Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Bíblia - Evangelho de Lucas

ATÉ OS CONFINS DO MUNDO
O Missionário Lucas conversando sobre a QUARTA VIAGEM MISSIONÁRIA DE PAULO
narrado no livro dos Atos dos Apóstolos (10.ª parte)

Irmãos e irmãs de caminhada!

Nossos encontros nos levam a conhecer a vida das primeiras comunidades cristãs como Atos dos Apóstolos nos relata. Acompanhamos, com admiração, o testemunho dos discípulos e discípulas de Jesus que se espalham pelo mundo anunciando a Palavra que liberta. São pessoas que se deixam conduzir pelo Espírito Santo e abrem caminhos novos que conduzem para uma Vida de paz e dignidade.

Acompanhamos Paulo e sua equipe em suas três viagens missionárias. Quanta coragem e força! Quanta perseverança no meio dos inúmeros conflitos enfrentados por amor à causa do Evangelho de Jesus. Quanta confiança em Deus! Quanta doação aos irmãos!... Vamos continuar acompanhando esta gente em seu esforço de levar a Palavra até os confins do mundo. É a quarta e última viagem de Paulo. O que será que lhe está reservado nesta viagem? Pois então, vamos ler Atos 2l,17 - 28,31.

Assim, chegamos ao fim do livro.

É PRECISO CUIDAR DAS OVELHAS

Em nosso último encontro, fizemos alusão à despedida de Paulo diante dos animadores, anciãos ou presbíteros da comunidade de Éfeso. Paulo exorta-os a terem cuidado de si mesmos e que possam ser bons pastores para a comunidade. É preciso cuidar das ovelhas, conforme o exemplo de Jesus, o bom pastor.

Há perigos externos, onde há falsos profetas que, como lobos, tentam dispersar o rebanho.

Há perigos internos, onde membros da própria comunidade buscam interesses pessoais e tentam desviar outras pessoas do caminho do amor, da justiça e da paz. Ser animador de comunidade é vigiar para que nenhuma pessoa fique excluída das condições que garantem uma vida boa, com pão, casa, saúde, amizade, perdão, liberdade...

Paulo e sua equipe de missionários fizeram tudo o que foi possível para garantir estas condições. Agora, Paulo sente que deve voltar para Jerusalém, onde irá sofrer muito. Quem segue a Jesus vai ter que enfrentar o sistema que gera a morte de multidões de pessoas.

Paulo sabe que vai sofrer muito, mas ele tem que ir em frente. Ele se sente "prisioneiro do Espírito Santo" e não pode se acomodar pensando só em si mesmo.

NÃO SE INTIMIDAR DIANTE DAS AMEAÇAS

Paulo é acolhido pelos irmãos e irmãs que moram em Jerusalém. Na casa de Tiago ele relata todas as maravilhas que Deus havia realizado durante suas viagens missionárias. Pessoas de todas as raças e culturas foram abraçando a mensagem de Jesus e acolhendo o caminho da liberdade e da salvação.

Alguns judeus, porém, acham que a ação de Paulo está enfraquecendo o judaísmo, pois ensina que não é mais necessário seguir a Lei de Moisés e nem é necessário se circuncidar para pertencer ao Povo de Deus. Não demorou muito para que se desencadeasse uma forte perseguição a Paulo.

Outros judeus, vindos da Ásia, ao perceberem Paulo no Templo em Jerusalém, o agarram e gritam a todos: "Este é o homem que anda por toda a parte combatendo contra o nosso povo, contra a Lei e contra este lugar"
(o Templo).

Esta acusação é bem parecida àquela que foi feita a Jesus e, por isso, o condenaram à morte.
Diante do povo que fazia silêncio, Paulo se defende. Faz um discurso com o objetivo de explicar aos judeus a sua missão entre os gentios. É o que registramos no capítulo 22. Tenta ressaltar os valores do judaísmo que ele conhece muito bem, pois foi formado dentro da linha dos fariseus. Foi dentro do judaísmo, no próprio Templo, que Paulo recebe diretamente de Jesus, a missão de dar testemunho pelo mundo afora: "Vai para longe, é para as nações pagãs que eu vou te enviar".

PERSISTIR NO CAMINHO DE JESUS

Diante destas palavras, aquele grupo de judeus, pedem a morte de Paulo. O tumulto foi grande. Os soldados romanos tem que intervir. Paulo é recolhido e amarrado na fortaleza Antônia. Para poder sair dessa, ele faz uso de um direito que possui: a cidadania romana. Um cidadão romano não pode ser preso nem torturado sem antes ser julgado, conforme a lei romana. Esta cidadania de Paulo, provavelmente, ele a adquiriu por ser filho ou neto de um escravo romano liberto.

Nós, cristãos e cristãs daquela época tínhamos a convicção de que o caminho de Jesus não podia ser condenado pelo judaísmo. É o que tenta fazer Paulo diante do Sinédrio, conforme vemos no capítulo 23. Paulo passa de acusado para acusador. Mesmo esbofeteado, continua pregando e denunciando com coragem. Afinal ele age "em perfeita consciência diante de Deus", anunciando a ressurreição dos mortos.

