Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
Bíblia - Evangelho de João
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LIVRES PARA AMAR O Evangelista João escrevendo para os cristãos e cristãs de hoje - (5ª parte) Caríssimos! Já vimos quatro destes sinais de Jesus quando: 1.º) Muda a água em vinho; 2.º) Cura o filho de um funcionário do rei; 3.º) Cura o paralítico; 4.º) Realiza a partilha dos pães. Vamos hoje conhecer o 5.º e 6.º sinais. Não esqueçam de acompanhar pela Bíblia. 5º sinal: Sou eu. Não tenham medo (Jo 6,16-21). Como já vimos, ao aproximar-se a festa da Páscoa, Jesus se retira de Jerusalém e vai para o outro lado do mar da Galiléia. Com isto, Jesus realiza um novo êxodo: saída da terra de opressão para uma terra de liberdade que se constrói pela partilha do pão (4º sinal): exemplo a seguir para que ninguém fique excluído dos bens que garantem a vida. Com este sinal, o povo achou que Jesus poderia ser eleito rei e, assim, solucionar todos os seus problemas. Percebendo isso, Jesus retira-se para a montanha. Os discípulos, por sua vez, resolvem voltar para Cafarnaum, atravessando o mar, de barco. A noite se aproxima e um vento forte se levanta contra a barca. É difícil remar contra o vento e com as águas agitadas. Eis que Jesus vai ao encontro deles caminhando sobre as águas. Ficam com muito medo. A confiança volta quando ouvem a voz de Jesus: Não tenham medo. Sou eu. Aparecem neste texto alguns elementos que mostram a realidade em que viviam nossas comunidades. Noite, escuridão e trevas são símbolo da situação difícil pela qual estamos passando. O que fazer diante da perseguição, da incompreensão, da fome...? O que fazer quando a força do poder deste mundo parece bem maior do que a força dos discípulos de Jesus? O mar representa os impérios dos poderosos. Eles agitam as águas e a barca das comunidades parece afundar. Onde está Jesus? Ei-lo, caminhando sobre as águas. Quem está com Ele não afunda no meio das águas dos que querem dominar, porque Jesus é Deus! Ele mesmo declara: Sou eu, como Deus revelou a Moisés sua identidade no tempo do Êxodo: Eu sou o que sou. É o mesmo nome Javé, o Deus que liberta, que faz o povo oprimido atravessar o Mar Vermelho. Ao afirmar sou eu, Jesus apresenta-se como o Deus que liberta. Com Ele, os discípulos superaram as dificuldades e chegam à margem. Para nós, no final do primeiro século, era muito importante recuperar esta certeza: Jesus é o Deus vivo, presente na caminhada de nossas comunidades. Não precisamos ter medo. A quem iremos, Senhor? (6, 22-71) A multidão procura a Jesus, pensando que Ele vai garantir alimento de forma mágica. Ele, porém, percebe a intenção do povo e o convida a participar de sua obra com uma nova mentalidade: Não trabalhem pelo alimento que se estraga; trabalhem pelo alimento que dura para a vida eterna. Jesus é o portador de uma nova prática: a do amor solidário. Ele quer suscitar uma nova fome que leva a alimentar-se do Projeto de Deus. Este Projeto confunde-se com a sua pessoa. Sua identidade e sua prática revelam o rosto de Deus Pai e Mãe, que cria e liberta seus filhos. Jesus, por isso mesmo, faz um longo discurso a respeito do Pão da Vida que é ele mesmo. Eu sou o Pão vivo que desceu do céu. Quem come deste Pão viverá para sempre. E o Pão que eu vou dar é minha própria carne, para que o mundo tenha vida... Jesus é o dom de Deus dado à humanidade para que ela tenha a plenitude da vida. Ele se doa em sacrifício. Ele é o Cordeiro da nova Páscoa. Assim, como o cordeiro
pascal alimentou o povo na saída da escravidão do Egito, Jesus, pela sua morte, torna-se o Pão vivo para o alimento do povo em caminhada: Quem come a minha carne e bebe o meu sangue vive em mim e eu vivo nele... e viverá para sempre. Estas palavras soaram duras demais nos ouvidos dos discípulos. Muitos não gostaram e desistiram. É que haviam entendido muito bem a proposta de Jesus. Segui-lo, é amar como Ele amou, na partilha dos bens e da vida. Mas Jesus permanece firme. Dirigindo-se aos Doze, diz: Vocês também querem ir embora?. Simão Pedro, em nome de todos, responde: A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.... Nós somos a comunidade que crê em Jesus e afirma que a vida só tem sentido percorrendo o caminho que ele indicou. Quem é Jesus? (7,1-53) Jesus