Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
Bíblia - Evangelho de Lucas
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A comunidade de Antioquia da Síria vai se tornando o centro irradiador da Boa Nova do Reino de Deus pelo mundo afora. É aí que as pessoas, discípulas de Jesus, são chamadas, pela primeira vez, de cristãs (At 11,26). É aí que os discípulos organizam uma coleta que enviam aos irmãos de Jerusalém que estavam passando por uma situação de fome (11,29-30). É em Antioquia que os missionários se encontram para organizar e avaliar as suas viagens. Vamos então continuar seguindo este caminho do testemunho pelo mundo dos pagãos, estudando hoje Atos dos Apóstolos 12,1 a 15,35.
Em atos 12 nós relatamos a perseguição sofrida por Pedro da parte do rei Herodes. Este Herodes é o rei Agripa I, neto do Herodes o Grande, aquele que mandara matar os meninos na época do nascimento de Jesus. Herodes Agripa governou a Palestina de 41 ao ano 44. Ele queria angariar a amizade da elite dos judeus e começou a perseguir os cristãos. Mandou matar a Tiago, irmão de João e colocou Pedro na prisão. Mas, enquanto Pedro está na prisão, a comunidade reza insistentemente em favor dele. E Pedro é libertado, apesar de estar guardado com a máxima segurança. É claro que o anjo do Senhor que liberta Pedro não significa uma magia de Deus. É, certamente, a ação de Deus através de pessoas humanas que arriscam tudo em favor da vida de quem está em necessidade. Estas pessoas são verdadeiramente anjos de Deus agindo em favor dos fracos e indefesos.
Pedro, quando libertado, dirige-se à casa de Maria, onde costuma reunir-se uma igreja-comunidade. Maria é a mãe de João Marcos, aquele que, provavelmente, redigira o Evangelho de Marcos. Maria, sua mãe, deve ser uma das tantas animadoras de comunidades que se reuniam nas casas. Lá mora também a Rosa, que tem a bonita função de acolher as pessoas que chegam à casa. É para lá que Pedro se dirige. Bate à porta e Rosa vem atendê-lo. Mas, ouvindo a voz de Pedro, ficou tão contente que esqueceu de abrir a porta, correu para avisar as outras pessoas. Houve grande alegria! Ao contar o que acontecera, Pedro pediu: Vão anunciar isto a Tiago e aos irmãos. Este Tiago não é o irmão de João, pois Herodes já o havia matado. É o parente de Jesus, que vai ser uma das principais lideranças da Igreja de Jerusalém. Herodes foi morto durante uma grande concentração de pessoas que lhe pediam a paz. Morreu (alguém o matou?) por causa de seu orgulho e prepotência. Deus não suporta a exploração e, por isso, vai vencendo os opressores. Deus, desde a escravidão do Egito, se revela como Aquele que vê a miséria do seu povo, ouve o clamor por causa dos seus opressores, conhece as suas angústias e desce para libertá-lo... (Ex 3,7-8). E a Palavra de Deus vai crescendo, se multiplicando e se espalhando pelo mundo inteiro.
Paulo, Barnabé e João Marcos se reúnem em Antioquia, junto com toda a comunidade. Lá existem várias pessoas que exercem ministérios diferentes. Aí são citados dois destes serviços: profetas: são as pessoas que proclamam a Palavra em nome de Deus; doutores: são as que conhecem e ensinam o caminho de Deus. Os nomes aí citados podem representar os animadores daquela comunidade que, por sinal, é bem ecumênica: Barnabé é originário de Chipre e colocou seus bens a serviço da comunidade (4,36-37); Simeão é negro, certamente da África e Lúcio é de Cirene, norte da África, junto com Manaem, amigo de Herodes e Saulo de Tarso. Esta comunidade acolhedora e aberta aos sinais dos tempos, reunida para refletir e celebrar a liturgia, recebe a inspiração do Espírito Santo: é preciso partir para evangelizar em outros lugares... Assim, Barnabé e Saulo foram escolhidos, abençoados e enviados. Dirigem-se, de navio, para a ilha de Chipre. Barnabé é natural deste lugar, talvez seja por isso que a viagem começa por lá. João marcos está com eles nesta viagem. O que acontece em Chipre?
