Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Bíblia - Evangelho de Lucas

Um Caminho Maravilhoso se Abre no meio de Conflitos
O MISSIONÁRIO LUCAS CONVERSANDO A RESPEITO DO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS (6.ª parte)

Irmãos e irmãs de caminhada!

A Bíblia foi escrita para ajudar a todas as pessoas terem uma vida muito feliz. Quando nos reunimos com a intenção de partilhar a nossa vida, fundamentados na Palavra de Deus, o Espírito Santo certamente está junto. Esta foi a experiência das primeiras comunidades cristãs. Esta pode ser a experiência de crianças, jovens e adultos sempre que se reúnem e se organizam manifestando o amor uns para com os outros.

No encontro anterior iniciamos a segunda parte do livro de Atos dos Apóstolos. Vamos hoje continuar este estudo aprofundando os capítulos 9,1 a 11, 30.

CONQUISTADO POR JESUS CRISTO

O meu conhecimento de Jesus Cristo se deve muito à vida e às pregações de Paulo. Seu testemunho de fé e coragem atraíram minha atenção e me fizeram amar e seguir, de todo o coração, a Jesus de Nazaré. Paulo se chamava Saulo. Ele vai mudar de nome quando começa a viajar pelo mundo afora (cf. 13,9). A mudança de nome significa mudar de vida e assumir uma nova missão.

Saulo é judeu. Pertencia ao grupo dos fariseus. Levava muito a sério o cumprimento das leis. Não aceitava, de modo algum, que houvesse pessoas que seguissem a Jesus e acreditassem que ele fosse Filho de Deus. Por isso, foi perseguidor dos cristãos. Aprovou a morte de Estêvão e viajava por todos os lugares, com um grupo de soldados, para colocar na prisão os discípulos e discípulas de Jesus.

Saulo, fazendo isto, tinha a convicção de estar realizando uma obra de Deus. Porém, Deus o surpreendeu no caminho de Damasco. Sim, Jesus entra de repente na vida de Saulo e provoca uma total transformação. Quando ele escreve à comunidade de Filipenses, ele diz: “eu fui conquistado por Jesus Cristo”. Ele “cai por terra” e ouve aquela voz: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Jesus ressuscitado se identifica com as comunidades perseguidas.

UMA NOVA VISÃO

Saulo está sem forças. A mudança radical de vida, num primeiro momento, deixa a pessoa cega e desnorteada. Sua presunção é derrotada. Vai ter que admitir sua cegueira e incapacidade. Ele precisa de ajuda.

Quando é que Saulo vai enxergar de novo? Quando entra em contato com a comunidade, representada por Ananias. Ele é acolhido como irmão. Só numa relação de fraternidade é possível recuperar a dignidade humana. Só a participação numa comunidade cura nossas cegueiras e nos dá uma visão nova. Foi o que aconteceu também comigo e, talvez, seja a experiência de muitos de vocês.

A passagem da cegueira para a visão durou três dias. Isso lembra a passagem de Jesus da morte para a ressurreição. Em contato com a comunidade, Saulo ressuscita com Jesus. E começa a pregar com ousadia nas sinagogas de Damasco que “Jesus é o Filho de Deus”. Foi justamente esta acusação que levou Jesus à morte (Lc 22,70-71).

Saulo começa a sentir as conseqüências de sua conversão. De perseguidor transforma-se em perseguido. Como aconteceu com o mestre Jesus, vai acontecer também com o discípulo Saulo. Os judeus querem matá-lo. Ajudado por seus amigos, de noite, foge pelas muralhas da cidade.

TESTEMUNHO DE CORAGEM

Em Jerusalém espalha-se a notícia da conversão de Saulo. Pouca gente acredita. Barnabé, aquele que vendera o terreno para partilhar tudo com a comunidade, acompanhou Saulo e apresentou-o aos apóstolos tomando a sua defesa: “ele havia pregado corajosamente em nome de Jesus na cidade de Damasco”.

Este é o carimbo de autenticidade cristã: o testemunho corajoso de Jesus enfrentando todos os tipos de dificuldades. Aceito pela comunidade de Jerusalém, Saulo pode se movimentar livremente continuando sua missão de evangelizador. Vai até Cesaréia e depois a Tarso, sua terra natal.

REALIZANDO A MESMA PRÁTICA DE JESUS

Enquanto isso, Pedro visita e anima as comunidades espalhadas pela Judéia. Vai a uma cidade chamada Lida, longe 40 km, de Jerusalém. Realiza, em nome de Jesus, o milagre da cura de um paralítico chamado Enéias. É chamado para Jope, uma cidade próxima a Lida e realiza o milagre da ressurreição de Tabita. Ela era uma pessoa muito querida pelo bem que fazia na comunidade.

