Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Teologia - Deus Trindade

IGREJA: ÍCONE DA TRINDADE

Numa linguagem teológica, diz-se que a origem da Igreja está no próprio mistério de Deus-Trindade. Numa linguagem histórica, menciona-se a história de Jesus de Nazaré como início da Igreja. Essas duas linguagens se implicam mutuamente, porque Jesus de Nazaré é a presença humana do Deus eterno em nossa história.

A IGREJA E A TRINDADE

A Igreja tem sua origem, seu sentido e sua meta no mistério de Deus-Trindade. Ela vem da Trindade, vive na Trindade e vai para a Trindade. Ela é na terra a imagem da Trindade celeste. A Igreja é o ícone da Trindade. A comunhão perfeita das três pessoas divinas é a semente, a raiz, o tronco, a seiva da comunhão da Igreja. Poderíamos dizer que as três pessoas divinas são os primeiros membros da Igreja, o cerne da comunhão eclesial.

Os três divinos são distintos entre si, numa distinção que não leva à divisão, mas sim à comunhão mais plena. Assim a Igreja é a comunhão, embora imperfeita, na diversidade de povos, línguas e nações, de carismas e dons, de vocações e ministérios. As três pessoas divinas comungam entre si o mesmo amor, a mesma liberdade e consciência, o mesmo poder e glória, numa comunhão que não anula as diferenças, que não reprime as distinções.

IGREJA: COMUNHÃO E DIVERSIDADE

Também a Igreja não é um caldeirão que tudo massifica numa geléia geral, pondo todos numa mesma forma. É na diversidade que se encontra a beleza da Igreja. Diversidade na comunhão, comunhão na diversidade. Tal Trindade, tal Igreja. É claro, com as devidas diferenças. A comunhão trinitária é eterna e, por isso, plena e perfeita. A comunhão eclesial é humana e histórica e, por isso, imperfeita e peregrina.

A NOVA ALIANÇA

Historicamente falando, a Igreja tem sua origem na revelação histórica desse Deus-Trindade. Desde que criou o mundo, Deus já quis a Igreja, previu a unidade de todos os seus filhos e filhas na comunhão com Cristo. É a Igreja na ordem da criação. Mas, como a aliança da criação com a humanidade foi rompida pelo pecado humano, Deus escolheu o povo de Israel, com quem fez uma aliança de presença e de palavra, de lei e de promessa. Temos aí a Igreja, sob a ordem da lei.

Mas é com Jesus Cristo que Deus-Pai estabelece a nova e eterna aliança com a humanidade. Como anunciador da Boa Notícia do amor do Pai aos pobres e do Reino de justiça para todos, ele reuniu ao seu redor um grupo de pessoas que nele acreditaram, seguindo-o em sua prática de solidariedade com os marginalizados e de denúncia das idolatrias do dinheiro e do poder. Um grupo que pode ser apresentado em forma dinâmica de concentração e expansão: multidões, setenta e dois discípulos, doze apóstolos, três amigos íntimos, um líder.

Enquanto permanecia com seus discípulos e discípulas, Jesus os fortalecia na fé, ensinava-lhes como se opor à perversidade da religião legalista, corrigia-lhes pretensões de poderio e mando. Ao ser morto pelos donos do poder religioso, pelos doutores da Lei e pelos sacerdotes do Templo, Jesus os deixou em estado de perplexidade: se ele foi morto pelos representantes de Deus, era verdade o que ele ensinava? A fuga e a volta para casa parecia, então, a melhor saída.

A NOVA IGREJA

Foi quando o próprio Jesus lhes apareceu ressuscitado, confirmando sua missão messiânica, infundindo-lhes seu Espírito, enviando-os a anunciar a todo o mundo o seu Evangelho, prometendo-lhes sua presença permanente entre eles e elas.

A Igreja nasce das duas mãos do Pai: de Jesus de Nazaré e do Espírito Santo, da cruz e do cenáculo, da Páscoa e de Pentecostes, do sangue derramado pelo coração aberto do Mestre e do fogo descido sobre a cabeça dos discípulos.

Pe. Vitor G. Feller

Para refletir:

1.º Em que situações nossa Igreja reflete a comunhão trinitária?

2.º Em que situações ela se afasta do mistério de Deus-Trindade?

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