Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Bíblia - Evangelho de João

RECRIAR O CAMINHO DA LIBERDADE E DA VIDA

O Evangelista João escrevendo para os cristãos de hoje (4ª parte)

Caríssimos!
Vocês devem lembrar que, no encontro anterior, aprofundamos o “primeiro” de uma série de “sete sinais” realizados por Jesus. Todos eles acontecem durante o “sexto dia” de uma semana simbólica.
É tempo de recriar a nova humanidade com base na aliança de amor entre Deus e nós. Aderir a esta proposta significa romper com o sistema político e religioso do Templo, para “nascer de novo” como Jesus sugeriu a Nicodemos e “adorar a Deus em espírito e verdade” como ele propôs à samaritana. Com a Bíblia na mão, vamos continuar nosso estudo e conhecer o “segundo sinal”.

Segundo sinal:

“Pode ir, seu filho está vivo”
(Jo 4, 46-54).
Um menino está para morrer. É filho de um funcionário do rei. Este menino representa os pequenos e necessitados. Não é de família judaica, nem é dos samaritanos. É pagão, isto é, de raça estrangeira. O pai procura a Jesus e pede-lhe: “Senhor, desce, antes que meu filho morra!” E Jesus: “pode ir, seu filho está vivo”. O funcionário acreditou na palavra de Jesus... e o menino ficou curado naquela mesma hora.
A hora, em nosso evangelho, é simbólica: foi “pela uma hora da tarde”, a mesma hora em que Jesus morrendo, entregou a vida pelo resgate da vida de todos.
Este segundo sinal tem muitas semelhanças com o primeiro. Em ambos Jesus está em Caná da Galiléia. Em ambos há uma situação de carência: no primeiro falta vinho; no segundo falta saúde. Nos dois casos Jesus age transformando a situação de carência em abundância.
Os dois sinais provocam o surgimento da fé: no primeiro os discípulos crêem em Jesus; no segundo, o funcionário com toda a sua família.
Com este sinal, Jesus quebra as fronteiras de raça, como já havia feito com a samaritana. Os judeus consideram os estrangeiros impuros. Além disto, este pagão faz parte do governo, portanto tem ligação com os poderosos.
Mas a vida de Deus não se amarra a preconceitos. Os poderosos também precisam de conversão para participar da vida de Deus. A crítica que Jesus lhes dirige é convite a enxergar a ação de Deus na história: “Se vocês não vêem sinais e prodígios, vocês não acreditam”. Gostariam de ter a Jesus como um homem cheio de força e poder para dominar à maneira dos reis deste mundo.
O que adianta os poderosos exercerem poder sobre as nações se são incapazes de garantir vida até para um filho de um funcionário real?
E o funcionário deve voltar sozinho, confiando na Palavra recebida. E já no caminho de casa recebe a boa notícia da recuperação do Filho. E a boa notícia vem através dos “servos”, dos que não têm poder.
Em nossas comunidades cristãs, há lugar para todos. Porém, há uma escolha a fazer: trilhar o caminho do serviço e do amor.
É o único caminho que garante vida digna sem excluir ninguém. É preciso decidir-se pela ruptura de todo poder e dominação de uns sobre os outros. Porém, quem detém o poder não muda facilmente.

Terceiro sinal:

“Levante-se, peque sua cama e ande”
(Jo 5, 1-18).
Jesus vai a Jerusalém e participa de uma festa judaica. As festas atraíam muita gente à capital da Palestina. São ocasião em que os líderes religiosos e políticos aproveitavam para explorar o povo. Basta lembrar o que aconteceu durante a festa da Páscoa (Jo 2, 13-22).
Em Jerusalém existe uma piscina chamada Betesda. Aí se reuniam muitos doentes: coxos, cegos, paralíticos... A fé popular dizia que as águas dessa piscina tinha poder curativo pela intervenção de um anjo.
Bastava entrar por primeiro quando as águas se movessem. Era o lugar por onde passavam as ovelhas para serem sacrificadas no templo. Aí está também o povo necessitado como ovelhas para o sacrifício. Esta piscina está rodeada por cinco corredores onde funcionavam as escolas dos rabinos e que simbolizavam os cinco livros da Lei: A Torá (o Pentateuco).
Com este modo de relatar, nós estamos denunciando a falsidade de uma Lei que não produz vida para os pobres. Os “mestres” que viviam muito bem instalados no Templo, interpretam a Lei de Moisés, pervertendo-a de tal maneira que o povo fica excluído da vida.
O paralítico que Jesus vai curar representa todo este povo. Ele está doente há trinta e oito anos. Conforme o Deuteronômio 2, 14, estes anos representam o tempo de uma geração. É uma vida inteira de sofrimento e abandono sem ter ninguém que o socorresse. As águas da piscina podem significar as falsas esperanças que os poderosos agitam para manter o povo na paralisia e na dependência.
Jesus, porém, não engana. Suas palavrasão expressão de amor e solidariedade. Ele mesmo é a água viva que sacia definitivamente a sede do povo, como havia revelado à samaritana (4, 13-15). Ele devolve a capacidade dos pequenos e pobres andarem com suas próprias pernas. O paralítico, diante da palavra libertadora de Jesus, se levantou e começou a andar.
As autoridades não gostam disso. Se apegam à lei do Sábado para apontar o dedo acusando o pobre libertado er quem está provocando este tipo de movimento contrário às normas oficiais. Jesus “desaparece” do lugar e deixa a pessoa curada dar testemunho. Encontrando-o no templo, Jesus lhe diz: “Não peque de novo...” O pecado a que Jesus se refere é adesão ao sistema do Templo que leva o povo à paralisia e à cegueira. Crer em Jesus, segui-lo e testemunhar a sua prática tem como conseqüência o rompimento total com um tipo de religião e de sociedade que impede a liberdade e a vida.
Querem matar a Jesus, mas ele não se intimida e deixa claro: “Meu Pai continua trabalhando até agora e eu também trabalho”.
Deus continua sempre agindo na nossa história, recriando todas as coisas e construindo uma nova humanidade. Seguir a Jesus é entrar nesta dinâmica de Deus.