Nós registramos estes milagres para mostrar que a comunidade cristã, aqui personificada por Pedro, tem a missão de continuar a mesma atividade libertadora de Jesus. A palavra-chave é a ordem de “levantar-se”. E tudo acontece conforme a fé da comunidade que se une e se organiza.

Como Jesus, como Pedro e as comunidades primitivas, devemos ir ao encontro de quem passa por alguma necessidade, manifestar-lhe muito carinho, através do toque, do abraço, do diálogo, do perdão e da partilha. E os milagres acontecem sempre!

DEUS NÃO FAZ DIFERENÇA ENTRE AS PESSOAS

Em Cesaréia acontece um outro sinal maravilhoso. Vejam no capítulo 10. Nós consideramos importantíssimo o que aconteceu ali. É a abertura para o mundo dos pagãos. Cornélio é um centurião romano: chefe de cem soldados. A conversão dele representa o resultado da missão dos discípulos de Jesus. É preciso anunciar o Evangelho de Jesus a todas as pessoas espalhadas pelo mundo. Para isto é preciso vencer os preconceitos provenientes do sistema de pureza do judaísmo.

Esta é a grande dificuldade que Pedro está enfrentando no seu coração: será verdade que a salvação de Deus é dada a todos os povos? Esta e outras dúvidas borbulhavam no íntimo de Pedro. Eram as dúvidas de muitos judeus que abraçavam a fé cristã.

Deus, pacientemente, nos faz compreender e aceitar o seu Plano de Amor. É preciso estar atentos aos seus sinais em nossa história e em nossa vida. Ele empurra os pagãos (Cornélio) e os judeus (Pedro) a se aproximarem mutuamente para se acolherem, se conhecerem e iniciarem um novo caminho juntos. Pedro precisa vencer o legalismo que mata. Deve superar o sistema do puro e do impuro no qual fora criado. Não deve mais “chamar de impuro o que Deus purificou”.

A toalha que desce do céu representa que esta nova concepção das coisas é dom de Deus. E só pode ser Deus quem muda a cabeça de Pedro a ponto de ele se convencer e declarar: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz diferença entre as pessoas...” (10,34).

Na casa do pagão Cornélio acontece uma bonita catequese de aprendizado mútuo, de escuta da Palavra e diálogo fraterno. Aquele ambiente se tornou um espaço divino. E acontece, aí também, o mesmo Pentecostes que aconteceu em Jerusalém: “o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a Palavra...” E receberam o batismo como sinal de confirmação da nova proposta.

JESUS USA RESPEITO E DIÁLOGO
COM TODAS AS CULTURAS

A conversão de Cornélio e a descida do Espírito Santo, com o batismo, no meio dos pagãos provoca controvérsias entre o pessoal de Jerusalém. Aqueles mais apegados ao judaísmo têm muita dificuldade de se abrir ao novo caminho. Alguns até aceitam, mas exigem dos estrangeiros passarem pelo judaísmo antes de se tornarem cristãos, isto é, devem se circuncidar e observar as suas leis. A fé, para esta gente, deveria depender de uma só cultura: a judaica. Desse jeito, continuaria o preconceito: as outras culturas não prestam.

Mas nem todos pensam assim. Há os que admitem a adesão à fé cristã sem passar pela cultura judaica. Isto tem uma conseqüência prática muito importante: se a fé não depende de uma cultura, então devemos respeitar e dialogar com as culturas de todos os povos. O Evangelho ilumina a todas, mas não pode impor os costumes de uma só tradição cultural e religiosa. Esta é a proposta de nosso livro de Atos dos Apóstolos.

Como vocês podem perceber, desde a sua origem, a Igreja teve de se questionar, rever e mudar suas posições fixas. Estas posições, na prática, podem significar injustiça e exclusão. Deus é soberanamente livre, e Ele age somente no amor e, por isso, sempre com total liberdade.

Precisamos permanecer vigilantes e acolher as iniciativas de Deus no meio de nós, pois, quando Deus demonstra sua vontade na história humana, nenhuma pessoa e nenhuma instituição deve resistir. Pelo contrário, devemos nos aplicar para que sua vontade se concretize para o bem de todos os homens e mulheres.

Foi em Antioquia da Síria que se organizou uma Igreja bem ecumênica e acolhedora. Aí vieram se estabelecer muitos dos que tiveram que fugir de Jerusalém por causa da perseguição que levou Estêvão à morte. Aí havia profetas como Ágabo. Havia missionários, como Paulo e Barnabé, que vão logo realizar a sua primeira viagem. Mas isso vai ser assunto para o nosso próximo encontro.

Pe. Celso Loraschi

PARA CONVERSAR

1.º Vamos contar como aconteceu a conversão de Paulo. Como acontece a conversão em cada um de nós?

2.º Pedro, ao curar as pessoas, mostra o poder de Jesus no meio das comunidades? Como isso acontece hoje?

3.º Em nossos grupos e comunidades existem preconceitos e discriminações? Como acontecem e como superá-las?

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