Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Bíblia - Evangelho de João

Caríssimos!

Desde o capítulo 13, nós entramos na segunda parte do nosso evangelho. É a parte chamada de “Livro da Glorificação”. Vai até o final do evangelho de João. Após o lava-pés Jesus vai preparando seus discípulos para a “hora”. Aproxima-se o momento da paixão e morte. Eles vão ficar sem sua presença física. Poderão se dispersar, perder o rumo e desanimar... É necessário recordar o que é mais importante e que sintetiza toda a proposta de Jesus. Por isso, Ele vai incentivando a vivência da partilha, do serviço e do amor numa comunidade de iguais.

Jesus, para fazer-se entender em profundidade, resgata a imagem da videira e dos ramos. É preciso eliminar toda forma de individualismo. Frutos bons e duradouros somente são produzidos pela vida de união, ao redor do único mestre e Senhor: Jesus Cristo.

Este modo de vida e de organização comunitária atrai conflitos, perseguições e mortes da parte dos que preferem pautar suas vidas no egoísmo e na centralização dos bens e do poder. Convido a vocês, antes de continuar a leitura deste artigo, a ler Jo 15 e 16. Quem fizer isto irá entender melhor o que escrevemos abaixo.

Covardia, não! (João 16)

“Eu disse tudo isto para que vocês não se acovardem.”

Quando escrevemos este evangelho era muito forte o enfrentamento das pessoas seguidoras da proposta de Jesus com os seguidores da proposta dos rabinos legalistas e dos poderosos do Império Romano.

Eram dois caminhos distintos. Alguns de nós voltaram atrás. Preferiram não se queimar. Muitos judeus que creram em Jesus e participavam das comunidades cristãs foram expulsos das sinagogas.

Algumas pessoas foram marcadas para morrer. Foi o que aconteceu. E o pior: ao matar, pensavam que “estavam oferecendo um sacrifício a Deus.” Achavam que, matando, estavam eliminando os subversivos da ordem constituída, os bandidos...

Fizeram isso com Jesus e continuaram fazendo no tempo das primeiras comunidades cristãs, ao longo dos séculos e continuam fazendo no tempo de vocês. Não foi em nome de Deus que foram exterminados milhões de índios e torturados milhões de negros? Não é isso que acontece nas guerras de religião? Não é a civilização ocidental cristã que apóia e legitima a morte de ¾ da humanidade pelo empobrecimento e exclusão? Eu sei que vocês se fazem a mesma pergunta, muito séria, que nós fizemos frente a esta realidade: O que fazer? Fechar os olhos? Fazer de conta que não se ouve os gritos de tanta gente?

Se foi possível para Jesus,
é possível também para nós!

Nestes momentos, a gente se pergunta: Onde está Deus? Nós sentimos muita falta da presença física de Jesus. Tínhamos a sensação de abandono. Por isso, lembramos das palavras dele, antes de sua ascensão: “Se eu for, enviarei a vocês o Advogado. Ele vai desmascarar o mundo... Ele é o Espírito da Verdade e vai encaminhar vocês para toda a verdade...”

Sempre mais e melhor íamos nos convencendo de que Jesus continuava bem presente no meio de nós através do Espírito Santo. Portanto, não há motivo de tristeza ou desespero. Pelo contrário, é na fidelidade ao seguimento de Jesus que vamos garantir a vitória do amor sobre o egoísmo, do bem sobre o mal, da vida sobre a morte.

O mesmo Espírito que agiu em Jesus sustenta as lutas da comunidade. Ele teve forças para perseverar até o fim. Nós também as teremosz se nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo e nos amarmos uns aos outros como Jesus nos ensinou.

Apesar dos problemas, muitos deles bem grandes, sentimos que o Espírito é nosso defensor. Além disso, Ele nos conduz no caminho da verdade. A verdade é a palavra e a ação de Jesus que recordamos em nosso evangelho. O Espírito Santo também desmascara o “mundo”, isto é, o projeto da sociedade injusta e excludente.

À luz do Espírito tudo fica claro e as pessoas se definem. Assim, vamos discernindo o que fazer em cada circunstância histórica. Como é importante sentir-se amparado pela graça de Deus! O medo se transforma em coragem e a dor se transforma em oportunidade de crescimento e caminho de vida plena.

Sim, coragem!

Todo o discurso de Jesus, nos capítulos 15 e 16, tem a finalidade de encorajar-nos para a missão de continuar a sua obra em favor da vida de todos.

O testemunho de Jesus continua no testemunho dos seus discípulos e discípulas. Ele não engana e previne que o caminho do seu seguimento não será um mar de rosas. Ele mesmo experimentou em sua carne o abandono e a solidão.

O discípulo não é maior que seu mestre. Não é, porém, motivo de medo ou desesperança. Guardamos sempre no fundo do coração as palavras dele: “Eu disse estas coisas para que tenham a minha paz. Neste mundo vocês terão aflições, mas tenham coragem; eu venci o mundo”.