Sérgio Paulo exerce a função de procônsul. Apesar de estar representando os interesses do Império Romano, é uma pessoa desejosa de ouvir a Palavra de Deus. Para isso, chama Barnabé e Saulo. No entanto, um sujeito chamado Bar Jesus ou Elimas, acostumado a enganar o povo com suas magias, quer impedir que o Evangelho seja acolhido por Sérgio Paulo. Quando Saulo percebe a intenção de Elimas, impede que ele a realize fixando nele os olhos e denunciando a sua maldade. Este episódio quer mostrar que a proposta de Jesus não fecha com as mensagens e magias enganadoras. O Evangelho vem para tornar as pessoas verdadeiras e responsáveis. Por isso, ele nos tira da alienação e nos devolve a consciência lúcida do bem e do mal. Elimas fica cego. A cegueira impede-o de continuar enganando o povo. Isto pode levá-lo ao encontro consigo mesmo e à conversão ou pode levá-lo ao fechamento no seu egoísmo. Vai depender dele... Saulo, a partir de agora (13,9) vai se chamar de Paulo. É um nome latino que significa pequeno. Assumir um nome novo significa aceitar uma nova missão. De Saulo para Paulo pode significar a mudança que se processa na sua vida, no sentido de sair do mundo do judaísmo, fechado e orgulhoso, para o mundo dos outros povos, o que exige abertura e humildade.
De Chipre se dirigem à região da Panfília. João Marcos, não se sabe por que motivos, volta para Jerusalém. Da Panfília chegam a outra região chamada de Pisídia. Vão para a cidade de Antioquia (não a da Síria). Em cada cidade encontra-se uma sinagoga de judeus. É o lugar onde se lê e se estuda a Sagrada Escritura, também chamada de Lei e Profetas. Paulo e Barnabé se dirigem à sinagoga, onde tem a oportunidade de anunciar Jesus Cristo. O discurso de Paulo mostra como era feita a catequese pelos primeiros cristãos e cristãs. Muitos judeus e prosélitos (estrangeiros que aceitam o judaísmo) acolhem a mensagem de Paulo e Barnabé e aderem à fé em Jesus Cristo. Outros, ao contrário, desencadeiam uma perseguição contra eles. Partem então para Icônio, onde novamente se dirigem à sinagoga. Judeus e gregos abraçam a fé. Mas, também ali, não tarda uma nova perseguição. Eles fogem e vão para Listra e Derbe, onde acontece a cura de um aleijado. Os sinais de Jesus continuam acontecendo no meio das comunidades. Palavra e ação andam juntas. Os sinais de libertação confirmam a autenticidade da Palavra. E as pessoas oprimidas alcançam a liberdade... Isto tudo vai acontecendo no meio de conflitos, especialmente da parte de alguns grupos de judeus que não querem se abrir à novidade da salvação de Deus a todos os povos... Alguns até exigem a circuncisão da parte dos estrangeiros que aderem à fé. Esta polêmica vai ser muito forte e provoca uma convocação de uma Assembléia dos discípulos em Jerusalém. Isto está contado no capítulo 15. Após muitas conversas, discursos e debates, chegou-se à conclusão de que tanto judeus como os gentios ou estrangeiros deveriam ceder alguns pontos para manter a unidade ao Evangelho de Jesus. Com a presença do Espírito Santo vão sendo vencidas todas as barreiras que impedem a gratuidade da Salvação de Deus para todos os homens e mulheres, de todos os lugares e culturas. Pe. Celso Loraschi PARA REFLETIR
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