Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
Teologia - Deus Trindade
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ESPIRITUALIDADE TRINITÁRIA Integrada e Integradora Se o nosso Deus é Trindade, toda a nossa espiritualidade deveria ser trinitária. Os cristãos entendem sua espiritualidade não como um conjunto de ações religiosas, fechadas num mundo intimista de sacristia, mas como estilo de vida segundo o Espírito de Deus. Um estilo, um jeito de viver, que perpassa todas as relações humanas, desde a interioridade pessoal, passando pela família e comunidade, até atingir a sociedade e o cosmos. Os cristãos se sabem sempre diante de três pessoas: Abbá, Ieshuá e Ruah (Pai, Jesus e Espírito, na língua hebraica, uma das línguas da revelação bíblica)! Cada uma delas nos enriquece com os dons e carismas próprios de sua personalidade, de sua identidade e de sua peculiar presença e ação na criação e na história. Mas não se pode, sob pena de perdermos a característica trinitária da fé cristã, exagerar a relação com uma só das pessoas divinas, menosprezando as outras. O equilíbrio é nossa segurança, nossa certeza de uma espiritualidade humanamente integrada e integradora. ABBÁ, PAPAI, PAIZINHO Do Abbá, papai, paizinho, recebemos amparo e segurança. Nele encontramos apoio e firmeza. A ele elevamos verticalmente nosso olhar, com ousadia e esperança. Ele é Deus antes de nós, além de nós, acima de nós, um Deus cujos pensamentos e desígnios nos são insondáveis. A ele nós amamos em primeiro lugar, mais do que tudo, com todas as forças, toda a alma e todo o entendimento. Ele é nossa fonte e origem, o manancial de onde brota toda a vida da natureza e da humanidade. Ele é a autoridade suprema, não para oprimir, explorar e excluir, mas para servir e dar vida e manter na vida. É impossível viver sem uma referência direta à primeira pessoa da Santíssima Trindade. No entanto, se ficássemos só com essa pessoa, se exagerássemos nossa relação com o Pai, esquecendo-nos do Filho e do Espírito, o próprio Pai poderia tornar-se para nós patrão, policial, castigador, um Deus distante e severo, inacessível, bem outro que o Pai querido de Jesus Cristo, que derramou sobre o Filho e sobre nós o Espírito de amor. IESHUÁ, DEUS FEITO HOMEM Do Ieshuá, Deus feito homem para nos salvar, recebemos força e coragem para nos inserirmos no mundo, para assumirmos a causa dos pobres, para lutarmos política e socialmente por um mundo mais justo, sem exclusões e discriminações. A Ele nos dirigimos horizontalmente, como um de nós.
Ele é Emanuel, Deus conosco, no meio de nós, entre nós.
Um Deus feito homem em tudo, nas fraquezas e obscuridades de nossa natureza
frágil e mortal, mas que venceu o pecado, que não se deixou
manipular pelas tentações da idolatria do ter mais, poder
mais, gozar mais a vida, em detrimento dos outros. É impossível viver sem uma relação explícita à segunda pessoa da Santíssima Trindade. Contudo, se nos fixássemos apenas no Filho, esquecendo-nos do Pai e do Espírito Santo, o próprio Filho se tornaria para nós apenas um mestre de uma nova lei, um contestador político, um reformador religioso. Não seria o Filho amado do Pai, por quem nós também somos filhos e filhas. Não seria o Ungido pelo Espírito, por quem e para quem nós também fomos ungidos. RUAH DIVINA O DEUS DENTRO DE NÓS Da Ruah divina (ruah, em hebraico, é feminino!), nós aprendemos que somos diferentes uns dos outros, cada qual com dons e carismas próprios, para a utilidade do bem comum. Com ele nos encontramos na profundidade de nossos corações. Ele é o Deus dentro de nós, mais íntimo a nós que nós a nós mesmos. E como ele está em mim, está também em cada qual de meus irmãos e irmãs, de qualquer raça ou cultura, igreja ou religião. Faz-me/faz-nos sentir a beleza e o encanto da filiação divina. Promove a alegria, o louvor, a festa. Como ele é na Trindade o laço do amor entre Pai e Filho, garantindo a perfeita unidade na plena distinção entre os dois, assim ele me/nos induz ao diálogo com o diferente, me/nos ensina a apreciar a singularidade na pluralidade, a unidade na diversidade. Ele nos ensina que é anti-cristão e desumano fechar-se em guetos, grupinhos, panelinhas. É impossível viver a fé cristã e a dignidade humana sem relação à terceira pessoa divina. Porém, qualquer redução da espiritualidade ao Espírito Santo, sem espaços para os dons que vêm do Pai e do Filho, levará a fazer dele apenas uma energia interior, um deus ao gosto e prazer de cada qual, um deus do interior de cada qual, feito à imagem e semelhança do egoísmo humano. Não seria mais o Espírito Santo, santificador e comprometedor, o amor que une Pai e Filho em sua entrega e doação para a vida do mundo. Pe. Vitor G. Feller REFLETINDO: 1) Em que momentos e de que maneira expressamos a dimensão
trinitária de nossa espiritualidade cristã? |
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