Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
Bíblia - Evangelho de João
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Caríssimos! Com o encontro anterior iniciamos a segunda parte do evangelho de João, a partir do capítulo 13. Jesus conclui o lava-pés com uma pergunta que, certamente, mexeu com a cabeça e o coração dos discípulos: Vocês compreenderam o que eu acabei de fazer?. A partir daí Jesus vai revelar que não é o Messias triunfalista que todos esperavam. Ele é o servo de Deus, que veio para dar a vida em fidelidade ao Projeto do Pai. Se Jesus, Mestre e Senhor, deu este exemplo, todos os discípulos e discípulas devem segui-lo. A grande realização de todo ser humano está no caminho do serviço desinteressado. É por isso que Jesus insiste: Se vocês compreenderem isto, serão felizes se o puserem em prática.
Jesus, porém, sabe que o egoísmo é muito difícil de ser vencido. E sabe que, mesmo dentro de seu grupo de amigos, está um traidor. Judas anda com Jesus, mas não comunga com o seu projeto de amor-serviço. Por isso, entra na noite, mergulha nas trevas e vai entregar Jesus aos chefes religiosos. A prisão e a morte se aproximam. Jesus, em seu amor sem limites, prepara os discípulos para esta hora. A Pedro, ele mostra que não basta ter boa vontade e o previne: Antes que o galo cante, você me negará três vezes. Revela a todos o caminho para o Pai: Eu vos dou um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros. Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos. Este é o testamento que Jesus deixou para todos nós. É o sonho de Deus para todos os seus filhos e filhas: amar sempre, amar sem limites, amar até as últimas conseqüências. É por isso que nós nos denominamos de Comunidade do Amor. Temos certeza que não há outro caminho que possa garantir um mundo novo.
Quem entrega sua vida como prova de amor pelos outros está com Jesus e, portanto, pode viver em paz: Não fique perturbado o coração de vocês... E pode ficar seguro da vida eterna: Eu vou preparar um lugar para vocês... Estas palavras consoladoras de Jesus eram, para nós, força e alegria no meio das perseguições e conflitos. Continuamente nós nos encontrávamos e nos encorajávamos mutuamente, lembrando do que o nosso único Mestre disse a Tomé: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vai ao Pai senão por mim. No meio dos rabinos judeus, existia a concepção de que o caminho, a verdade e a vida se encontravam no cumprimento da Lei. Para eles, só a Lei garante a salvação. Com Jesus, porém, fica esclarecido que de nada adianta seguir exteriormente uma lei escrita se não houver uma vida de doação sincera em favor da vida dos outros.
É incrível o poder que Jesus deixou para uma comunidade de amor. Todas as pessoas que fazem parte dela se tornam portadoras do Espírito de Deus. Ele é seu advogado. O mesmo Espírito Santo, que conduziu Jesus em sua vida, está presente nas comunidades dos seguidores e seguidoras de Jesus. É o próprio Jesus no meio delas, agindo e garantindo Vida em abundância para todos. O mundo que, para nós significa a sociedade baseada na dominação e na justiça, não conhece o Espírito de Deus. Ná época em que escrevemos o nosso Evangelho de João, o mundo era a própria organização econômica, política e religiosa do Império Romano e dos rabinos judeus fechados em seus conceitos legalistas. É a ordem social injusta, estabelecida pelos poderosos contra a vida do povo. É a violência institucionalizada que odeia quem faz o bem e persegue as pessoas justas. Quem adere a esta ordem social é inimigo de Deus. Jesus não pertence a esta ordem ou a este mundo. Ele pertence ao que é de cima, isto é, à vontade do Pai e, por isso, obedece somente a Deus. Assim, ele vai acabar sendo condenado e morto.
