Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Bíblia - Evangelho de Lucas

AOS AMIGOS E AMIGAS DE DEUS
O missionário Lucas conversando a respeito do livro dos Atos dos Apóstolos (2a parte)

Neste nosso segundo encontro vamos entrar no livro de Atos dos Apóstolos. Não esqueça de ter a Bíblia ao seu lado e ler as passagens indicadas neste texto. Aliás, uma boa coisa seria ler, pelo menos uma vez, o livro de Atos dos Apóstolos do começo ao fim.

Sugiro, também, que vocês adquiram o livrinho intitulado “Que Novidade é Esta?”, publicado pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e distribuído pela maioria das livrarias católicas. Ele foi escrito especialmente para nos ajudar a entender melhor Atos dos Apóstolos dentro do Projeto “Ser Igreja no Novo Milênio” (SINM). Estes nossos encontros vão seguir o esquema sugerido neste livrinho.

Já vimos que Atos dos Apóstolos é a continuação do Evangelho de Lucas. Enquanto o evangelho de Lucas apresenta a vida de Jesus, Atos dos Apóstolos apresenta o Caminho do Testemunho sobre Jesus Cristo: ele começa em Jerusalém e se espalha pelo mundo afora. Pode ser dividido em três grandes partes:
Introdução: ascensão de Jesus Cristo e Reconstituição do Grupo dos Doze Apóstolos (At 1, 1-26).

1.ª Parte: O Caminho do Testemunho começa em Jerusalém (2, 1 a 5, 42).

1) Pentecostes e início da missão (2, 1-41).
2) Milagres, palavras, perseguições (3, 1-4, 31).
3) A vida em comunidade (2, 42-47; 4, 32 a 5, 42).

2.ª Parte: O Caminho do Testemunho sai de Jerusalém e toma o rumo dos pagãos (At 6, 1 a 15, 35).

1) A caminho da Samaria, Judéia e Síria: a instituição e missão dos Sete Diáconos (6, 1-8, 40).
2) a conversão de Saulo (9, 1-31).
3) Pedro, missionário entre os pagãos (9, 32 a 11, 18).
4) a fundação da Igreja em Antioquia da Síria (11, 19-30).
5) A perseguição de Herodes (12, 1-25).
6) a primeira viagem missionária (13, 1 a 14, 28).
7) superando os conflitos: O Concílio de Jerusalém (15, 1-35).

3a Parte: O Caminho do Testemunho segue até os confins do mundo (At 15, 36 a 28, 31).

1) A segunda viagem missionária (15, 36 a 18, 22).
2) a terceira viagem missionária (18, 23 a 21, 14).
3) Prisão de Paulo em Jerusalém (21, 15 a 23, 35).
4) Prisão de Paulo em Cesaréia (24, 1-26).
5) a viagem a Roma (27, 1 a 28, 16).
6) a pregação de Paulo em Roma (28, 17-31).

Junto com as Primeiras Comunidades Cristãs, convido vocês a trilharem o mesmo Caminho de Testemunho a respeito de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, razão de todo o nosso viver. A palavra “Caminho” é muito citada em nosso livro. Confira, por exemplo: At 9, 2; 18, 25-26; 19, 9.23; 22, 4; 24, 14.26. Este Caminho pode ser chamado também de “O Caminho da Palavra”: É a fé vivida e proclamada conforme os primeiros seguidores e seguidoras de Jesus.

Nós procuramos assimilar, ao longo do livro, como a “Palavra” vai crescendo e se difundindo sempre mais. Veja estes textos: At 6, 7; 12, 24; 13, 48-49; 19,20. Portanto, Palavra e Caminho são dois termos que têm um sentido muito especial. Poderíamos dizer que a “Palavra” é o próprio anúncio do Evangelho e o “Caminho” é a vivência deste Evangelho. Por isto, junto com o crescimento da Palavra vai também crescendo a “Igreja”: At 2, 41-47; 4, 4; 5, 14; 6, 1; 9, 31; 11, 21; 16, 5. São como refrões, sempre repetidos, para mostrar que o Evangelho se espalha de forma rápida e muito eficiente, sob a guia e a força do Espírito Santo.

O início do livro mostra para quem ele é destinado: a Teófilo. Já sabemos que este é um nome grego que significa “amigo de Deus”. Pode, portanto, referir-se a todas as pessoas amigas de Deus que teriam a oportunidade de conhecer esta obra. Também pode referir-se a uma pessoa que estava patrocinando a obra, já que, naquele tempo, não era fácil adquirir os recursos necessários para escrever e difundir.