Jesus, nós e o Pai:
a unidade que revoluciona o mundo
(João 17)

Jesus conclui o discurso de despedida com uma linda oração. Nós não colocamos em nosso evangelho a oração do Pai-nosso como fizeram as comunidades de Mateus e Lucas. Contemplando a Jesus, especialmente no seu modo de dirigir-se ao Pai, nós registramos uma de suas orações em favor de todos os seus discípulos.

Nesta oração Jesus revela sua íntima união com Deus-Pai e com todas as pessoas que aderem ao seu projeto. Aliás, o Pai está presente ao longo de todo nosso evangelho. Se vocês se derem ao trabalho de contar, vão constatar que usamos 75 vezes a palavra Deus e 120 vezes nos referimos a Ele como Pai.

A presença constante de Deus-Pai é para lembrar que Ele não é um ser distante e desinteressado de nossa vida. Deus é Pai e Mãe. Nossa vida é cuidada por Deus com muito carinho e bondade.

O Pai, Jesus e nós, seus seguidores e seguidoras, formamos uma estreita unidade. O projeto de Jesus é inseparável do projeto do Pai e do projeto das comunidades. Esta comunhão de pessoas e projetos é que garante credibilidade no meio do mundo. Esta comunhão produz muitos frutos. É praticamente o desdobramento, em forma de oração, da imagem da videira e dos ramos.

O Pai é o agricultor, Jesus é o tronco e os ramos são todas as pessoas que trabalham em prol da vida. É nesta vida de comum-união que se manifesta a glória do Pai e do Filho. É por esta vida de fraternidade que o mundo se transforma. É tão importante isso que, por esta causa, Jesus entrega o seu ser inteiro até às últimas conseqüências. Pelo seu testemunho de serviço e amor, Jesus fez-se o caminho, a verdade e a vida.

Não compactuar com
uma sociedade injusta

Jesus não reza pelo “mundo”, isto é, por aqueles que rejeitaram a sua prática. Acontece que muita gente, levada pelo espírito do egoísmo, fecha-se ao amor e à comunhão com Deus e com as outras pessoas. E Deus é respeitador. Ele não violenta, não obriga. A adesão ao seu amor deve ser espontânea e gratuita.

Jesus reza pelas pessoas que ouvem a sua Palavra e o seguem. São pessoas que tiveram a coragem de romper com o “mundo”. Vivem no mundo, mas não compactuam com os sistemas que excluem e matam.

Não é fácil testemunhar o verdadeiro amor num mundo assim. Por isso, Jesus pede ao Pai com insistência que nos preserve de pensar e de agir à semelhança da sociedade baseada na injustiça e na opressão.

Deus nos guarda em seu coração!

Esta prece de Jesus em nosso favor mexia com o nosso coração e nos enchia de confiança. Dizíamos uns para os outros: “Sim, nós estamos seguros porque Jesus mesmo nos protege e nos consagra em sua verdade! Deus mesmo nos guarda em seu nome! Estamos dentro de Deus, envolvidos no seu amor! Jesus nos garante isto!...”

Pela oração de Jesus, nós renovamos o nosso ânimo, nossa esperança e, principalmente, nos empenhamos em não romper a unidade que nos torna irmãos e irmãs muito amados. E a experiência nos ensinou que a divisão entre nós obscurece a vontade de Deus.

As comunidades de Paulo já haviam refletido isso antes de nós. Eu proponho que vocês leiam o que está escrito na carta aos Gálatas, capítulo 5, versículos 13 a 26. Aí vocês vão perceber ainda melhor o objetivo da oração de Jesus em favor da unidade.

É claro que Jesus não quer colocar todo mundo numa vida de uniformidade, negando assim o jeito original de cada ser humano. O segredo está em cada homem e cada mulher, com o seu jeito próprio, viver o amor na comunidade.

Deus nos fez diferentes. É na diferença que reside a beleza e a grandiosidade de Deus e de cada pessoa que Ele criou. A unidade pedida por Jesus se dá na partilha dos bens e das qualidades, no diálogo, no serviço mútuo, na benevolência, na misericórdia, na acolhida, na paciência, na alegria, na paz...

Viver a unidade como a Trindade

Nosso modelo é a Trindade, a melhor Comunidade. Sabemos que podemos viver a Unidade e o Amor como a Trindade porque Deus nos fez à sua imagem e semelhança. Jesus sabe que temos esta capacidade de viver como a Trindade. Por isso, rezou: “Pai,... que eles sejam um, assim como nós somos um...”

E Ele pensou em todas as pessoas, inclusive em vocês que neste momento estão lendo o Missão Jovem: “Eu não te peço só por estes, mas também por aqueles que vão acreditar em mim por causa da palavra deles, para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. E para que também eles estejam em nós...”

Vamos ler o capítulo 17 de São João. E façamos desta oração um compromisso de vida na participação nos serviços e ministérios, nos movimentos e organizações... Queremos ser comunidades de amor, a serviço de uma sociedade justa, fraterna e solidária, sinal do reino definitivo.

Pe. Celso Loraschi

PARA CONVERSAR:

1.º Que tipo de “bens” Jesus nos deixou em seu testamento (João 17)?

2.º Existem “divisões” em nossas comunidades? Como viver a unidade na realidade em que vivemos hoje?

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