em todos os nossos encontros litúrgicos, cantávamos o hino a Jesus - Servo. Neste hino lembramos que, apesar do sofrimento, Ele não cometeu nenhum mal. Diante da violência, mostrou o caminho da não-violência; diante da mentira, seguiu a verdade; quando foi injuriado, não revidou; quando ameaçado, não ameaçou e a ninguém julgou, colocando tudo nas mãos do Pai que sabe julgar com justiça. E Jesus não esmoreceu, mas permaneceu firme no caminho da paz até à morte. Assim, Ele se tornou nosso modelo, nossa força, nosso pastor e guia. As comunidades cristãs se empenham em seguir os passos de Jesus a fim de construir uma nova humanidade. Como servos e servas uns dos outros, assumimos a prática da solidariedade e da justiça, de maneira livre e generosa. O melhor meio de combater o mal é fazer o bem de consciência tranqüila. RELAÇÃO
ENTRE ESPOSO E ESPOSA Encontramos aqui novamente expressões difíceis de serem aceitas por vocês que vivem num contexto do século 21. Vamos entender melhor, aprofundando ainda mais o contexto em que nós estamos vivendo dentro do ambiente do Império Romano. Muitas mulheres participavam de nossas comunidades, mas, muitos maridos, além de não participar, não aceitavam esta nova proposta de uma sociedade livre e igualitária. Quem acolhesse esta proposta precisava dar passos concretos como, por exemplo: não considerar-se superior à sua esposa, mas viver no amor, no diálogo, na compreensão mútua...
É verdade que no contexto da cultura romana, havia mulheres que possuíam propriedades próprias, podiam administrar a casa e até o comércio. Porém, sempre deviam estar sob a supervisão de um homem. Entre nós existem mulheres cristãs casadas com maridos não-cristãos. Conforme o modelo do sistema patriarcal, as mulheres deviam seguir a religião dos seus maridos. Neste sentido, ao escrevermos a Primeira Carta de Pedro, procuramos ter o cuidado de não acirrar conflitos desnecessários. Para isso exortamos à prática do bom senso, onde se tornam possíveis as relações com base na confiança mútua, sem constrangimentos, sem intimidações e sem medo. Além do mais, a mudança de mentalidade se dá num processo gradativo, temperado com muita paciência e muito amor. Na verdade, conforme se percebe pelo conjunto do texto, tanto os maridos como as esposas são convidados a levar uma vida de compreensão e de respeito pela pessoa um do outro, pois Deus não faz distinção de pessoas. E temos a convicção de que Deus não atende as preces de quem não ama o seu próximo. Todos nós, mulheres e homens, somos co-herdeiros da graça divina e, portanto, nosso modo de viver deve ser coerente com esta graça. COMPAIXÃO
E MISERICÓRDIA Finalmente, concluímos a segunda série de exortações, enaltecendo a compaixão, o amor fraterno, a misericórdia e a humildade. São estas qualidades que caracterizam o estilo de vida das comunidades cristãs. Lembramos, especialmente, a importância do domínio de nossa língua, para que não se torne um instrumento de maldade. É o que diz um trecho do Salmo 34, que tem muita semelhança com o hino a Cristo-Servo ao qual nos referimos acima. Assim como Ele não respondeu aos insultos e não entrou no jogo da maldade, também os seus seguidores e seguidoras devem fazer o mesmo, exercitando o perdão mútuo e sendo justos uns com os outros. Se assim fizermos, nos tornamos portadores da bênção divina, a partir da casa onde moramos. Celso Loraschi PARA CONVERSAR Vamos ler cada um textos da Primeira Carta de Pedro e comentar: A) 2, 11-12 B) 2, 13-17 C) 2, 18-25 D) 3, 1-7 E) 3, 8-12 1.º O que nos chamou a atenção neste texto? 2.º Que tipo de sentimento este texto provoca em mim? 3.º Qual a mensagem para nós, hoje? |
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