Irmãos e irmãs, peregrinos da esperança militante!

Ser peregrinos da esperança militante é comprometer-se, com honestidade, na edificação de um mundo onde cada pessoa, sem exclusão, possa viver feliz.

Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Bíblia - Cartas Apostólicas

A Campanha da Fraternidade deste ano reza assim: “Ó Pai, Vós que sois o Deus da VIDA, abençoai a todos nós, vossos filhos e filhas, para que a vida que nos destes se manifeste em toda a sua plenitude e seja, para o mundo, um sinal do vosso amor”.

É exatamente desta maneira que nos entendíamos como seguidores de Jesus, participantes de comunidades no primeiro século de nossa era.

A fé em Deus, que garante Vida em plenitude, cujo rosto foi revelado por Jesus de Nazaré, nos impulsiona a ser ativos, dinâmicos e criativos na busca de caminhos de igualdade, de justiça e de paz.

Como vimos no encontro anterior, ao tratarmos de 1 Pd 1,1-5, mesmo no sofrimento, na perseguição e na dispersão, nos sentíamos como um povo eleito de Deus, como peregrinos da esperança militante. Nós, assim como vocês, tínhamos a consciência de termos sido formados num imenso amor e com uma indescritível beleza: “Vós nos concedestes uma DIGNIDADE incomparável. Pouco abaixo dos anjos nos fizestes, coroando-nos de glória e esplendor. Ajudai-nos a promover a dignidade de todas as pessoas”.

ALEGRIA NAS PROVAÇÕES
(1,6-12)

Os versículos 1,1-12 da primeira carta de Pedro fazem parte da introdução (cf. estrutura no encontro anterior). É o nosso cartão postal onde retratamos o local e o rosto das comunidades cristãs para as quais a carta está sendo enviada. Um traço forte que aparece neste rosto é o da tristeza e de preocupações. Percebemos também penúria e instabilidade, dúvidas e ansiedades... Porém, num olhar mais atento e profundo, percebemos o traço da força interior, da busca sincera, da coragem, da resistência e da esperança. É com esse povo sofrido aí no Brasil, mas que não se entrega ao desespero. É este traço de fibra e de utopia, por um mundo diferente, que desejamos fortalecer.

Por incrível que possa parecer, com a vinda de Jesus, filho de Deus e nosso Irmão, ficou claro que a pedra angular do edifício do Reino de Deus, é formada pelos rejeitados do sistema oficial. São as pessoas desprezadas que manifestam em seu coração maior abertura para a novidade de Deus.

A fé, muito “mais preciosa do que o ouro que perece”, é o caminho de acesso às verdades mais profundas que nos libertam e nos realizam. A fé nos leva à aproximação e à comunhão com Jesus Cristo: “A ele, embora não o tenhais visto, amais; nele, apesar de não o terdes visto, mas crendo, vos rejubilais com uma alegria inefável”.

PARA ALÉM DO OURO E DA PRATA

A experiência que marcava o nosso dia-a-dia de cristãos e cristãs, era a desenfreada busca do “ouro e prata”, conforme a regra comum das sociedades dentro do Império Romano. Corríamos o perigo de sermos engolidos por esta mesma ideologia.

Numa situação de empobrecidos e marginalizados, corríamos o perigo de vender a nossa consciência aos interesses de quem detinha poder. Nossa herança, porém, não se constitui de prata e ouro. Nossa herança e nossa missão é a construção de um mundo segundo a imagem do Deus da VIDA. Por isso, faz-se necessária a vigilância e a ajuda comunitária.

A lembrança dos profetas e a certeza da presença do Espírito de Cristo nos motiva a permanecer fiéis ao Plano do Criador e Senhor de todas as coisas. O ouro e a prata são bens perecíveis que devem estar a serviço da vida de cada ser humano, pois esta se reveste de dignidade plena e de valor absoluto.

PRIMEIRA SÉRIE DE EXORTAÇÕES
(1,13-2,10)

Para esclarecer e aprofundar o projeto de Jesus e fortalecer o ânimo das pessoas desejosas de segui-lo, escrevemos algumas séries de exortações. São pensamentos fortes que servem de inspiração e de guia para os caminhantes num mundo marcado por tantos sinais de egoísmo. Nesta primeira série procuramos mostrar um caminho sem o qual é impossível construir a “casa de Deus”: é o caminho da santidade. Mas já vamos alertando que “santidade” significa, antes de mais nada, uma opção firme pela mudança de uma sociedade que oficialmente se alicerça na injustiça.

