Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
Bíblia - Evangelho de João
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O EVANGELHO DE JOÃO: COMUNIDADE DE IGUAIS O evangelista João escrevendo para os cristãos e cristãs de hoje Caríssimos! Um modo de ser comunidade O nosso Evangelho o evangelho de João foi escrito ao redor do ano 100. Na verdade, porém, começamos a nos organizar logo após a morte e ressurreição de Jesus. Iniciamos perto de Jerusalém, na pequena localidade de Betânia. Lá havia uma família muito amiga de Jesus e também nossa amiga. Marta, Maria e Lázaro eram três irmãos, bem unidos entre si e se tornaram logo discípulos de Jesus. Quantos momentos bonitos vivemos naquela casa! Quando Jesus foi morto, ficamos desconsolados e muito tristes. Mas não foi por muito tempo. A grande notícia de sua ressurreição nos fez superar toda tristeza e medo. Então, nos lançamos a construir uma vida nova. Começamos a nos reunir e celebrar a memória de tudo o que Jesus fez e ensinou. Pouco a pouco, percebemos que já éramos uma comunidade. O amor entre nós era grande. Nós sentíamos a presença de Jesus ressuscitado de uma forma real. Na medida em que nos reuníamos, fomos percebendo que era possível organizar um modo de ser comunidade de acordo com os princípios que o Mestre Jesus nos ensinou: uma comunidade de iguais. Não queríamos repetir, em nosso meio, o jeito de ser do sistema do Templo, nem do Império. Não poderia haver no meio de nós quem se considerasse superior ou inferior aos outros. Para isso, elegemos o Amor como o único critério a orientar nossas vidas. Meu nome é João, seguidor de Jesus Eu sempre tive esta consciência de ser um discípulo muito amado por Jesus. Lendo os evangelhos, vocês vão perceber que eu faço parte do grupo dos Doze. Sou irmão de Tiago. Nosso pai se chama Zebedeu. Tiago e eu recebemos de Jesus um apelido: Boanerges, isto é, filhos do trovão. Como vocês podem imaginar, este apelido mostra o tipo de temperamento que nós temos. O nosso comportamento nunca foi passivo, nem acomodado. Aprendemos, com nosso pai e nossa mãe, a ganhar a vida, com o suor do nosso rosto, na pequena empresa de pesca que a nossa família tinha. Num certo dia em que estávamos no barco, consertando as redes, fomos surpreendidos por um convite de Jesus. A fama de Jesus já havia se espalhado por toda a redondeza. Porém, não o conhecíamos ainda pessoalmente. E, agora, estava ele aí, nos olhando com atenção e ternura. E nos convidou a segui-lo. Foi um chamado irresistível. Deixamos tudo e começamos a nos tornar seus seguidores, juntamente com muitos outros homens e mulheres. Várias vezes Jesus convidou a Pedro, Tiago e eu para ficarmos a sós com ele. Isto aconteceu na Transfiguração, na cura da sogra de Pedro e da filha de Jairo, como também no Monte das Oliveiras, quando Jesus entrou em sofrimento e angústia, estando próximas a sua prisão e morte. O fato de Jesus convidar-nos para estar com ele nestes momentos não tem o significado de sermos os prediletos dele. Provavelmente é porque nós três tínhamos dificuldades de entender o Projeto de Jesus. Éramos muito impulsivos e, às vezes, até vingativos. Pedro, que também recebeu o apelido de pedra, foi contra a ida de Jesus a Jerusalém, onde seria condenado pelos poderosos. Por isso, Jesus o chama de satanás. Chegou a fazer uso da espada para defender a Jesus na hora de sua prisão. Traiu a Jesus quando foi descoberto no pátio da casa do sumo sacerdote.
