Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Bíblia - Evangelho de Lucas

FELIPE E SUAS QUATRO FILHAS ASSUMEM A MISSÃO
Conhecendo pessoas portadoras da Boa Notícias em Atos dos Apóstolos (6.ª parte)

Irmãos e irmãs de caminhada!

O sonho que carregamos no coração é o mesmo sonho de todas as pessoas que optaram pelo caminho do amor, da justiça e da paz que Jesus nos mostrou. É um sonho possível de ser realizado em todos os lugares e por todas as pessoas de boa vontade. É um sonho pelo qual Jesus deu sua vida e arrastou atrás de si uma multidão de homens e mulheres.

Também nós estamos neste caminho, atraídos pelo ideal da fraternidade, superando todas as barreiras e recomeçando a cada dia com novo ânimo e muitíssima esperança. Assim como fizeram Filipe e suas quatro filhas. Queremos conhecê-los melhor para seguir seus exemplos e continuar a missão que Deus, na sua bondade, nos confiou.

NO FOGO DO AMOR

No encontro anterior nós vimos que Filipe foi uma das sete pessoas escolhidas para garantir sustento e vida digna junto com as mulheres viúvas dos helenistas que estavam passando necessidades. Filipe, assim como Estêvão, não ficou apenas nesta função. Ele gostava muito de pregar e anunciar a Boa Notícia de Jesus. Foi um dos grandes catequistas nas primeiras comunidades cristãs.

Quando Estêvão foi apedrejado, Filipe e muitas outras pessoas tiveram de fugir de Jerusalém e foram dispersas pelo mundo afora, como diz o livro de Atos 8,4. Mas Filipe era uma pessoa que não desanimava com a perseguição e nem ficava trancado só pensando na sua própria vida. Dentro do seu coração queimava o fogo do amor por Jesus e por seu projeto: isto não podia ficar só com ele. Ele sentia o que diz a música cantada em nossas comunidades de hoje: “Tenho que pregar, tenho que anunciar, ai de mim se não o faço!”.

FAZENDO O BEM, COMO JESUS

Assim, vemos Filipe numa das cidades de Samaria, proclamando aos samaritanos a Boa Nova de Jesus Cristo. Normalmente, judeus e samaritanos não se davam bem. No entanto, a proposta de Jesus visava acabar com as fronteiras que separam os povos e reconciliar os inimigos. Filipe não era apegado às tradições fechadas do judaísmo, ele tinha um espírito aberto e queria dialogar com todos. Assim, ele visitava, conversava, abençoava e curava as pessoas em nome de Jesus.

Filipe, mesmo sem ter conhecido pessoalmente a Jesus, ele acolheu o evangelho através do testemunho de outras pessoas que tiveram a felicidade de terem sua companhia, como Maria Madalena, Pedro, João, Tiago... Filipe acreditou e aprendeu que a prática de Jesus era de muita simplicidade, de muito amor, acolhida, misericórdia e justiça. Ele procurou fazer tudo como Jesus. E se deu muito bem, pois muita gente se sentiu atraída pelas palavras e pelo testemunho de Filipe.

Em At 8,7-8 a gente lê: “De muitos possessos os espíritos impuros saíam, dando grandes gritos, e muitos paralíticos e coxos foram curados. E foi grande a alegria naquela cidade”.

A alegria, de fato, toma conta da pessoa quando ela se sente libertada de todas as amarras que a impedem de viver feliz. O demônio é aquele que oprime e aliena as pessoas e a paralisia é tudo o que as impede de caminhar livremente. Esta é a missão do catequista: ajudar as pessoas a encontrarem o caminho da liberdade e da realização mais profunda que vem de Deus.

SEM ENGANAÇÃO

Mas tem gente que quer fazer sucesso e se tornar importante, enganando os outros. É o que fazia um tal de Simão que usava de “artes mágicas” para ser elogiado na sociedade. “Artes mágicas” podem ser entendidas como artifícios enganadores através de palavras, discursos, aparentes boas obras... e, assim, muitas pessoas ficam admiradas e se deixam levar, sem perceber, pelas más intenções destes “mágicos”. Eles exploram a boa vontade do povo que ainda não tem consciência crítica.

Ouvindo Filipe falar de Jesus Cristo, muitas dessas pessoas, mudaram de idéia e começaram a abrir os olhos. Vários homens e mulheres pediram o batismo, isto é, entraram no caminho do evangelho, onde se defende e se vive o princípio do “amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Simão também, foi batizado e ficava admirado com tantas coisas bonitas – sinais e prodígios – que eram feitas por Filipe. Na verdade, ele percebia em Filipe um concor-rente que fazia sombra à sua fama. O que Filipe fazia, no entanto, não era magia. Filipe pregava o Evangelho com convicção e gratuidade.

