Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Bíblia - Cartas Apostólicas

Ao caminharmos neste mundo somos tomados por todo tipo de sentimentos, dependendo das diferentes situações em que nos encontramos.

Irmãos e irmãs, peregrinos da esperança militante!

O medo é um destes sentimentos que pode nos surpreender frente ao inusitado, às ameaças e aos perigos de toda espécie.

Como é importante o apoio amigo e fraterno em nossa vida, especialmente nestes momentos em que a fragilidade humana grita forte em nosso corpo. Como é bom receber um abraço terno e acolhedor, cheio de sinceridade e de mútua proteção.

Somos pessoas realmente necessitadas umas das outras. Não há possibilidade de vida feliz sem a atenção e o cuidado recíprocos.

O seguimento de Jesus-Servo nos impulsiona à prática do amor efetivo e afetivo no cotidiano de nossas vidas.

Nosso escrito – a Primeira Carta de Pedro – é expressão deste amor aos irmãos e irmãs das comunidades situadas na Ásia Menor. Sua situação é de sofrimento, de perseguição e de penúria. Nossa intenção é encorajá-los na vivência de uma comunidade-casa, garantia de aconchego e proteção para todos.

Neste encontro de hoje, vamos entrar na terceira série de exortações, onde enfatizamos a esperança militante frente à perseguição.

A RAZÃO DE NOSSA ESPERANÇA
(3,13-17)

Guardamos, com carinho, dentro do nosso coração, as palavras de Jesus em seu conhecido sermão da montanha (Mt 5-7), onde ele proclama “bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça”.

A nossa conduta, no mundo em que vivemos, deve ter a mesma marca de Jesus de Nazaré que “passou a vida fazendo o bem”. O bem se caracteriza por atitudes verdadeiras e, portanto, de ruptura com a falsidade e a injustiça.

Jesus foi incompreendido e denunciado como malfeitor. E foi condenado à morte. Entre nossos irmãos e irmãs, há muitos incompreendidos e denunciados como malfeitores por serem peregrinos e estrangeiros, pobres e desempregados, sem-terra e sem-teto. São denunciados porque não participam de certas festas cívicas onde são oferecidos sacrifícios aos deuses, inclusive com orgias populares.

A fé cristã, nesta cultura greco-romana do final do 1.º século, é considerada uma prática religiosa estranha e supersticiosa. Ela é caracterizada como provinda de gente ignorante, própria da periferia, desordeira e preguiçosa. Esta gente é acusada de desobedecer às autoridades e não seguir as normas que estabelecem a “ordem” sócio-político-econômica. Não é difícil de compreender as suspeitas que pode levantar um grupo de pessoas estrangeiras e pobres que se reúnem em nome de um Deus estranho e não reconhecido oficialmente.

NÃO HÁ O QUE TEMER

Diante de ameaças, corre-se o perigo de arrefecer o ânimo e entregar os pontos. Porém, a exemplo de Jesus, nosso Mestre e Amigo, precisamos caminhar na luz, sem dever nada a ninguém, a não ser o amor mútuo.

Não há o que temer, se estamos no caminho da verdade. O apelo do profeta Isaías (8,12) acalenta o coração das pessoas incompreendidas e fortalece o ânimo de todos nós: “Não tenham medo de nenhum deles e nem fiquem conturbados...” E, para quem pede explicações a respeito do nosso modo de pensar e de viver, é bom aproveitar a oportunidade para aprofundar as razões de nossa esperança que nos movem a caminhar nos passos de Jesus.

É importante, porém, como diz uma expressão entre vocês, “não ter rabo preso” com os interesses egoístas de quem quer que seja.

O fato, porém, de sermos cristãos não pode ser motivo para adoção de atitudes de superioridade. A mansidão, o respeito e o diálogo são valores próprios de quem faz a opção pelo bem.

  • se há pessoas que nos rejeitam, elas não podem ser rejeitadas por nós;
  • se há pessoas que não nos compreendem, elas precisam ser compreendidas por nós;
  • se há gente que nos calunia e nos maltrata, não podemos agir do mesmo modo.

Somente deste modo tem sentido a bem-aventurança para as pessoas que sofrem.

O SENTIDO DA MORTE DE JESUS
(3,18-22)

Quem segue a Jesus Cristo:

• deve comprometer-se com ele e estar com ele também nas horas difíceis.

• deve estar disposto até de morrer com ele.