Tiago e eu (vejam que pretensão a nossa!) pedimos para sentar junto a Jesus em dois tronos. A resposta de Jesus foi um puxão de orelhas que nunca mais esquecemos. Em outra ocasião em que passávamos por Samaria e fomos mal recebidos, desejamos que caísse o fogo do céu para consumir aquela gente. Acontece que nós e os samaritanos, por questões históricas, não nos dávamos bem... O Jeito de ser de Jesus Não foi fácil entender o jeito de Jesus. Muitos trabalhadores (pescadores como nós, pastores, agricultores, artesãos...) não aguentávamos mais a exploração que o Templo e o Império exercia sobre nós. Nossas famílias eram abandonadas à própria sorte. E uma das únicas saídas que víamos era vencer aquele sistema, mesmo usando a força das armas. Jesus sempre se posicionou contra qualquer tipo de violência. A sua proposta de vida para todos passa por caminhos diferentes daqueles oferecidos pelos poderosos. Nem foi fácil para mim entender a dimensão ecumênica destas proposta. Uma vez eu reclamei a Jesus a respeito de uma pessoa que estava expulsando demônios em nome dele, mas não fazia parte do nosso grupo. Aí recebi outro puxão de orelhas, porque Jesus não discrimina ninguém. Pelo contrário, valoriza todas as pessoas e as convoca a se empenhar pela defesa e promoção da liberdade e da dignidade humana. Tudo isto que é dito a meu respeito se encontra nos evangelhos sinóticos (Marcos, Lucas e Mateus). No evangelho que nós escrevemos não colocamos nada destas coisas a meu respeito. Decidimos não repetir aquilo que os meus irmãos e irmãs já haviam escrito antes. As comunidades já conheciam isso muito bem. A maior parte do que vocês vão encontrar no evangelho de João são reflexões próprias tendo como objetivo construir comunidades de amor. É por isso que aí vocês vão encontrar um jeito de me apresentar que não se encontra em outros evangelhos. Eu me apresento como o discípulo que Jesus amava. E é bem esta experiência que eu, e muitas outras pessoas, fizemos na companhia de Jesus histórico e também depois de sua morte e ressurreição. Juntamente com Pedro e outros discípulos e discípulas procuramos difundir a experiência da Boa Notícia de Jesus ressuscitado começando por Jerusalém. Vocês podem conhecer isso lendo os Atos dos Apóstolos, escrito pelo nosso amigo Lucas. Foram tantas as coisas acontecidas que ficaríamos um tempo enorme relatando sem poder contar todas as maravilhas que Deus realizou, através do seu Espírito, no meio de nós. Paulo, na carta que escreveu aos Gálatas, chega a citar o meu nome, juntamente com os de Tiago e Pedro, dizendo que éramos as três colunas da Igreja de Jerusalém. Foi um jeito de Paulo se referir à missão importante que desenvolvemos a partir da capital da Palestina. Sei, no entanto, que a única coluna da Igreja é Jesus Cristo. Pelo mundo afora Nós não ficamos em Jerusalém. Fomos pelo mundo afora. A minha missão se estendeu na direção da Ásia Menor. Na cidade de Éfeso, organizamos um importante centro de irradiação da mensagem de Jesus. Foi aí que o nosso evangelho recebeu a redação final. É o resultado de um trabalho feito em mutirão, por muitas mulheres e homens, durante mais de 50 anos. Foram inúmeras as pessoas que aderiram ao caminho de Jesus. Estas pessoas, organizadas em comunidades, procuraram estabelecer alguns princípios que fossem de acordo com o Projeto que Jesus veio inaugurar. Isto aconteceu no meio de dificuldades e conflitos, não só externos, mas também internos. Para superar os conflitos O Evangelho de João foi escrito para ajudar a superar estes conflitos. Um destes conflitos é com os judeus. Não somos contra os judeus. Eu também sou judeu. O fato é que, com o passar do tempo, várias pessoas de outras raças foram fazendo parte de nossas comunidades. Muitos samaritanos também. E acontece que alguns grupos de rabinos e de autoridades judaicas, apegados ao sistema legalista do Templo, não aceitavam abrir-se para a fraternidade universal. Embora o Templo de Jerusalém já havia sido destruído pelos romanos, muitos rabinos se organizaram ao redor das sinagogas e mantinham firmemente o sistema de pureza que determinava a exclusão de toda pessoa estrangeira... Um outro conflito se refere ao mundo. Esta palavra nós a usamos muito em nosso evangelho. Na maior parte das vezes, é para indicar o projeto contrário ao de Jesus. Por isso, o mundo representa todo o poder político, econômico, religioso e ideológico que oprime as pessoas. Este mundo é de trevas que tenta apagar a luz, que é ação de Deus na história humana. Há um conflito que se refere aos seguidores de João Batista. Eu também já tinha sido um deles. Muitos, porém, não aceitavam Jesus como o Salvador e, por isso, hostilizavam as nossas comunidades. No evangelho nós insistimos que João Batista não é a Luz e sim apenas testemunha da luz... Tem ainda o conflito relacionado às pessoas apegadas à instituição judaica que têm medo de confessar, publicamente, a fé em Jesus Cristo porque podem ser perseguidas. São cristãos que ficam em cima do muro... E tem um conflito muito forte que se refere ao modelo de Igreja que se estrutura de forma hierárquica. Pedro é a figura que representa este modelo. Não somos contra a pessoa de Pedro, porém, não aceitamos uma Igreja que não viva relações de igualdade e fraternidade. Uma Igreja assim não pode ser seguidora de Jesus. Caríssimos, no próximo encontro nós vamos entrar no Evangelho de João, propriamente dito. Não deixem de ler, com muito amor e carinho, todo ele. Isto vai facilitar a compreensão do que queremos aprofundar, com a graça de Deus! Pe. Celso Loraschi Para Conversar
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