Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
Bíblia - Cartas Apostólicas
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Hoje vamos entrar na quarta e última série de exortações. O fio condutor desta série é a perseverança nos sofrimentos. Para inserir-se melhor no assunto do encontro de hoje é muito bom que vocês leiam, agora, o texto de 1Pd 4,12 até 5,14. O Espírito de Deus, vai iluminar a mente e abrasar o coração de vocês, do mesmo modo como ele nos guiou no tempo em que escrevemos esta carta aos irmãos e irmãs da Ásia Menor. Esta Palavra inspirada por Deus, quando meditada e vivida em comunidade, produzirá frutos de paz e alegria, de justiça e fraternidade, de força e coragem... CONFIANÇA E ALEGRIA Nos encontros anteriores tivemos a oportunidade de conversar sobre alguns motivos que provocaram perseguições e sofrimentos aos seguidores e seguidoras de Jesus nas comunidades da Ásia Menor. Como pessoas peregrinas e forasteiras elas eram objeto de toda espécie de suspeitas, calúnias e desprezo. Como participantes de comunidades cristãs eram consideradas supersticiosas e esquisitas. Como pessoas empobrecidas eram marginalizadas pelo sistema sócio-político. A perseguição não aconteceu apenas para as comunidades da Ásia Menor. Desde o início do Movimento de Jesus, após sua morte e ressurreição, os cristãos e cristãs enfrentaram dificuldades de todo tipo. É só ler o livro de Atos dos Apóstolos para perceber que as situações de conflito são constantes na vida dos discípulos e discípulas de Jesus. Um dos agentes de perseguição é o Império Romano. Todos lembramos, por exemplo, o que aconteceu conosco, aqui na cidade de Roma, na década de 60, quando Nero mandou incendiar a cidade e colocou a culpa nos cristãos. Muitos foram sacrificados em público. Entre eles estavam Pedro e Paulo. Um dos escritores de nosso tempo, chamado Tácito, reconheceu que os cristãos não eram responsáveis pelo incêndio, mas aprovou a perseguição e a morte deles porque constituíam uma execrável superstição e alimentavam ódio ao gênero humano. Portanto, em muitos momentos, nós fomos tratados com muito preconceito e fomos considerados perigosos porque podíamos perverter a ordem social. Nossos irmãos judeus também eram perseguidos por este mesmo motivo. Além de Nero, sofremos outra violenta perseguição por parte do Imperador Domiciano, há poucos anos atrás, pelo ano 95. Ele se achava um deus vivo com poder de vida e morte sobre as pessoas. Os seus guardas nos procuravam, nos denunciavam e nos condenavam. Muitos foram presos e mortos. As conseqüências deste incêndio ainda marcam a vida de muitas de nossas famílias que se sentem totalmente inseguras a respeito do que pode acontecer... PARTILHAR A DOR DE CRISTO Ao escrever a Primeira Carta de Pedro nós temos uma profunda convicção: somos seguidores de Jesus que também foi incompreendido pelos poderosos. Ele, porém, jamais renunciou à verdade que liberta, à justiça que garante vida para os pobres, ao amor que torna todos os homens e mulheres cheios de dignidade. Sofreu, porque não renunciou aos valores da igualdade e da fraternidade. Fiel a estes valores, combateu toda forma de exclusão social. Com os olhos fixos em Jesus Cristo, procuramos nos identificar com Ele e, por isso, com toda convicção, cultivamos a esperança no meio da dor, nos relacionamos como irmãos e irmãs no meio de uma sociedade que discrimina, nos acolhemos uns aos outros como uma casa aberta a todas as pessoas, procuramos viver na honestidade e na sinceridade de palavras e atitudes, aprofundamos a confiança mútua e a fé inabalável em Deus nos garante vida plena. O sofrimento que nos vem por causa desta maneira cristã de viver, ao invés de nos causar vergonha ou timidez, nos enche de alegria e nos leva a dar glória a Deus. CUIDAR DO REBANHO DE
DEUS
A missão de cuidar do povo, de organizar a caridade, de cultivar a paz, de garantir vida digna para todas as pessoas, deve ser feita em equipe. Cada comunidade, portanto, deve ter um grupo de pessoas animadoras que conserve viva a proposta de Jesus e siga a sua prática de dar atenção especial aos excluídos. Para que isto aconteça, deixamos claro na carta que nenhum animador de comunidade pode ser ambicioso, nem desejoso de lucro, nem autoritário... HUMILDADE E FIRMEZA
NA FÉ A missão de evangelizar é dada a todas as pessoas. Aquelas que animam devem estar estreitamente unidas a todas as demais que constituem a comunidade. Quem é jovem deve dialogar e aprender com quem tem mais experiência. Quem tem alguma função, deve exercê-la com espírito de serviço . A atitude de humildade é fundamental para uma caminhada de fraternidade, de justiça e de amor. Deus resiste a quem é orgulhoso. Nem sempre é fácil reconhecer em si próprio as atitudes de egoísmo. Por isso é importante a vigilância e a correção mútua. Como peregrinos da esperança militante, é fundamental caminharmos ancorados numa inabalável fé em Deus. Ela nos garante firmeza interior e nos torna solidários com todas as pessoas no mundo que se empenham na construção do Reino de Deus. Temos a certeza de que a fé, quando vivida com profunda confiança e concretizada no amor sincero ao próximo, remove montanhas... PERMANECER NA GRAÇA
DE DEUS Na saudação final de nossa carta lembramos de algumas pessoas que marcaram profundamente a caminhada de nossas comunidades cristãs, especialmente aquelas situadas na cidade de Roma, que nós apelidamos de Babilônia. Estas pessoas são: Silvano que foi um grande companheiro e missionário junto com Paulo, foi também amigo de Pedro e esteve no meio de nós anunciando o Evangelho de Jesus Cristo. Ele foi um ótimo secretário, bom escritor e, por isso, prestamos-lhe esta homenagem. Outra pessoa muito querida que também esteve no meio de nós, em companhia de Pedro, foi Marcos. A tradição diz que foi quem escreveu o Evangelho de Marcos. O testemunho dele permanece muito vivo no meio nós. Pedro, Silvano e Marcos já partiram para a casa do Pai, mas a sua memória fazemos questão de conservá-la para sempre, pois nos transmitiram o que existe de mais extraordinário para os que possuem fé: Jesus, o Filho de Deus, assumiu a nossa condição humana, nos revelou o rosto verdadeiro de Deus-Pai e mostrou o caminho da vida em plenitude. E todas as pessoas podem ter acesso a ele, para além de todo sofrimento. Esta certeza nos enche de alegria indescritível, pois nos mantém na graça de Deus, sempre rico em misericórdia. CONCLUINDO Assim, irmãos e irmãs, nestes oito encontros tivemos a oportunidade de nos conhecer melhor e partilhar da experiência de nossas comunidades que, no final do 1.º século, procuraram colocar em prática o Projeto de Jesus, esforçando-se em conservar o rumo certo. No próximo encontro, faremos um resumo dos principais temas evocados na Primeira Carta de Pedro. Depois, dedicaremos dois encontros para conhecermos a Segunda Carta de Pedro. Que a graça e a paz de Deus esteja com vocês, com suas famílias e suas comunidades! Celso Loraschi PARA CONVERSAR 1) 1Pd 4, 12-19; A) O que nos chamou a atenção no texto? B) Que pontos podem ser ressaltados para a nossa vida hoje? |
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