UM ÊXODO PARA A SANTIDADE
(1,13-21)

Ter uma vida pautada na santidade é assumir a prática da justiça. Aliás, é a decorrência lógica da fé em Deus Pai. Nós confessamos e nos relacionamos com Deus e o amamos como nosso Pai e nossa Mãe. A prática decorrente desta confissão de fé só pode ser de amor e fraternidade. Assim, não há mais lugar para a ganância, a concentração de bens, a exploração, a fome, a exclusão...

Não pode mais haver espaços para a injustiça. Neste sentido, nós afirmamos que “Deus Pai é aquele que julga as pessoas com imparcialidade, de acordo com suas obras”, e não de acordo com suas profissões de fé, teoricamente bem formuladas... Portanto, nós fomos chamados a viver segundo os ensinamentos e a prática daquele que nos resgatou, não através de ouro e prata, mas através de seu próprio sangue.

A herança que recebemos de Deus jamais perece: o amor, a compaixão, a misericórdia, a bondade, a acolhida, o perdão, a administração da justiça e tudo o que edifica o Reino de Deus dura para sempre! É como escrevemos no início da carta: “Jesus Cristo nos fez renascer para uma herança que não se corrompe, não se mancha e não murcha”. Este êxodo para a santidade exige postura corajosa e a vontade de remar contra a corrente de valores estabelecidos que contradizem o Evangelho de Jesus.

A PALAVRA DE DEUS NOS RECRIA PARA A VIDA PLENA
(1,22-2,3)

Diante de imposições dos tipos mais diversos, provenientes de pessoas e grupos cujos interesses é manter o domínio sócio-político e econômico, nos sentimos frágeis e com a persistente tendência de aderir e obedecer a seus planos perversos. Porém, Jesus nos preveniu a respeito da “verdade que nos liberta”. É a esta verdade que dizemos “sim”. A ela prestamos nossa obediência.

E o que é a verdade? Nós cuidamos para não aderirmos ingenuamente a vãs filosofias. É a “prática do amor fraternal sem hipocrisia”. Esta é a verdade que nos liberta e a quem todas as pessoas de boa vontade devem obedecer. Por isso, insistimos recordando o nosso Mestre de Nazaré: “Amai-vos uns aos outros ardorosamente e com o coração puro..., rejeitando toda maldade, toda mentira, todas as formas de hipocrisia e de inveja e toda maledicência”.

E numa imagem que nossas famílias guardam com carinho, enfatizamos: “Como bebês recém-nascidos, desejai o leite não adulterado da Palavra”. É a Palavra de Deus, a Palavra da Verdade, a Palavra do Amor sem hipocrisia. É a Palavra que nos recria para a vida plena.

AMAR E RESISTIR

A insistência em viver a verdade pela prática do amor tem como objetivo ajudar a comunidade a continuar resistindo diante da miséria e da marginalização. Nós citamos o profeta Isaías que escreveu para um povo que se encontrava no exílio da Babilônia (587-538 aC): “Toda carne é como erva e toda sua glória como a flor da erva. Secou-se a erva e a sua flor caiu, mas a Palavra do Senhor permanece para sempre”. Estas palavras nos recordam da nossa condição humana: somos peregrinos neste mundo, mas a Palavra de Deus nos regenera e nos torna incorruptíveis.

A Palavra se faz ação. A ação se traduz em atitudes concretas de amor fraterno. E as pessoas se aproximam, acontece a inclusão social e a fome de pão e de justiça será saciada e o mundo se recria!

E vamos concluir hoje com outra parte da oração da CF 2003: “Colocastes em nossos corações a ESPERANÇA de uma vida melhor, fundamentada nos valores do Reino. Fazei que essa esperança nos acompanhe sempre e se realize em todos os momentos do nosso viver...”

Prof. Celso Loraschi

PARA CONVERSAR

1.º Ler 1Pd 1,1-12 e aprofundar: quem são os construtores do Reino de Deus na história humana?

2.º Ler 1Pd 1,13-21 e comentar: somos chamados à santidade: o que é a santidade?

3.º Ler 1Pd 1,22,2,3 e aprofundar: a verdade nos liberta: o que é a verdade?

4.º A partir do encontro de hoje, que pontos enfatizamos para a nossa prática?

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