A Favor ou contra (Jo 5, 19-47)
A prática de Jesus provoca reações: a favor ou contra. As autoridades dos judeus se posicionam contra. É por isso que nós registramos um longo discurso de Jesus dirigido às autoridades, revelando que sua prática libertadora provém do próprio Deus-Pai. Quem rejeita esta prática em favor da vida dos pobres está fechado à graça de Deus e, portanto, está condenado. Mas quem segue o caminho apontado por Jesus, comprometendo-se com a vida, ressuscitará com Jesus para a vida eterna.
É preciso prestar atenção aos testemunhos dados a respeito de Jesus: João Batista, o próprio Deus-Pai e as Escrituras. As autoridades rejeitam estes testemunhos porque não querem descer de sua posição de arrogância e dominação. A ação de Jesus desmascara o verdadeiro rosto destes homens. Por isso, vão fazer de tudo para matá-lo.

Quarto sinal:
“Para que todos tenham vida ”
(Jo 6, 1-15).
Agora vamos com Jesus para o “outro lado do mar da Galiléia”. Estamos em terra estrangeira. Uma grande multidão segue a Jesus. A festa da Páscoa está próxima. Jesus sobe à montanha com seus discípulos...
Com estes elementos nós queremos fazer a ligação com o acontecimento do Êxodo. Jesus é o novo Moisés que conduz o povo à libertação. É um caminho diferente daquele apontado pelas lideranças religiosas oficiais.
Para celebrar a Páscoa, todo judeu devia ir a Jerusalém. Jesus, porém, faz o movimento contrário: ele sai de Jerusalém e vai para umterritório pagão. Com isso, nós estamos denunciando uma situação inaceitável para os cristãos de nossas comunidades: Jerusalém se tornou uma terra de escravidão como foi antigamente o Egito. Aí o povo pobre é explorado e oprimido e, o que é pior, em nome de Deus.
A festa de Páscoa deveria ser a celebração da fé em Deus-Libertador e da vida digna que ele garante para todos. Mas se tornou expressão de domínio dos grandes e poderosos sobre os pequenos e pobres. Por isso, Jesus provoca um “êxodo ao contrário”: Jesus vai celebrar a Páscoa com um povo considerado impuro.
No tempo do Êxodo, no deserto, o povo sentiu fome. Com Jesus agora está um povo faminto. Como Moisés, Jesus sobe a montanha e vê a realidade do povo sofrido. Ele está preocupado com as necessidades básicas das pessoas. Isso não faziam as lideranças religiosas em Jerusalém. Enquanto estas tiram os bens do povo para manter o sistema do Templo, Jesus provoca a partilha dos bens para a vida do povo.
Esta provocação é feita aos discípulos. Filipe vê a situação e analisa de forma comercial: “Nem meio ano de salário bastaria para dar um pedaço para cada um”. André, cujo nome significa “o humano”, lembra que existe no meio do povo, aqui representado por um jovem, o alimento necessário para saciar a fome da multidão: “cinco pães de cevada e dois peixes”.
O jovem é a imagem das comunidades de seguidores de Jesus, abertas para um futuro novo e promissor. Estas comunidades de amor são “o lugar” do verdadeiro Templo. O número sete é o número da plenitude, simboliza todos os bens existentes no meio da multidão.
Quando estes bens são partilhados, de forma organizada e fraterna, fora da lógica comercial, ninguém vai passar necessidades. Como no tempo do êxodo, agora Jesus é garantia de vida digna sem exclusão de ninguém. É preciso, porém, seguir o caminho apontado por ele.
Caríssimos catequistas e leitores de Missão Jovem! Os sinais que Jesus realizou e que nós registramos em nosso Evangelho, não são para serem “admirados”, mas foram contados porque são possíveis de serem vividos em todos os tempos e lugares.

Um abraço carinhoso.

Pe. Celso Loraschi


1. O que nos chamou a atenção em cada um dos sinais?

2. Jesus provocou um “Novo Êxodo” para garantir a vida do povo necessitado. Qual é o caminho que hoje podemos seguir para garantir “dignidade humana e paz” para todos?

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar