Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
Bíblia - Evangelho de Lucas
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AS VIÚVAS E OS
SETE DIÁCONOS Irmãos e irmãs de caminhada! Quando nos reunimos para conversar sobre nossa vida estamos demonstrando que acreditamos na capacidade que temos de nos amar uns aos outros, de nos apoiar mutuamente, de nos corrigir na sinceridade, de crescer como pessoas chamadas à plenitude de vida. Como é bom partilhar nossas alegrias e sofrimentos, nossas esperanças e angústias, nossos sorrisos e lágrimas. Como é bom e importante contar com a ajuda terna e fraterna de quem nos quer bem do fundo do seu coração e deseja nossa felicidade. Se existir esta intenção e este esforço da parte de cada um de nós, então a Palavra de Deus vai encontrar em nós o terreno fértil para produzir frutos de paz e justiça na comunidade e na sociedade em que vivemos. É assim que faziam os discípulos e discípulas de Jesus: comprometiam-se uns com os outros e assumiam juntos os desafios para que a proposta do Evangelho se tornasse realidade. É o que vamos perceber no encontro de hoje, conhecendo mais um grupo de mulheres e homens, portadores da Boa Notícia, no livro de Atos dos Apóstolos. Para isso, podemos ler o pequeno texto de At 6,1-7. AS MULHERES NÃO SE CONFORMAM Este episódio conta a história de um grupo de mulheres viúvas que não se conformam com o abandono a que são jogadas pelo sistema da época. O texto diz que os helenistas reclamam contra os hebreus, porque suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária. Há vários elementos aí que merecem nossa atenção: HELENISTAS e HEBREUS Os helenistas são as pessoas de origem judaica que viviam fora da Palestina e falavam normalmente a língua grega. Os hebreus são judeus que falam o aramaico. Os helenistas usam a bíblia grega e os hebreus usam a bíblia hebraica. Só isto já faz uma grande diferença, pois as traduções gregas da bíblia constituem interpretações diferentes da religião. Por exemplo, os hebreus eram mais apegados ao Templo e à Lei, por isso tinham muita dificuldade de se relacionar com pessoas que não tinham sangue judeu puro, especialmente tinham dificuldade de sentar na mesma mesa e partilhar dos mesmos alimentos. Os helenistas têm posições diferentes, não são tão apegados à Lei e ao Sistema de Pureza: para eles não há dificuldade de relacionamento com pessoas de outras culturas e de outras raças, pois viviam no meio desta gente. Portanto, há um conflito muito forte entre estes dois grupos que precisa ser superado. AS VIÚVAS Muitas mulheres acabavam enviuvando, seja por causa de morte natural dos seus maridos ou por causa de morte prematura deles, devido às constantes guerras. As viúvas ficavam abandonadas, à mercê da sorte. Embora o texto nada diga, elas devem ter seus filhos e filhas. O problema explode junto à comunidade cristã. O que estava acontecendo é que havia exclusão entre eles. A prática de Jesus mostrou outra coisa: ninguém pode ficar de fora da vida digna. Podemos imaginar que foram estas mulheres excluídas que se organizaram e pressionaram a mudança do sistema fechado e egoísta que havia na época. É como acontece em nossos dias: sem mobilizações, os direitos humanos vão por água abaixo. A DISTRIBUIÇÃO DIÁRIA As viúvas reclamam que estão sendo esquecidas na distribuição diária. Isto revela que a comunidade cristã, diariamente, se preocupava na distribuição dos bens, conforme a necessidade de cada pessoa. É o que diz At 4,34-35. Na verdade, porém, apesar da boa intenção, os responsáveis e animadores por esta parte social, estavam discriminando aquelas mulheres. Agora fica claro que uma comunidade, organizada na fé e no amor a Jesus Cristo, deve se preocupar diariamente em favor da vida concreta das pessoas necessitadas e não pode esquecer ninguém, nem por motivos raciais, nem culturais e nem religiosos. NOVOS MINISTÉRIOS O aumento das necessidades exige mais pessoas que se disponham a achar novos caminhos e garantir os meios que proporcionem o bem-estar e alegria de viver para todos. Por isso foram escolhidos sete homens. O nome deles estão todos na lista, assim como conhecemos os nomes dos doze apóstolos