Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Dinâmica

Os Atos dos Apóstolos apresentam como era a comunidade cristã de Jerusalém: perseverante na escuta dos ensinamentos dos apóstolos e na comunhão de vida, no partir o pão e nas orações (At 2, 42-47).

As primeiras comunidades cristãs eram comunidades eucarísticas. Partir o pão significava celebrar nas casas de família a Eucaristia, porque esta era expressão do que se vivia no dia-a-dia: acolhida, justiça, igualdade...

Jesus tinha ensinado que Deus está unido à vida de seu povo e à solidariedade fraterna, ou seja, à partilha do pão. Reunir-se nas casas visualiza a igreja-família, a igreja-comunidade e a igreja-doméstica.

A Igreja, comunidade de Jesus, é a fraternidade em torno dele, o único Senhor e Mestre, presente na Eucaristia.

COMUNIDADES MISSIONÁRIAS

As primeiras comunidades cristãs eram essencialmente missionárias. Os seus seguidores eram denominados como os seguidores do caminho. O sentido do caminho é assumido como processo de interação nas culturas, nos povos, na expansão do Evangelho.

A Igreja só se realiza em comunidade viva no seguimento do seu mestre para a realização da missão evangelizadora.

Mas o que entendemos por missão evangelizadora?

Evangelizar é continuar a missão de Jesus, o que exige que a Igreja seja discípula viva do Evangelho, imitando o próprio agir de Jesus, e esteja atenta aos apelos do mundo, indo ao encontro das situações humanas”. (DGAE nº 73, 1999 - 2002).

As primeiras comunidades, através da vivência do repartir o pão, vivenciaram o amor misericordioso de Jesus no acolhimento dos mais esquecidos: “Entre eles ninguém passava necessidade” (At 4, 34).

DINÂMICA

A) Distribuir as palavras ao grupo. Podem ser escolhidas algumas conforme o grupo, contanto que estejam relacionadas com: Eucaristia e Missão. Escrever cada palavra num pedaço de papel.

1) Povo, 2) Evangelização, 3) Pão, 4) Necessitados, 5) Memória, 6) Ação de graças, 7) Fraternidade,
8) Comunidade, 9) Ceia, 10) Igreja, 11) Comunhão, 12) Justiça, 13) Banquete, 14) Dignidade,
15) Vida, 16) Missão.

B) Solicitar para que cada participante escreva mais 5 palavras, a partir da palavra recebida, relacionando-a com Eucaristia.

C) Após cada um ter escrito, pedirão ajuda aos colegas e acrescentarão mais 3 palavras.

D) Em seguida reúnem-se os números iguais para escolher as 5 palavras mais significativas relacionadas a eucaristia e missão.

Apresentarão as mesmas ao grande grupo em uma frase.

MISSÃO E COMUNHÃO

A Igreja sempre foi chamada a realizar dois caminhos que se entrelaçam entre si: o da missão e o da comunhão.

Estes dois caminhos impulsionam a Igreja para fora atuando no mundo como missionária, enquanto que voltando-se para dentro quer realizar a comunhão com todos os batizados e também os não batizados.

Cresce cada vez mais a convicção de que a missão é condição essencial e permanente da Igreja em todo tempo e lugar.

Nesse caminho, a Igreja é convidada a partilhar solidariamente as alegrias, as esperanças, as tristezas e as angústias (GS 1) do nosso tempo, bem como a comprometer-se com a promoção da paz.

A missão, por outro lado, deve estar a serviço da comunhão, mas também podemos dizer que a comunhão é a origem da missão. Jesus expressa isto na frase: Que todos sejam um. Como Tu, Pai estás em mim e eu em Ti, que eles estejam em nós para que o mundo creia. (Jo 17, 21)

A força que alimenta o ideal missionário vem da Eucaristia e da união que a presença de Jesus Cristo promove no meio do povo.

O Brasil é uma colcha de retalhos, porque é formado por diferentes etnias. A Eucaristia quer ser o elo de comunhão com o nosso povo desfigurado, muitas vezes, pelo erro da intolerância, do racismo, da discriminação e pela não aceitação do diferente.

A Eucaristia é o banquete de todas as etnias e quer ser expressão de inclusão através do grande gesto da partilha e da solidariedade.

EXIGÊNCIAS EUCARÍSTICAS

Jesus nos chama sempre. É um convite feito a cada instante no vai e vem da vida. Saber ler e interpretar estes chamados é sinal de sabedoria e de realização. Mas, toda resposta a este chamado tem exigências.

Vejamos algumas exigências relacionadas com a Eucaristia: Missão e Comunhão:

a) Configuração a Cristo: as palavras que Jesus ensinou são para serem vividas e o seu testemunho é para ser seguido. Só tem sentido recebê-lo se Ele é parte integrante na nossa vida. Parte integrante na missão dos evangelizadores/as, que recriando a comunhão nas relações das pessoas entre si e com Deus.

b) Vida fraterna: a Eucaristia é encontro de irmãos/ãs que celebram a vida. Para isso, é preciso superar qualquer desigualdade e discriminação. A Eucaristia é a ceia da inclusão.

c) Cultivo da gratuidade: a Eucaristia celebra a bondade e a gratidão a Deus.
A gratuidade é traduzida em doação, compaixão e misericórdia, próprias do coração de Deus. A missão é atitude de gratuidade. Todo/a evangelizador/a realiza sua missão, na força da gratuidade de Jesus que amou preferencialmente os pobres, sem nada esperar em troca.

d) Conversão para uma partilha permanente: participar da Eucaristia exige mudança constante. Exige a defesa da justiça e do bem comum. Vivemos num mundo onde poucos têm muito e muitos têm pouco. Quem vive a Eucaristia não pode se acomodar com tamanha injustiça. Só seremos cristãos se formos também cidadãos ativos e solidários.
Comungar é lutar por uma sociedade justa e igualitária, ou seja, por saúde, pão, terra, trabalho, escola...

e) Trabalhar pela comunhão: a Igreja é a comunhão de muitas comunidades. Cristo está presente em todas. Cada cristão/ã é um elo desta comunhão. Para isto, exige, corresponsabilidade, compromisso, diálogo, humildade para fazer crescer o amor, que gera comunhão.

A divisão jamais produziu a comunhão. Diz São Paulo: “O pão que partimos é a comunhão com o corpo do Senhor. E, uma vez que há um único pão, nós embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos nós comemos de um mesmo pão” (1Cor 10, 16-17).

Cristo é o vínculo profundo de toda a comunhão humana e eclesial. A intenção da missão de toda a Igreja é testemunhar Jesus Cristo, convidando a todos/as à comunhão com o Pai e os irmãos.

Ir. Marlene Bertoldi

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