Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
Bíblia - Evangelho de Lucas
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Irmãos e irmãs muito amados! Durante este ano temos a alegria de conhecer pessoas que foram seguidoras de Jesus, conforme testemunha o livro de Atos dos Apóstolos. Cada uma delas tem suas características próprias. O que elas têm em comum é a fé em Jesus Cristo morto e ressuscitado e o amor de quem dá a vida pela causa do Evangelho. Hoje vamos conhecer duas delas: Pedro e João. Eles formam uma dupla admirável que realiza prodígios e sinais, isto é, as mesmas ações de Jesus em favor da vida de gente necessitada.
O Cap. 3 de Atos dos Apóstolos apresenta Pedro e João dirigindo-se ao templo para a oração das três horas da tarde. É a mesma hora em que Jesus foi morto. A morte de Jesus é o maior sinal de amor. Rezar, meditar e recordar este sinal de amor de Jesus significa manifestar o profundo desejo de segui-lo na prática do dia-a-dia. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vocês são meus amigos se praticarem o que eu lhes mando (Jo 15,13-14). Quem está intimamente ligado a Jesus está, também, intimamente ligado às pessoas em situação de sofrimento. A fé somente é autêntica quando se expressa em atitudes de defesa e promoção da dignidade e da liberdade. É o que vemos no episódio da cura daquele aleijado de nascença. Para sobreviver, todos os dias era colocado à porta do templo para pedir esmolas. Dentro da tradição de pureza, criada pelos sacerdotes do templo, se dizia que todo doente era sinal de pecado dele próprio ou de seus pais. A esmola, junto com o jejum e a oração, identificava o judeu piedoso que fazia questão de manifestar publicamente a sua generosidade para ser elogiado pelos outros. A prática de Jesus, porém, não segue esta tradição. Ele veio para garantir vida em abundância para todos. Ele veio para eliminar todo tipo de discriminação, racismo e divisão. Veio para resgatar a justiça, cujos frutos vão ser a alegria e a paz. Como Elias e Eliseu, vai ao encontro das pessoas excluídas, convive com elas e constrói o caminho da liberdade.
João e Pedro aprenderam com Jesus. Eles não podem passar adiante sem dar atenção àquele aleijado. Também não podem refugiar-se num falso gesto de dar esmolas para cumprir uma norma do templo e, assim, aliviar a consciência. É preciso comprometer-se através da solidariedade efetiva. Normalmente, quem dá esmola não pára para olhar o mendigo. A gente tem medo, já que no mendigo reflete-se a nossa verdadeira identidade. Ele é nosso espelho que faz a gente mesma se confrontar ou fugir, pois toda pessoa excluída é fruto do nosso egoísmo. Para olhar nos olhos de uma pessoa assim, e para que este olhar não seja superficial, é preciso fazer como Jesus que se tornou escravo para que, na condição mais baixa da escala social, pudesse olhar nos olhos dos últimos e amá-los sem nenhum entrave. Pedro e João aprenderam com Jesus. Eles param e olham bem para aquele aleijado. Pedro pede que ela também erga os olhos e, neste colocar-se um dentro do olhar do outro, acontece a ação de Deus que cura. Então Pedro disse: Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu lhe dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levante-se e comece a andar... (At 3, 6).
Este aleijado não tem nome. Ele representa todo o povo dependente e excluído. Não é o poder de Pedro ou de João que liberta, mas a força de Jesus Cristo presente na comunidade. Não se trata de um milagre que acontece com palavras mágicas, mas um caminho que pode ser construído quando a gente se decide a caminhar na igualdade, a olhar profundamente dentro dos olhos, a reconhecer a situação em que vive cada ser humano, a estender a mão na solidariedade... O sentido deste sinal está em compreender que a atitude de submissão e dependência não é vontade de Deus, porque traz sofrimento e morte. O sentido está em compreender que a prática de Jesus restitui ao povo a sua capacidade de firmar-se sobre suas próprias pernas e caminhar livremente. Isto é possível, mas tem gente que não quer.
Este novo modo de viver provoca reações diversas. O povo se admira e Pedro tem a oportunidade de falar sobre o sentido da ação libertadora de Deus acontecendo na história humana. Mas os grandes e poderosos não gostam que o povo se liberte e caminhe de forma autônoma. Eles sentem que o seu poder de dominação fica minado em sua base. Eles já haviam condenado Jesus e agora tentam fazer a mesma coisa com seus seguidores. Eles esperavam que a morte de Jesus estancasse este movimento que constrói uma sociedade baseada na justiça e na fraternidade. Eles não sabem, porém, que o que vem de Deus ninguém pode barrar. E o que vem de Deus se expressa na vida concreta das pessoas pequeninas e fracas. Através de sua união, de sua organização e do respeito mútuo, Deus vai realizando maravilhas. Os poderosos têm medo do povo organizado. O seu poder cai por terra diante de um povo que têm consciência dos seus direitos e não se deixa explorar. Por isso, o Sinédrio se reúne para decidir o que fazer. O Sinédrio é uma espécie de judiciário, dentro do sistema do templo, que se arroga o poder de decidir a respeito da vida ou da morte das pessoas. Pedro e João são presos e tem que prestar depoimento frente ao Sinédrio. É uma tentativa de calar a voz daqueles catequistas, anunciadores de uma nova prática social. Ordenaram que de modo algum falassem ou ensinassem em nome de Jesus. Pedro e João respondem: Julguem a vocês mesmos se é justo diante de Deus que obedeçamos a vocês e não a ele! Quanto a nós, não podemos nos calar sobre o que vimos e ouvimos.
Dois verbos revelam o rosto das pessoas que tiveram a graça de conhecer e seguir a Jesus: ver e ouvir. Em outras palavras, a pessoa que vê Deus é aquela que se deixou tocar pelo seu amor gratuito e percebe que este amor está presente e atuante na história humana a partir dos excluídos. A pessoa que ouve a Deus é aquela que presta atenção à sua Palavra que brota do coração de cada um de nós e do coração de cada ser humano, especialmente do ser humano marginalizado, não importa sua cultura, sua etnia ou o seu sexo. O livro do Êxodo conta que Deus viu a aflição do seu povo escravizado e ouviu os seus gritos de dor e angústia. Por isso desceu para libertá-lo. Jesus, Deus feito gente, viveu entre nós, viu a aflição das mulheres, crianças, idosos, prostitutas, doentes, pecadores... Jesus ouviu seus clamores e se colocou em atitude de serviço para devolver-lhes a dignidade de filhos e filhas de Deus.
Eles viram a Jesus, seu jeito de viver, de se relacionar, de perdoar, de abraçar, de agir libertando de todo tipo de escravidão e dependência. Eles ouviram as palavras de Jesus, suas histórias, suas parábolas, suas críticas, seus alertas... Eles viram e ouviram a Jesus morto e ressuscitado e receberam o dom do Espírito Santo que os leva a continuar a mesma missão pelo mundo afora... Eles fazem isto com toda disposição e ousadia. Como seguidores de Jesus, desvencilham-se das armadilhas das leis do templo, porque elas discriminam as pessoas empobrecidas.
Eles superam a prática da oração vazia que não leva ao compromisso pela vida das pessoas marginalizadas. Eles superam também a atitude de superioridade perante os fracos e oprimidos, descem à mesma altura desta gente e partilham com ela a Boa Notícia do caminho de Jesus Cristo. Pe. Celso Loraschi |
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