Nós experimentamos os efeitos de Jesus ressuscitado no meio de nós. É uma experiência tão profunda que é difícil de descrevê-la. Esta experiência nos leva a refletir sobre suas palavras e ações, de modo especial, sobre o significado de sua morte e ressurreição.

Uma das expressões prediletas em nossas reflexões é aquela do resgate.

Cristo é o resgatador de nossa dignidade. Esta idéia é muito antiga. No Primeiro Testamento (Lv 25 e Dt 15), no meio do povo de Israel, havia uma lei que protegia os pobres e endividados. Ela funcionava da seguinte maneira: se uma pessoa, por motivos de empobrecimento e de dívidas, perdesse sua terra ou fosse vendida como escrava, o parente mais próximo devia tomar todas as atitudes para resgatar a dignidade daquela pessoa e restabelecer as suas posses, garantindo o seu sustento e sua inclusão social. Este parente era chamado de Goêl que significa “aquele que resgata”.
Os pobres e miseráveis, muitas vezes não tinham ninguém para resgatá-los de sua situação. Recorriam a Deus, pedindo por socorro! E Deus, que ouve o clamor dos excluídos e vê a sua condição de necessitados, torna-se o seu Goêl, o seu padrinho, o seu resgatador.

Jesus Cristo é o nosso Goêl, o nosso parente mais próximo, o nosso padrinho, o resgatador de nossa vida, aquele que nos tira da situação de rejeitados e excluídos. Ele entregou tudo de si para nos libertar da escravidão da lei, do racismo, da política e da religião que nos oprimem.

Este é o sentido de sua morte, conforme já dissemos em 1Pd 1,19:

“Fomos resgatados não por meio de ouro e prata, mas pelo sangue de Jesus, pelo cordeiro imaculado”

FOMOS SALVOS UMA VEZ POR TODAS

O sacrifício de Jesus é definitivo. Uma vez por todas ele expiou nossos pecados e nos deu a possibilidade de nos tornarmos criaturas novas, redimidas para sempre.

Há quatro coisas subentendidas neste texto a respeito da morte de Jesus:

1.ª) ela é expiatória, isto é: fomos perdoados de nossos pecados e não estamos mais sob o domínio do egoísmo que nos afasta do amor de Deus;

2.ª) ela é vicária, isto é: o Justo deu sua vida pelos injustos e, portanto, estamos salvos pelos méritos de Jesus;

3.ª) a comunhão do ser humano com Deus está restaurada, isto é: Deus está conosco, definitivamente;

4.ª) os sofrimentos, de agora em diante, adquirem um novo sentido: tornam-se benéficos, eles nos conduzem a Deus, quando eles provêm da prática da justiça.

Nossa convicção se estende além do que a lógica humana pode abranger. A morte de Jesus vem em benefício de todas as pessoas, também daquelas que já morreram. Sua morte e sua morada entre os mortos trouxe vida para todos, também para aqueles que não tinham o conhecimento do amor de Deus.

Jesus anunciou e tornou realidade a Boa Notícia da vida para os vivos e mortos, abrangendo todas as raças e línguas, de todos os tempos e lugares.

Jesus, pela sua morte, torna-se o redentor, o resgatador, o salvador de toda a gente. Por suas vida, morte e ressurreição nos aponta o caminho de superação do egoísmo e a garantia de salvação que se expressa nas relações de fraternidade, de acolhida, de alegria, de pão e paz para todos.

A grande conclusão, a respeito desta teologia da morte de Jesus, é que nossos sofrimentos, quando assumidos na fé e no amor, trazem o mesmo efeito dos sofrimentos e da morte de Jesus, isto é: nos tornamos redentores com Jesus, resgatadores com Jesus da dignidade e da nobreza do ser humano.

O batismo é para nós o grande sinal. A pessoa que se dispõe a receber este sinal sacramental está publicamente assumindo o compromisso de viver e de dar continuidade à mesma missão de Jesus. Isto significa ajudar a construir o Reino de Deus onde a partilha, a solidariedade e a justiça façam parte do nosso cotidiano.

Prof. Celso Loraschi

PARA CONVERSAR

Vamos ler 1Pd 3,13-22 e comentar:

1.º O que nos chamou a atenção neste texto?

2.º Que tipos de sofrimentos enfrentamos hoje?

3.º Quais são as causas? E como podemos evitá-los?

4.º Existem sofrimentos inevitáveis?

5.º Que sentido eles têm, ligando-os com os sofri- mentos e a morte de Jesus?

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