O que importa é que o livro de Atos dos Apóstolos foi escrito para que cada um de nós persevere no caminho de Jesus. É por isso que eu faço questão de lembrar que já havia escrito um primeiro livro contando “todas as coisas que Jesus fez e ensinou desde o início...”. Relembro ainda que Jesus apareceu ressuscitado, com muitas provas irrefutáveis. Ele falou a respeito do Reino de Deus, comeu com seus discípulos e pediu que não se afastassem de Jerusalém, até receberem o Espírito Santo.

Em Atos dos Apóstolos faço questão de ressaltar a cidade de Jerusalém como o lugar de início da missão dos discípulos e discípulas de Jesus. Jerusalém é a cidade santa para os judeus e o Templo é o lugar central de toda a sua história e de sua vida.
É a partir deste espaço que agora vai se difundir a grande novidade de Jesus Cristo pelo mundo afora. Jesus não veio romper com a Tradição judaica. Ele veio romper com todas as barreiras que impedem a salvação de Deus chegar a todos os povos.

A partir da Primeira Aliança ou Primeiro Testamento, Deus agora estabelece, com Jesus Cristo, a Segunda Aliança, levando a termo a sua História da Salvação. É como uma árvore que, ligada firmemente em suas raízes, vai se tornar grande e frondosa, com muitos galhos produzindo muitos frutos.

Já relatei a Ascensão de Jesus no final do Evangelho de Lucas. Lá escrevi que Jesus subiu ao céu no mesmo domingo em que ele ressuscitou. Em Atos digo que ele, após sua morte, ficou aparecendo e ensinando durante quarenta dias. Este número representa o tempo necessário para uma determinada missão. Portanto, ao dizer que subiu no mesmo dia ou quarenta dias depois, tem o mesmo sentido: Jesus ficou o tempo suficiente para relevar-se como ressuscitado e completar a sua instrução aos seus discípulos e discípulas.

Os que estavam ao redor de Jesus perguntam se é agora que ele vai estabelecer o Reino. Muitas pessoas na época em que estamos escrevendo este livro – pelo ano 90 - esperavam passivamente que Jesus voltasse e estabelecesse, com sua força mágica, o Reino de Deus no mundo. Para superar esta visão e vencer todo tipo de comodismo, Jesus prometeu o Espírito Santo. A atitude correta não é ficar olhando para o céu à espera de uma solução divina. É necessária a vigilância ativa, contando com a Força do Espírito de Deus. É preciso “arregaçar as mangas” e trabalhar por um mundo de justiça e fraternidade.

Este é o sentido da mensagem dos “dois homens vestidos de branco” que se dirigem aos que ficam “olhando para o céu”, esperando Jesus voltar. Aprofundando ainda mais: se a comunidade ficar “olhando para o céu”, sem se interessar pela transformação deste mundo, Jesus não vai voltar. Ele volta através do testemunho de trabalho e amor das pessoas que procuram colocar em prática a sua proposta. É preciso, portanto, olhar para o chão de nossa história, enfrentar a realidade dura em que vivemos e apostar numa vida diferente onde todos possam viver como irmãos e irmãs.

Os onze apóstolos e as mulheres (entre elas estava a Mãe de Jesus), representam a todos nós, cristãos e cristãs. Representam o “Novo Povo de Deus”. É por isso que uma das primeiras preocupações é escolher a pessoa que vai completar o número dos “Doze”, já que Judas havia traído a Jesus. Sabemos que o número “Doze” lembra o antigo Povo de Deus constituído pelas Doze Tribos de Israel. Com a escolha de Matias fica restabelecido o ideal da vida comunitária, segundo o que nos legaram os nossos Pais e Mães na fé. Este ideal, agora, se baseia no testemunho da Ressurreição de Jesus que o Espírito Santo vem confirmar e animar.
É o que veremos em nosso próximo encontro.

Pe. Celso Loraschi

Para Conversar:

1) Vamos ler, em grupo, o capítulo 1 de Atos dos Apóstolos.

2) Por que Lucas faz questão de mostrar a missão dos discípulos e discípulas a partir de Jerusalém?

3) Ler, em Atos dos apóstolos, as passagens onde aparecem estes termos e conversar sobre o que eles significam: “Caminho”, “Palavra” e “Igreja”.

4) O que mais nos chamou a atenção no encontro de hoje?

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