Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Dinâmica


Todo corpo humano fala. Seu modo de ser, de apresentar, sentar, estar de pé, olhar, de colocar os braços, no andar...

Existem gestos que são universais: abraçar, estender a mão para cumprimentar..., rosto com um sorriso, ou fechado, triste ou irritado,... Sempre os gestos acompanham a vida.

Na Copa do Mundo de 1994, o jogador Bebeto recebeu a notícia do nascimento de seu filho. Na hora do jogo, quando o Brasil estava ganhando, ele apresentou ao grande público um gesto simbólico, como se estivesse embalando uma criança. É claro que todos entenderam do que se tratava.

O gesto é comunicação de algo, por isso, ele se realiza numa ritualidade.

Nas nossas liturgias, os gestos tiveram pouca importância. Acreditava-se que o corpo não ajudava a rezar, a meditar. Era entendido como um obstáculo.

Mais santa seria a pessoa se menos o corpo interferisse. Assim, dava-se mais lugar ao espírito.

O corpo, no mundo moderno, ganhou grande espaço. Passa a ser valorizado e recebe cuidados especiais: ginástica, dietas, cirurgias etc.

O corpo diz respeito à totalidade do ser humano, à subjetividade humana e suas atitudes (J.B. Metz). Não é floreira estática inerte, que serve de enfeite. É através dele que se realizam múltiplos gestos que expressam a riqueza da interioridade e ainda atitudes profundas do ser humano.

A prática sincera de gestos ajuda a expressar a atitude religiosa de cada pessoa com seu Deus.

Para o escritor Juan José Tamayo, quando a comunidade se prostra em terra para adorar a Deus, quando eleva as mãos em atitude de súplica, quando os membros da comunidade se dão as mãos e as entrelaçam, expressa-se em toda a sua profundidade uma experiência religiosa inenarrável. A visibilidade do corpo veicula a invisibilidade do espírito.

EXERCÍCIOS GESTUAIS

Com o grupo de Catequese fazer alguns exercícios que incluam gestos:

1.º Fazer com o grupo a brincadeira de marionete.

A) Formar duplas, um diante do outro.
B) Cada dupla se ajudará mutuamente para criar algum gesto que tenha algum significado.
C) Reunir, em seguida, em grupos de 4. Cada dupla apresenta e discute o significado.

Após é escolhido o gesto a ser apresentado a todo o grupo.

Pode-se perguntar:

• Por que escolhemos estes gestos?
• Em que eles nos ajudam?
• Os gestos são importantes na nossa vida cotidiana e espiritual?

2.º Descobrir no conto quais os gestos mais significativos e por que se tornaram significativos.
Dramatizar, em gestos, o conto.

“A DIFERENÇA”

Era uma vez...
um escritor que morava numa praia tranqüila, junto a uma colônia de pescadores. Todas as manhãs ele passeava à beira mar para se inspirar e, no período da tarde, permanecia em seu escritório, dando criativa vazão à inspiração matinal.

Numa manhã, aos primeiros albores da madrugada, caminhando ainda mais cedo que de costume, ele percebeu, ao longe, um vulto que parecia dançar junto à praia. Ao aproximar-se, encontrou um jovem que recolhia as estrelas do mar na areia, uma por uma, e as jogava novamente no oceano.

“Por que você está fazendo isso?” Perguntou o escritor.

“Você não vê? A maré está baixa e o sol brilhando. Elas vão secar ao sol e morrer se ficarem aqui na areia,” disse o jovem.

“Meu Jovem, existem milhares de quilômetros de praias por este mundo afora e centenas de milhares de estrelas do mar espalhadas pelas praias.

Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta ao oceano. A maioria vai morrer de qualquer maneira”, observou o escritor.

O jovem recolheu mais uma estrela na areia, jogou de volta para o oceano e, olhando para o escritor, afirmou:

“PARA ESSA, EU FIZ A DIFERENÇA!!!”

Naquela tarde, pensativo, o escritor nada conseguiu produzir. Ao recolher-se, com dificuldade conseguiu conciliar o sono. Pela manhã, antes que o primeiro clarão matizasse o horizonte, o escritor foi para a praia, reuniu-se ao jovem e, juntos, começaram a jogar estrelas do mar de volta ao oceano...

O QUE TEM A VER OS GESTOS COM OS SACRAMENTOS?

Os gestos são próprios do ser humano e estes marcam as atitudes do dia-a-dia. Da mesma forma, os sacramentos se realizam num contexto de celebração, onde a vida e a fé se entrelaçam.

A celebração sacramental certamente deve continuar acontecendo no cotidiano de cada pessoa.

São muitos os gestos que perpassam cada sacramento.

Gestos como: sinal de cruz, abraçar-se, levantar os braços, bater palmas, aproximar-se uns dos outros, ajoelhar-se, dar-se as mãos.

Há gestos que indicam compromisso, outros de bênçãos, de fraternidade, de reconciliação, de pertença, de louvor, de adoração, de partilha...

Os gestos também acompanham o uso dos símbolos. Ex.: o acender ou apagar uma vela, o colocar as alianças, o receber a eucaristia nas mãos...

O importante é que os gestos:

• comuniquem vida divina para dentro do mundo;
• provoquem compromisso com a vida;
• ajudem a celebrar laços comunitários de cada dia;
• lembrem os tantos gestos de Jesus (de cura, bênção, oração, acolhida, perdão, entrega, silêncio, doação, amizade...) que deverão ser os nossos também;
• levem a uma maior interioridade e intimidade com Deus;
• sejam bem aproveitados e celebrados em cada sacramento;
• valorizem o corpo humano, como expressão da sacramentalidade.

Olhando para cada história humana podemos vê-la carregada de gestos que são precursores de outros tantos onde se faz presente o mistério de Deus.

O importante é que cada gesto atualiza o passado, fortifica o presente e garante a memória no futuro.

Cabe à Catequese recriar gestos que dêem sentido ao cotidiano das pessoas. Os nossos gestos não se impõem de fora, mas surgem de dentro da experiência humana e religiosa vivida em base comunitária.

Ir. Marlene Bertoldi

Bibliografia
ACOSTA, J.J. Tamayo. Os Sacramentos: liturgia do próximo. São Paulo: Paulus, 1998.

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