Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Teologia - Deus Trindade

As primeiras questões sobre a fé no Deus-trindade

QUEM AMA A DEUS...

Quem ama a Deus quer conhecê-lo sempre mais. Mesmo sabendo que nunca conseguiremos encaixá-lo totalmente em nossos pensamentos e em nossa linguagem, não podemos nos contentar, simplesmente, com o que nos é dito nos escritos bíblicos.

Acreditando em Jesus, que nos prometeu o Espírito da Verdade para nos encaminhar ao conhecimento de toda a verdade (Jo 16,13).

Nós, cristãos, ousamos fazer perguntas e elaborar teorias a respeito de nossa fé. Não se trata de desrespeito ao mistério. Ao contrário, a fé procura a inteligência, como nos ensinam os mestres da teologia.

É preciso dar razões de nossa esperança e de nossa fé a todo aquele que os pedir (1 Pd 3,15). Por isso, partindo dos dados bíblicos, avançamos entre a reverência e a audácia para entender também com a razão quem é e como é o nosso Deus.

EXPLICAR A FÉ

Nesse sentido, os primeiros cristãos foram logo desafiados a explicar a sua fé. A primeira grande questão vinha do judaísmo. Diante dos judeus da Palestina e daqueles que estavam espalhados pelas cidades do Império Romano, os cristãos se viram envolvidos numa séria polêmica.

O judaísmo ensinava que Deus é um só, o Javé de Israel, Criador do mundo e Senhor da história. Como então explicar aos judeus, de cuja fé e aliança os cristãos participavam, que de fato Deus é um só, mas em três realidades distintas?

Outras questões vieram com o encontro dos cristãos com o mundo da cultura greco-romana. Tiveram aí, diante de si, outras questões bastante empenhativas. A cultura grega politeísta era bastante receptiva à existência de diversos deuses.

Como constatamos nos Atos dos Apóstolos, São Paulo elogiou a religiosidade dos atenienses que erigiam altares para diversos deuses e, para não deixar nenhum de fora, haviam até construído um altar ao Deus desconhecido (At 17,22-23).

Como explicar a esses povos que o Pai, o Filho e o Espírito Santo não eram três novos deuses, mas um só e o único Deus verdadeiro? A filosofia grega havia chegado à conclusão de que Deus existe e é o Ser supremo, a Causa primeira de todas as coisas, o Ordenador da harmonia cósmica, a simples Unidade.

Como anunciar a esses estudiosos que o Deus verdadeiro veio a nós na figura humana e mortal de Jesus de Nazaré e, se é unidade, é também diversidade?

GNOSTICISMO

O gnosticismo (do grego gnosis = conhecimento) era uma espécie de filosofia de vida que ensinava a necessidade de conhecer o sentido primeiro e último de todas as coisas, encontrado somente em Deus e no mundo do além, do puramente espiritual. Segundo essa filosofia, a matéria do mundo e do corpo humano eram más, conseqüência de algum desvio acontecido no mundo do além.

Uma queda no mundo material, frágil e mortal teria sido o castigo por esse desvio. Portanto, o bem seria alcançado com o conhecimento do mundo espiritual, o único verdadeiro, e com a conseqüente rejeição e fuga do mundo e do corpo materiais, que seriam somente carcaça e cadeia da alma prisioneira.

Como então falar de:

Um Deus que, livremente e por amor, criou esse mundo tão marcado pela fragilidade?

Um Deus que se fez homem, passou pelo sofrimento e pela morte e, ressuscitando, abriu caminho para a ressurreição e a glorificação de todos os seres humanos e de todo o mundo material?

Um Deus que sustenta e santifica a matéria, chamando-a, com o ser humano, à divinização?

Os primeiros cristãos, como se vê, enfrentaram desafios. Para responder a essas perguntas não bastava a fé. Tiveram que usar também de inteligência.

Pe. Vitor G. Feller

Refletindo:

1) Como essas questões continuam, ainda hoje, presentes no modo de pensar e viver de nosso povo?

2) Quais as questões que hoje mais desafiam a nossa fé no Deus-Trindade?

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