Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Dinâmica

Hoje, na grande maioria de nossas comunidades, são adolescentes e jovens os que recebem o sacramento da Crisma. Costuma-se dizer que é o sacramento da maturidade. Mas, em questão de fé, estamos sempre a caminho para chegarmos mais e mais à maturidade em Cristo.

Historicamente, este sacramento passou por várias transformações.

1) O livro dos Atos dos Apóstolos nos dá testemunho da efusão do Espírito Santo, realizada sobre aqueles que “somente haviam sido batizados”. Na Igreja primitiva existe uma estreita relação entre batismo e crisma.

2) A partir do séc III a preparação para receber os sacramentos é bastante organizada através do catecumenato. Os que desejavam fazer um caminho de conversão e adesão à fé cristã eram adultos, portanto, com opção mais convicta.

Fausto de Riez, no séc. V, assim se expressa sobre este sacramento: “Pelo batismo, nos regeneramos para a vida; após o batismo, somos confirmados para a luta. No batismo somos purificados; após o batismo, somos confirmados para a luta. No batismo somos purificados; após o batismo, somos fortificados”.

3) A separação do batismo e da crisma se dá a partir do séc. V por vários motivos: a difusão do cristianismo, a generalização do batismo de crianças, o bispo não podia estar nas diversas comunidades afastadas de sua cidade-sede. Aos presbíteros dá-se a função de batizar enquanto ao bispo, em outro momento, reserva-se a imposição das mãos e a unção do óleo.

4) Só depois do séc. XII é que se generalizou a idéia de que a imposição e a unção se caracterizava como o sacramento da confirmação. Assim sendo, do que era uma só coisa, fizeram-se duas. Aqui a idade para receber este sacramento passou a ser entre 7 e 12 anos.

5) O concílio de Florença (1439-1445) foi o primeiro dos concílios ecumênicos a afirmar que a confirmação é um dos sete sacramentos da Igreja.

PROPOSTA APÓS O CONCÍLIO VATICANO II

O concílio Vaticano II (1962-1965) assim fala: “Pelo sacramento da confirmação vinculam-se mais perfeitamente à Igreja e recebem especial vigor do Espírito Santo, e assim ficam mais seriamente comprometidos, como testemunhas verdadeiras de Cristo, a difundir e defender a fé por palavras e por obras (LG 11).

Esta afirmação nos diz que este sacramento:

• está estreitamente ligado ao Batismo e à Eucaristia, isto é, ao processo de iniciação cristã.

• apresenta a dimensão eclesial, isto é, os confirmados fazem parte da comunidade dos seguidores de Jesus, que é comunidade missionária a serviço do Reino (LG 9-12).

• relaciona-se ao recebimento do Dom do Espírito Santo, já presente no batismo. Aqui, através da Unção, o crismando assume o impulso para a missão, assim como Jesus, quando se expressa em LC 4, 16-20: “O Espírito do Senhor está sobre mim para anunciar a Boa Nova aos pobres”...

• orienta para um verdadeiro compromisso: “...para difundir e defender a fé por palavras e por obras”. A compreensão deste sacramento não leva apenas a assumi-lo como um momento ritual, ou ainda por tradição, mas muito mais para uma coerência na prática dos valores apresentados pelo Evangelho: justiça, paz, solidariedade... e, portanto, uma opção clara do seguimento de Jesus Cristo.

Pe. Valter M. Goedert, professor de liturgia do ITESC - SC, assim expressa a responsabilidade em assumir este sacramento:

“A confirmação é o sacramento do martírio, o sacramento da participação na missão transformadora do mundo, na renovação de suas estruturas, tornando-o capaz de responder adequadamente às exigências, por mais difíceis que sejam, do viver cristão cotidiano.

O cristão, para isso, tem necessidade de clarividência, que vem do Espírito. A ‘graça sacramental’ da confirmação se destina à luta contra o erro, a discórdia, o egoísmo, a vanglória, a tirania, o comodismo, o medo da responsabilidade. Pela confirmação, o cristão não só toma consciência de sua responsabilidade no mundo, mas também recebe a força de transformá-la em ação eficaz. A crisma deveria, portanto, ser conferida somente aos cristãos que estivessem dispostos a assumir esse compromisso”.

Hoje, mais do que em épocas passadas, entendemos a importância deste sacramento ser assumido de forma opcional. Portanto, quem tem a capacidade de optar são os adultos. Estes deveriam ser motivados para fazerem um caminho catecumenal, porque teriam capacidade para responderem diante da responsabilidade deste sacramento.

DINÂMICA:

Criar com os catequizandos de crisma uma enquete em forma de entrevista com pessoas já crismadas da comunidade.

Exemplo:

1) Quando e onde foi crismado? Quem foi o ministrante?
2) Seus colegas eram poucos? Muitos? Lembra do nome de alguém?
Continuam amigos de fé e vida? Como?
3) Valeu a pena ter recebido este sacramento? Sim. Não. Por quê?
4) Mudou alguma coisa em sua vida a partir deste sacramento? O quê?
5) Como é a sua fé, hoje?

Cada crismando, após estas entrevistas, apresentará ao grupo para que seja feita uma síntese. Seria importante também apresentar a síntese no CPP (Conselho Pastoral Paroquial), convidando os(as) catequistas de crisma a estarem presentes para uma reflexão conjunta sobre como assumir algumas propostas concretas para viabilizar melhor a vivência deste sacramento.

ENTENDIMENTO SOBRE O CATECUMENATO

Na Igreja antiga, aos que desejavam receber os sacramentos, eram propostas certas exigências e condições. Não se pensava em quanto mais gente e mais rápido melhor.

Uma das condições era um longo período de preparação, isto é: por etapas e em tempos sucessivos.

Hoje, através do RICA (Rito de Iniciação Cristã de Adultos), temos condições de entender os caminhos de iniciação ou reiniciação na fé:

• para jovens e adultos não batizados, crismados...
• para crianças e adolescentes que chegaram à idade da catequese organizada sem ter recebido o batismo.
• para jovens e adultos que receberam os sacramentos e como adultos descobrem a fé que nunca assumiram.
• Para afastados que querem voltar à Igreja.

É preciso descobrir formas para suprir os males provocados pela pouca consciência que nossos cristãos têm em assumir os sacramentos.

Temos uma massa de gente sacramentalizada, mas poucos conhecem e seguem a Jesus Cristo e, portanto, pouco evangelizada.

Em nossas paróquias há a necessidade de se apresentar propostas de uma formação continuada e não apenas ocasional ou em momentos rápidos, com a desculpa de que o povo foge de tudo o que é prolongado e exigente.

Ir. Marlene Bertoldi

Bibliografia

- GOEDERT, Valter Maurício. O Sacramento da Confirmação.
Editora Paulinas, São Paulo, 1989.
- GALINDO, Felix Moracho. Sacramentos da Iniciação Cristã.
Editora Paulus, SP, 1999.

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