Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Teologia - Deus Trindade

Sinais e símbolos do Deus-Trindade

Como em todas as ocasiões em que tratamos do mistério divino, qualquer símbolo é apenas uma sombra e uma imagem muito diluída da verdade que nos fascina. Mesmo assim, somos ousados em usar de símbolos e imagens, não para desfigurar a profundidade e a beleza de Deus, mas para facilitar nosso balbucio de filhos e filhas ao pretendermos dizer quem é o Deus-Trindade a quem amamos.

FAMÍLIA

A primeira imagem-símbolo que nos vem à mente é a da família bem constituída, onde temos três categorias de pessoas (pai, mãe, filhos), cada uma com carismas e encargos próprios. Também podem ser sinais da Trindade uma comunidade, um grupo de oração e reflexão, um grupo de amigos, onde as pessoas são diferentes, mas têm objetivos comuns, onde as alegrias são multiplicadas e os sofrimentos divididos, onde se aprende a conviver e a lutar juntos pela solução dos problemas. São ainda símbolos muito comuns da Santíssima Trindade:

a) três anéis entrelaçados, que podem ser vistos soltos para visualizar a Trindade das pessoas, ou sobrepos tos para visualizar a unidade do ser divino;
b) três velas acesas num só fogo;
c) três pessoas abraçadas numa ciranda alegre e festiva;
d) vaso de três flores da mesma espécie em três cores diversas;
e) o triângulo eqüilátero.

O QUADRO DE RUBLEV

Outra imagem muito bonita é o quadro do artista russo, ortodoxo, dos três homens de Mambré, hóspedes de Abraão, figuras de Javé. No relato do Gênesis (capítulo 18), a própria linguagem trai o fascínio do mistério, às vezes usando o singular, às vezes o plural, para contar o fato. No quadro, o pintor Rublev, do século XIV, apresenta os três com rosto idêntico para mostrar a mesma identidade, mas com roupagens e posições diferentes para indicar a distinção de cada um.

Um outro quadro é o dos três círculos entrelaçados, um desenhado com a mão aberta para baixo para representar o cuidado providencial do Pai, outro com a cruz para simbolizar a entrega amorosa do Filho e outro com a pombinha para significar a liberdade irradiante do Espírito.

NATUREZA

Muitos elementos da natureza podem ser apreciados em sua ternariedade (três aspectos).

Nas plantas vemos: na raiz, o Pai que dá segurança e sustento; no tronco, o Filho que se apresentou como videira pela qual nos vem a graça; no fruto, o Espírito Santo com seus dons e carismas.

Na água temos três estados que lembram: no sólido/gelo, o Pai fundamento de todas as coisas; no líquido/fluidez, o Filho em sua caminhada pelo mundo; no gasoso/vapor, o Espírito Santo em sua presença misteriosa em todas as coisas.

Na água temos ainda três formas: a fonte, na qual percebemos o Pai, origem de todas as coisas; o rio, no qual vislumbramos o Filho que vem do Pai e atravessa o mundo; o mar, no qual entrevemos o Espírito Santo, a confluência de todas as nossas ações.

Três astros marcam profundamente nossa existência: o sol, que é imagem do Pai que nos aquece em seu amor; a terra, que é símbolo do Filho no qual e a partir do qual temos a vida; a lua, que é sinal do Espírito Santo a nos iluminar as mentes nas noites escuras da fé.

O espaço é tridimensional: a altura nos recorda o Pai que está no alto dos céus; a largura nos lembra o Filho que veio a nós no espaço e no tempo; a profundidade nos indica o Espírito Santo que infunde o amor em nossos corações.

O tempo se apresenta em três movimentos: o passado para significar o Pai, origem de tudo; o presente para simbolizar o Filho, nosso companheiro de viagem na história da humanidade; o futuro para o qual nos conduz o Espírito Santo.

Pe. Vitor G. Feller

REFLETINDO:

1) Como estes símbolos nos ajudam a entender o misté- rio de Deus-Trindade?
2) Qual desses símbolos é o mais interessante? Por quê?
3) Que outros símbolos poderíamos acrescentar?

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