vai à festa das Tendas, em Jerusalém. É uma festa de alegria, realizada durante sete dias, na época da colheita dos produtos. Muitos judeus, inclusive os parentes, acreditavam que Jesus aproveitaria desta festa para se manifestar como o Messias e iria libertar o povo do domínio romano. Mas o messianismo de Jesus não segue a linha do poder. Só será conhecido no momento certo, e Jesus decide subir a Jerusalém às escondidas. Jesus é alguém que provoca contradições. Todos o procuram: uns por curiosidade, outros para segui-lo, alguns para rejeitá-lo e outros para matá-lo. Só depois de alguns dias, Jesus resolve ensinar no templo e se coloca contra a linha oficial. Os Rabinos se admiram de sua instrução, mas o rejeitam porque não segue as suas leis. Depoimentos de grupos diversos revelam que Jesus é sinal de contradição: uns dizem que é o Messias, outros que é um profeta... Os chefes dos sacerdotes e os fariseus mandam a polícia para prendê-lo. Nicodemos, que já conhecia melhor a Jesus, tenta defendê-lo. Jesus, porém, continua na sua liberdade. Sua hora ainda não chegou. Ao longo de uma procissão, onde o povo transportava água e agitava ramos, Jesus se apresenta como água viva. Quem beber desta água do seu seio jorrarão rios de água viva. O templo tornou-se fonte de água estragada que faz mal às pessoas. Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra (8, 1-59) Certo dia chegaram os doutores da lei e os fariseus trazendo uma mulher adúltera. A lei manda que toda mulher pega em adultério deve morrer apedrejada. Ela é colocada no centro. E dirigem a pergunta a Jesus para ver se Ele é ou não obediente à lei de Moisés. Sua reação é inesperada: Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo: Quem de vocês não tiver pecado, atire nela a primeira pedra. Isto faz lembrar o que disse o profeta Jeremias 17, 13: Todos aqueles que te abandonam ficarão envergonhados; aqueles que se afastam de ti terão seus nomes inscritos na poeira, porque abandonaram Javé, a fonte de água viva. Diante da ação e da palavra de Jesus, todos vão embora, desautorizando o poder dos juízes que julgam de forma falsa e incoerente. O sistema da lei e do templo não salva. Quem salva é Jesus que se dirige à mulher e lhe diz com profundo amor: Eu não a condeno. Pode ir, e não peque mais. Jesus oferece aos pecadores condições de vida nova. Por isso, nós fazemos questão de apresentá-lo como a luz do mundo e como a palavra da verdade que liberta. Quem o segue não anda nas trevas, nem se deixa conduzir pela mentira. Comprometer-se com a vida é caminhar na luz e na verdade, é ser de Deus. Quem segue o projeto de morte anda nas trevas, na mentira: pertence a este mundo. E Jesus denuncia o sistema de trevas e de mentira sustentado pelas autoridades dos judeus. Elas tentam desautorizá-lo, chamando-o de louco. Tentam prendê-lo e atirar pedras nele... Mas Jesus se escondeu e saiu do templo. 6º sinal: das trevas para a luz (9, 1-41). O sexto sinal é a cura de um cego de nascença. Jesus é a luz que brilha nas trevas. Ele já havia dito: Quem me segue não andará nas trevas, mas possuirá a luz da vida. Este sinal acontece em Jerusalém onde Jesus (a Luz) entra em conflito com as autoridades dos judeus (as trevas). Mostra a situação que nossas comunidades viviam na época da redação do evangelho. O cego curado é expulso do convívio social. Este fato recorda a decisão que as lideranças político-religiosas tomaram após a destruição do templo no ano 70. Os judeus que reconhecessem Jesus como Messias eram perseguidos e expulsos das sinagogas. Jesus cria um novo ser humano, curando a cegueira com saliva e barro, recordando o Gênesis onde Deus criou Adão a partir do barro. A proposta de Jesus é de libertação da dependência, seja ela religiosa, política ou econômica. O seguimento de Jesus só pode dar-se na liberdade. A pessoa livre age por convicções profundas e não por imposição ou medo. Jesus foi livre a tal ponto que sua pessoa inteira torna-se caminho de liberdade. Só uma pessoa livre torna-se também libertadora. Caríssimos! Garanto a vocês: quem entra neste caminho se realiza profundamente e torna-se dom de Deus para a vida do mundo. Com certeza, nos veremos no próximo encontro. Pe. Celso Loraschi Para conversar:
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