Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Teologia - Deus Trindade

DEUS-TRINDADE: MODELO DE COMUNIDADE

Por ser assim, amor, simplesmente amor, Deus-Trindade é modelo de comunidade. Não somente modelo, mas também fonte e origem e inspiração para relações comunitárias que sejam verdadeiramente humanas. Não somente modelo, mas também crítica de todas as relações desumanas, opressoras e exploradoras, injustas, egoístas e mesquinhas.

FRUTOS DO AMOR

Criados que somos, seja individualmente, seja coletivamente, à imagem e semelhança de Deus-Trindade (Gn 1,26-27), não podemos ficar longe dessa fonte inspiradora e desse olhar crítico e questionador. Tanto mais nós cristãos, que tivemos a graça de saber que Deus é assim e, portanto, que também nós somos assim.

O apóstolo João exulta de alegria ao anunciar essa descoberta: “Vejam que prova de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos/filhas de Deus. E nós de fato o somos! Se o mundo não nos reconhece (e às vezes nós mesmos não nos reconhecemos), é porque também não reconheceu a Deus” (1 Jo 3,1).

E continua, esperançoso: “Desde agora nós já somos filhos/filhas de Deus, embora não se tenha tornado claro o que vamos ser. Sabemos que quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque nós o veremos como ele é” (1 Jo 3,2).

Criados por um Deus-Amor, nós somos frutos do amor. Nós já somos divinos, embora, por causa da nossa condição terrena e mortal e, mais ainda, por causa das rupturas do pecado, essa nossa condição divina fique obscurecida.

SER CRISTÃO

Ser humano e, mais ainda, ser cristão, é espelhar na terra a nossa origem trinitária. Adaptando o ditado “tal pai, tal filho”, poderíamos dizer: “tal Deus-Amor criador, tal ser humano-amor, tal humanidade-amor”.

Com o olhar da fé, podemos enxergar essa realidade no fundo de nossos próprios corações, no rosto confiante das crianças, na face serena dos idosos e idosas, no sorriso jovial da juventude e da adolescência.

Com o olhar da fé e a prática da caridade, podemos acreditar que é possível uma sociedade sem excluídos, uma única Igreja de Cristo sem divisões, uma política de serviço e não de corrupção e nepotismo, uma economia de bens e serviços disponíveis para todos, “para que todos tenham vida em abundância”, como Deus-Amor criador quis e quer (Jo 10,10).

Com o olhar da fé, a prática da caridade e a firmeza da esperança, podemos dar um basta a toda forma de violência, “esperando contra toda esperança” (Rom 4,18), podemos fincar nossos pés, mãos e corações, na fidelidade do amor de Deus-Trindade e partir para novos rumos.

SOMOS DIFERENTES

Afinal, como Paulo, nós sabemos em quem pusemos nossa confiança e nossa fé (2 Tim 1,12); como João, “nós reconhecemos o amor que Deus tem por nós e acreditamos nesse amor” (1 Jo 4,16). Nós não somos como os outros, tristes e angustiados, “que não têm esperança” (1 Tes 4,13).

A última palavra, nós bem sabemos, não será a do algoz, do tirano e do poderoso prepotente. Mas será do Deus libertador e amigo, que da morte e da cruz faz brotar a vida nova da ressurreição, que transforma a dor e o luto em força e energia para novos tempos.

Como a primeira palavra da história, fincada na eternidade, é o Amor entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, assim também a última palavra, a vitória final, caberá a esse mesmo Amor.

Nossa origem, nosso presente e nossa meta se encontram em Deus-Trindade. Dele viemos, nele vivemos, para ele vamos, a ele voltaremos. Em Deus-Amor, comunhão trinitária, “vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28).

Pe. Vitor G. Feller

REFLETINDO:

1) De que maneira espelhamos no ministério catequético, na vida familiar e no serviço à Igreja, o amor de Deus?

2) O que falta à nossa comunidade cristã e à nossa sociedade para serem sinais da comunhão divina trinitária?

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