Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Catequese Renovada

Carta de Irmão Nery aos Catequistas

Irmãs e irmãos catequistas, recebi um grande presente.
O Jornal Missão Jovem me oferece este precioso espaço para partilhar com vocês, em 2003, minha paixão pela catequese, e me sugere aproveitar a celebração dos 20 anos do Documento da CNBB, Catequese Renovada, Orientações e Conteúdos, publicado em abril de 1983.

Invoco o Espírito Santo para que me ilumine nesta missão que recebo e, também, a Maria, mãe e educadora, para que nos torne a todos plenamente abertos à ação fecundante e dinamizadora da graça, por um SIM incondicional e obediente à vontade do Pai.

Ao longo de onze roteiros, tentarei seguir um itinerário de viagem por dentro do Documento Catequese Renovada, parando um pouco em cada paisagem bonita, fonte abundante, flor delicada, horizontes imensos e pedras de tropeço que encontrarmos. Enquanto escrevo, tenho certeza que muita gente estará comigo usufruindo desta excursão e aproveitando de cada momento para suas vidas e missão.

Nesta questão da catequese, confesso que sou uma pessoa privilegiada. Sou de uma família mineira muito católica, de vinte filhos, dez meninas e dez meninos. Papai e mamãe e cinco de meus irmãos e irmãs já estão em Deus. Peregrinamos neste mundo quinze irmãos e irmãs, muito unidos, buscando cumprir nossa missão. E sou primo do Padre Zezinho, SCJ.

Desde criança me encantei pela Vida Consagrada. Escolhi o Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs, mais conhecido como Irmãos de La Salle ou Lassalistas. O fundador é o Padroeiro Universal dos Professores, São João Batista de La Salle (1651-1719).

Formado em Filosofia e Teologia, especializei-me em Catequese, mas, obviamente, muito mais pela prática.

Um outro privilégio importante. Estive na Equipe que ajudou a elaborar o Documento Catequese Renovada e, logo depois de aprovado, assumi a Assessoria Nacional de Catequese, na CNBB, em Brasília (1983-1986), com a missão de operacionalizá-lo em todo o Brasil. Nunca mais larguei este caminho. Minha vida, portanto, está muito envolvida com a catequese renovada e será uma bênção para mim retomar aqui seus pontos fundamentais.

Desde já meu abraço de Irmão Religioso e Catequista, a cada um e a cada uma com quem me encontrarei por meio destes escritos no jornal Missão Jovem.

Irmão Nery FSC - nery@telnet.com.br

Breve História

O Concílio e a Catequese

O grande Pentecostes da Igreja no século XX foi o Concílio Vaticano II (1962-1965). Aquela enorme assembléia, de bispos com o Papa, no Vaticano, fez uma avaliação da Igreja e traçou metas e passos para o seu futuro no mundo em mudança.

A catequese recebeu grande impulso com os documentos conciliares, ainda hoje fundamentais, como “A Igreja” (Lumen Gentium), “A Igreja no mundo” (Gaudium et Spes), “A Palavra de Deus” (Dei Verbum) e “A Renovação da Liturgia” (Sacrossactum Concilium).

Mais impulso

E enquanto assimilávamos e colocávamos em prática o Concílio, chegava mais lenha para o nosso entusiasmo. Em destaque a Segunda Conferência Episcopal Latino-americana, em Medellín, Colômbia (1968), a Terceira, em Puebla, México (1979) e a Semana Internacional de Catequese (Medellin, 1968).

De Roma nos chegavam: o Diretório Catequético Geral (1971), “A evangelização no mundo contemporâneo” (EN, de Paulo VI, 1975) e A Catequese Hoje (Catechesi Tradendae, de João Paulo II, 1979).

Útil foi também a Primeira Semana Latino-americana de Catequese, em Quito, Equador, em 1982, sobre “A comunidade catequizadora”.

E A CATEQUESE NO BRASIL?

Com tudo isso, ficamos motivados a ter um documento nosso para a renovação da catequese. A idéia surgiu no Encontro

Nacional de Catequese (11 a 17/11/1979), em São Paulo, SP. Um primeiro texto, “Orientações pastorais sobre a Catequese”, foi estudado na Assembléia da CNBB, em 1980. Reformulado e enviado a todas as Dioceses, o Instrumento de Trabalho, “Orientações em torno do conteúdo da Catequese”, recebeu milhares de contribuições. A nova versão foi enriquecida na Assembléia dos Bispos de 1981, com o nome de Orientações para uma Catequese Renovada”.

Um grupo de bispos que, em 1980, havia insistido na importância de um Roteiro básico de conteúdos para a catequese, voltou à carga. A Equipe de Redação, porém, priorizava a mudança de mentalidade em relação à evangelização e à catequese.

Em 1982, os Bispos mostraram satisfação com o material produzido, mas queriam saber do Roteiro. Para isso eles sugeriram que se tomasse como referência o documento de Puebla: a Verdade sobre Cristo, a Verdade sobre a Igreja, a Verdade sobre o Homem.

O novo texto teve três partes:

A) Visão histórica da catequese;
B) Catequese renovada e suas exigências;
C) Orientações para a prática de uma catequese renovada.

Ao longo de 1982 foi preparado o Roteiro, que recebeu o título de “Temas fundamentais para uma catequese renovada”.

ENFIM, CATEQUESE RENOVADA

A Assembléia da CNBB (abril de 1983), depois de um intenso trabalho, aprovou, por unanimidade, o Documento “Catequese Renovada, orientações e conteúdo”, com quatro partes:

A) A Catequese e a Comunidade na História da Igreja;
B) Princípios para uma Catequese Renovada;
C) Temas Fundamentais para uma Catequese Renovada;
D) A Comunidade Catequizadora.

A Santa Sé aprovou com elogios este Documento, em 25/5/1983, e estimulou para que fosse divulgado e estudado em todo o País.

Iniciava-se assim uma nova fase: assimilar e colocar em prática este dom do Espírito à Igreja no Brasil.

Desta missão tive a graça de participar intensamente com Frei Bernardo Cansi, OFMcap, sob a liderança de Dom Albano Cavallin, a partir da CNBB, em Brasília, de 1983 a 1986, e com milhares de catequistas de todos os recantos do Brasil.

Hoje, Deus me dá a graça de passar às novas gerações um pouco deste precioso tesouro. Amém!

Irmão Nery FSC

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