escolhidos por Jesus. Sabemos que tanto o 12 como o 7 são números completos, expressam a totalidade. Em outras palavras, o número 12 representa fundamentalmente o povo de Israel e o número 7 revela a abertura para outros povos. Portanto, o novo povo de Deus é constituído de judeus e gregos, isto é, de mulheres e homens de todas as raças e línguas. A ação de Deus na história humana se dá com a colaboração dos doze e dos sete, de todas as pessoas que se sentem chamadas e confirmadas pela comunidade. Para esta confirmação existia o rito da imposição das mãos. PESSOAS DE BOA REPUTAÇÃO, São esses os critérios indispensáveis para quem deseja se colocar a serviço da comunidade. A boa reputação provém da atitude da pessoa que não busca seus próprios interesses, mas se lança com bom ânimo na realização da missão para a qual foi chamada. Quando uma pessoa é repleta do Espírito Santo têm consciência de ser portadora da graça de Deus e, por isso, foge da ganância e do poder para não impedir ou ofuscar a ação de Deus na história humana. A sabedoria é um dos dons do Espírito Santo. Uma pessoa sábia coloca a vida em primeiro lugar e dá prioridade à vida dos excluídos: para defendê-la não fica amarrada aos limites de normas e sistemas fechados, mas se enche de compaixão e amor, conforme o modelo Jesus de Nazaré. SERVIR ÀS MESAS E SERVIR À PALAVRA Estas sete pessoas foram escolhidas para servir às mesas, enquanto os doze apóstolos disseram que ficariam com a tarefa de servir à Palavra e rezar. Servir às mesas significa administrar os bens materiais para garantir o sustento para as pessoas empobrecidas. No entanto, lendo os capítulos seguintes, vamos perceber que os sete não ficam exclusivamente se dedicando à tarefa de administrar os bens. Eles se lançam também no serviço da pregação da Palavra como acontece com Estêvão e Filipe. Assim também os doze apóstolos não ficam somente rezando e pregando, mas se dedicam também no sentido de animar e administrar os bens para que não houvesse necessitados entre eles. Dedicam-se também para que as pessoas doentes e marginalizadas possam recuperar a saúde e o prazer de viver em liberdade. LIVRES PARA AMAR Diante desta constatação, chega-se à conclusão de que as pessoas que se colocam a serviço do Evangelho se sentem livres para realizar o bem, segundo os dons de cada uma. Foi assim que Estêvão se tornou um grande pregador da Boa Notícia de Deus, com tanta coragem a ponto de dar a vida como testemunho de amor e fé. Foi assim que Filipe realizou muitos sinais bonitos em favor do povo. Muita gente o procurava. No início do capítulo 8 é dito que os espíritos impuros saíam das pessoas e muitos paralíticos e coxos eram curados. Aí diz também que aqueles que foram dispersos desde a perseguição (aquela que matou Estêvão) iam de lugar em lugar, anunciando a Palavra da Boa Nova. Certamente várias destas pessoas, portadoras da Boa Notícia, foram motivadas com a reivindicação das mulheres viúvas que despertaram nos discípulos de Jesus a capacidade de se mobilizar em vista das novas necessidades. Elas ajudaram a vencer o conflito que existia entre hebreus e helenistas. Ajudaram a vencer as barreiras das diferentes interpretações da lei e das normas do templo para dar atenção a quem passa fome. Até um número grande de sacerdotes, que viviam dentro do sistema do Templo, começaram a perceber as coisas diferentes, com base na fé em Jesus Cristo. PARA CONVERSAR
O MOVIMENTO DE JESUS NÃO PÁRA O movimento de Jesus, depois de sua morte e ressurreição, vai crescendo e se espalhando pelo mundo afora, na medida em que as pessoas se tornam servidoras e missionárias. O grupo dos sete, representando os discípulos e discípulas dos povos fora do judaísmo, lançaram o movimento para além-fronteiras; cultivaram a solidariedade com os mais pobres; souberam levar a proposta de Jesus enfrentando perseguições e mortes. Estas pessoas não pregavam leis, normas e preceitos fechados. Não se preocupavam com o sistema de pureza e impureza. Como regra de vida tinham as orientações e a prática de Jesus no tempo em que ele caminhou pelas estradas da Galiléia... Pe. Celso Loraschi |
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