Apesar desta ordem injusta, Jesus garante a paz para os seus amigos e amigas. Não é a paz do mundo. Esta é paz de cemitério, é falsa porque baseada no poder dominação. A paz de Jesus é a que nasce de um coração livre de ambições. A paz de Jesus é a que provém de uma vida que se entrega no amor-serviço. E nada tem a temer. O príncipe deste mundo (a sociedade injusta) não tem poder sobre Jesus. Pode matá-lo mas, o poder de Deus vai vencer pela Ressurreição. A morte de Jesus vai representar o fim do poder deste mundo. É o ponto final da injustiça e o início de uma vida plenamente liberta e feliz. Caríssimos! No meio das muitas dificuldades que nós enfrentamos no final do primeiro século, rezamos, refletimos e trabalhamos muito em comunidades. Recolhemos a mensagem de Jesus que nos enchia de coragem e serenidade. A fé não elimina o medo, mas ajuda a enfrentá-lo de cabeça erguida. A fé não permite que fiquemos desnorteados, sem saber que caminho tomar. Ela não deixa a gente ser Maria vai com as outras. Ela mostra que há saídas para qualquer tipo de crise. Ela mostra o caminho seguro do amor e da realização pessoal e comunitária. Baseados nas palavras e ações de Jesus não entregamos os pontos, nem perdemos a cabeça. As vezes podemos ficar meio confusos. A esperança, porém, não decepciona. O que não podemos fazer é deixar de nos amar uns aos outros, como Jesus. Para isto contamos com o Espírito Paráclito, palavra que significa advogado de defesa.
Numa comunidade de iguais não pode haver privilégios nem hierarquias. Não pode haver os que são mais importantes e os que são inferiores. É por isso que nós lembramos da alegoria da videira e dos ramos narrada por Jesus. Na Bíblia, a videira ou a vinha é um dos símbolos muito significativos. Representa o próprio Povo de Deus. Por exemplo, o Salmo 80,9-17 canta que o Povo de Deus é como uma videira que Javé arrancou do Egito e transplantou na terra prometida. Em Isaías 5, 1-7 encontramos o cântico da vinha. Ela devia produzir frutos bons, mas estava produzindo frutos azedos. O profeta está criticando a ação da sociedade organizada em Monarquia, onde acontece a exploração dos grandes sobre os pequenos e pobres. É um tempo onde o direito e a justiça não estão sendo praticados. Nós atualizamos este símbolo da videira, lembrando que Jesus e as pessoas que o seguem formam o novo Povo de Deus. Só produz frutos quem estiver unido a Jesus, isto é, vive o seu Projeto, ama como Ele amou. Esta comparação da videira e dos ramos nós a usamos muitas vezes em nossas famílias e em nossos encontros comunitários. Se Jesus é o tronco e nós os ramos, é sinal de que o sonho de Deus uma sociedade justa e fraterna só é possível com a colaboração de cada um de nós. Os frutos da videira não dão no tronco e sim nos ramos. Se não houver empenho de unidade com Jesus e acolhida mútua entre nós, nossa vida torna-se estéril e o resultado será a morte. Para que os ramos produzam sempre mais e bons frutos, Deus os poda. De fato, nós sentimos na carne que seguir a Jesus atrai crises, conflitos e sofrimentos. Eles são oportunidade de crescimento, de purificação e de maturidade. Ser participante de uma comunidade de iguais é ser amigo de Jesus. Eu não vos chamo de empregados..., mas de amigos. Jesus não quer ser patrão de ninguém. Ele se faz um de nós, companheiro de caminhada, confidente e amigo.
É inevitável o conflito para quem leva a sério a proposta de Jesus. O mundo do egoísmo e da injustiça não vai suportar um caminho que acaba com os privilégios pessoais e de grupos. Jesus previne: Se perseguiram a mim, vão perseguir vocês também. A prática de Jesus nos coloca perante uma opção: a favor ou contra a vida dos pobres. Quem se coloca a serviço da causa dos pequenos e marginalizados está assumindo a mesma causa de Jesus. Quem se coloca a serviço da ordem injusta está contra o projeto de Jesus. Não é possível ficar em cima do muro. Como assumir a mesma causa de Jesus? Ele deixou claro o caminho a ser seguido. Ele realizou os sinais que garantem a saúde, a alegria e a vida das pessoas. Segui-lo é organizar a sociedade de tal maneira que nenhuma pessoa fique excluída dos bens necessários para uma vida feliz e realizada. Isso é possível, Jesus mesmo nos garantiu. Jesus nos deixou um ideal lindíssimo que podemos viver de forma organizada, em comunidades. É o ideal do resgate da confiança mútua, da paz nas famílias e entre os povos, do respeito aos Direitos Humanos... A glória de Deus está na vivência deste ideal. A glória de Deus está na vida dos pobres. Que o Espírito de Jesus tome conta de nós! Pe. Celso Loraschi
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