O sucesso era, realmente, muito grande, a tal ponto que Pedro e João vieram de Jerusalém para dar apoio ao trabalho de Filipe e impunham as mãos sobre as pessoas. Este gesto é sinal de bênção e invocação do Espírito Santo sobre cada um. E quem possui fé autêntica, recebe o dom de Deus.

Simão ficava olhando para Pedro e João e achou que eles tinham um poder muito grande. Ele também queria aquele poder. E, olha só, chegou a oferecer dinheiro para os Apóstolos... Ele estava tão acostumado a enganar o povo que achava que seria possível enganar também a Deus, como se Deus se deixasse levar pelos interesses de quem tem dinheiro. Foi aí que Pedro respondeu com firmeza: “Pereça o teu dinheiro, e tu com ele, porque julgaste poder comprar com dinheiro o dom de Deus... o teu coração não é reto... arrepende-te, pois, desta maldade”.

Simão pediu que rezassem por ele, mas não sabemos se ele realmente se converteu. Isto está contado em At 8,9-24. Este episódio nos ensina que os dons que Deus nos dá devem ser partilhados na comunidade, tendo em vista o bem de todos e não devem ser usados com o interesse pessoal de se projetar e angariar fama e poder.

A BOA NOTÍCIA SE ESPALHA

Filipe continua sua missão. Apesar de ser um homem casado e possuir quatro filhas, ele não se acomoda. Dentro dele ouve a voz do anjo e vai na direção de uma estrada onde está passando uma carruagem com um etíope que veio rezar em Jerusalém.

Ele é superintendente da rainha da Etiópia, portanto, é da raça negra, provavelmente escravo, apesar do cargo importante que exerce. É um “eunuco”, isto é, castrado. Conforme o costume daquele tempo, castrar um homem tem o objetivo de impedi-lo de ter filhos para ficar integralmente a serviço no palácio. Ele está lendo um texto do profeta Isaías e não consegue entender o sentido.

Filipe se aproxima e começa um bonito diálogo sobre o texto da Bíblia que termina com o batismo do etíope. Assim, a evangelização chegou até a África. Cumpre-se o que se lê em At 1,8: “... e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e a Samaria, e até os confins da terra”.

Vemos neste episódio, como era feita a iniciação cristã. Andar junto na mesma carruagem tem o significado de acompanhar a vida da pessoa, enquanto vai sendo instruída, para entrar no caminho de Jesus.

Os sacramentos, como o do Batismo, são sinais externos da disposição firme de quem quer seguir a Jesus Cristo. Percebe-se também a importância da Bíblia para aprofundar a fé.

A vida daquele etíope foi iluminada pela Palavra de Deus que se encontra na Bíblia.

Também hoje insiste-se muito numa catequese dinâmica e permanente, onde não apenas se ensina os princípios cristãos, mas juntos: pais, crianças, catequistas e comunidade caminham de mãos dadas, refletindo e partilhando as duas Palavras de Deus: a Vida e a Bíblia.

AS QUATRO FILHAS DE FELIPE

Filipe, como bom pai de família e bom catequista, nos deixa seu belo testemunho de seguidor de Jesus e divulgador entusiasta de sua mensagem. Depois do batismo do etíope, o livro de Atos dos Apóstolos diz que Filipe “passando adiante, anunciava a Boa Nova em todas as cidades que atravessava, até que chegou a Cesaréia” (8,40).

Foi em Cesaréia que ele passou a morar com suas quatro filhas. Não sabemos nada de sua esposa. Será que ele era viúvo? Sabemos de suas filhas porque em At 21, 8-9, encontra-se o relato a respeito de Paulo que, depois de viajar pelo mundo afora, resolveu voltar para Jerusalém.

Lucas, que escreveu o livro de Atos, provavelmente está com Paulo e os dois passaram em Cesaréia e se hospedaram na casa de Filipe. “Ele tinha quatro filhas solteiras que profetizavam”. A missão de profetiza é ser anunciadora da Boa Notícia de Jesus. Elas seguiam o exemplo do pai.

Pe. Celso Loraschi
Prof. de Bíblia do ITESC

PARA CONVERSAR:

1.º Ler At 8,4-40 e 21,7-9.

2.º O que mais nos chama a atenção nestes textos?

3.º A partir do exemplo de Filipe, que aspectos podemos ressaltar na nossa missão de catequistas e animadores de comunidades?

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