Ao falar em ressurreição, reagem os saduceus. Eles não acreditam na ressurreição. São apegados aos bens deste mundo e exploram os pobres. Para gente deste tipo é conveniente que não haja vida eterna para não terem de prestar contas diante de Deus.

Já o grupo dos fariseus acredita na ressurreição. Assim, acontece a divisão entre eles. Com isso, estamos mostrando a própria fraqueza interna do poder judaico. Cada facção quer defender seus interesses próprios.

Nós escrevemos a respeito da vida de Paulo para mostrar o retrato das primeiras comunidades. No caminho do seguimento de Jesus elas tem que enfrentar a oposição dos fanáticos do judaísmo. É este grupo que quer matar Paulo, como fizeram com Jesus. É este grupo que coloca empecilhos para que a Palavra não se difunda pelo mundo. Isto acontece não só em Jerusalém, mas em todas as cidades do Império.

É por isso que, nestes últimos capítulos, fazemos questão de mostrar que os verdadeiros opositores dos cristãos não é o pessoal ligado ao Império Romano e sim o fanatismo judaico.

É PRECISO REAGIR SEM VIOLÊNCIA

Os romanos protegem Paulo na prisão. O seu sobrinho faz de tudo para manter seu tio bem alerta a respeito de tudo o que está acontecendo. Assim, ele é tirado de Jerusalém e é levado para Cesaréia. Nosso objetivo é mostrar o caminho de Paulo indo até Roma, o centro do Império.

Em Cesaréia, Paulo é julgado diante do governador Félix. Contamos isto no capítulo 24. Os seus acusadores são o sumo sacerdote Ananias, o advogado Tertulo e alguns judeus. Eles dizem que Paulo está perturbando a ordem social. A mesma acusação que fizeram a Jesus. Dizem que ele profanou o Templo de Jerusalém, porque introduziu nele gente estrangeira. Esta acusação de profanação do Templo também foi feita contra Jesus. Não é por nada que acusam Paulo de ser "nazireu", isto é seguidor de Jesus de Nazaré.

Paulo se defende de todas as acusações. Ele não tem advogado. Seu advogado é o próprio Espírito Santo. Ele representa todas as comunidades cristãs acusadas injustamente.

O governador romano entendeu bem que Paulo não é nenhum terrorista. Os cristãos jamais usam da violência e da vingança para impor seu novo modo de viver. Eles pregam e exigem o amor e a justiça, mas nada impõem à força.

COMO OVELHA NO MEIO DE LOBOS

Félix é substituído por Pórcio Festo. Diante da insistência do pessoal do Sinédrio, este novo governador manda transferir Paulo a Jerusalém. Leiam o capítulo 25. Paulo sabe que a elite judaica está lhe preparando uma cilada. Querem pegá-lo desprevenido e matá-lo. Diante disto, Paulo apela para o Imperador. Quer ser julgado em Roma. Este Imperador era César Nero. Vocês sabem o quanto foi terrível este Imperador contra os cristãos. Assim mesmo, Paulo confia mais em Nero do que no poder judaico. Assim, como aconteceu com Jesus, Paulo é jogado de uma mão para outra. Até o rei Agripa (um dos reis judeus, responsável por uma região da Palestina) e sua mulher Berenice, ao visitarem o governador, se interessam pelo caso de Paulo.

Estamos no capítulo 26. Novamente Paulo discursa em sua própria defesa. Conta novamente como aconteceu sua conversão a caminho de Damasco. Sua postura revela que, realmente, é inocente. Até o rei e o governador têm que admitir: "Este homem não fez nada que mereça a morte ou a prisão... Ele poderia ser solto se não tivesse apelado ao imperador".

FINALMENTE "NOS CONFINS DO MUNDO"

Assim, Paulo é enviado para Roma. A viagem é marcada por muitos percalços. Deus, porém, liberta e salva. Leiam os capítulos 27 e 28. Em Roma é recebido pela comunidade de irmãos e irmãs. Paulo vai morar numa casa alugada, e apesar de ser vigiado por um soldado, vive às custas do próprio trabalho e prega, com toda coragem, a respeito do Senhor Jesus Cristo.

A nossa intenção é mostrar como a Palavra chega aos "confins do mundo". A missão está cumprida. Escrevemos isso, para que vocês também tenham ousadia e bom ânimo para viver e difundir o Evangelho: o caminho de vida e salvação para todos os povos.

Pe. Celso Loraschi

PARA CONVERSAR:

VAMOS RESSALTAR ALGUNS PONTOS QUE NOS CHAMARAM A ATENÇÃO NESTA ÚLTIMA VIAGEM MISSIONÁRIA DE PAULO E LIGAR COM A NOSSA VIDA DE CATEQUISTAS E ANIMADORES DE COMUNIDADES ...

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