Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Moral

AMAR É PRATICA LIBERTADORA

Na conversa que entabulamos no mês passado, trocávamos algumas idéias sobre a "gratuidade" como dimensão original e radical do amor cristão. O amor vivenciado por Jesus se caracteriza pelo despojamento e desprendimento que visa, d modo explicito, a realização plena do outro, principalmente dos mais necessitados.

Nesta linha de pensamento vamos prosseguir o nosso bate-papo. Hoje, porém, intencionamos ampliar um pouco mais a dimensão de gratuidade do amor cristão. Precisamos entender que a vivência consciente dessa forma de amar leva necessariamente à busca de transformar todas as relações em relações verdadeiramente humanas, as que têm o poder de construir e não de destruir. Neste caso, sob a ótica de Jesus, o amor é pratica libertadora.

A FONTE DAS RELAÇÕES HUMANAS

Assim, como diz Puebla, "se não chegarmos à libertação do pecado com todas as suas seduções e idolatrias; se não ajudarmos a concretizar a libertação de modo irreparável, e a mutilamos igualmente se esquecemos o eixo da evangelização libertadora, que é que transforma o homem em sujeito de seu próprio desenvolvimento individual e comunitária" (n.° 485).

Temos de convir, em vista disso, que o amor, como prática libertadora, se dilata para todas as dimensões da vida humana e compreende todos os relacionamentos. Nada fica fora do seu dinamismo para a comunhão, a justiça, a solidariedade, a fraternidade...

É a nossa experiência que confirma que a prática do amor libertador precisa acontecer concretamente em duas frentes de atuação: uma tem a dimensão das relações curtas, a outra se insere dentro de um contexto bem mais abrangente, o das relações longas. Vamos explicar o que significa esta dupla diferenciação.

RELAÇÕES CURTAS = RELAÇÕES INTERPESSOAIS

No dia-a-dia, todos estamos situados num contexto de relações curtas. Estas são as relações inter-pessoais, as que se realizam no âmbito de eu-tu-nós. É fácil de evidencia-las. Por exemplo, você, catequista se mantém diante de quem? É claro, dos catequizandos! Eis ai o exemplo de uma relação curta.

Pense agora em todas as outras relações com esta mesma dimensão que você e todas as pessoas inevitavelmente vivenciam: a família, a igreja, a escola, a rua por onde passamos, o bairro onde moramos, a associação que freqüentamos, o supermercado, as lojas, o asilo, o orfanato, o hospital, etc, em todos esses ambientes desenvolvemos as relações curtas, pois sempre estamos diante de pessoas reais, e é com elas concretamente que nos relacionamos.

· O que significa a prática libertadora do amor nessas relações?
· Que sentido tem o amor que liberta e constrói todas as relações curtas?
Encontramos a resposta para esses questionamentos no testemunho de Jesus.

O TESTEMUNHO DE JESUS

Vamos, então, abrir espaço para ouvir a sua palavra que responde as nossas interrogações.
Tenhamos como exemplo apenas duas citações:

A) A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO: "O pai disse aos servos: ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-vos com ela, ponde-lhe uma anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e festejamos, pois este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado" (Lc 15,22-24)

B) PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO: "Certo samaritano em viagem, porém, chegou junto dele, viu-o e moveu -se, cuidou de suas chagas, derramando óleo e vinho, depois colocou-o em seu próprio animal, conduziu-o à hospedaria e dispensou-lhe cuidados" ( Lc 10,33-34)

Que exemplo edificante o do pai do filho pródigo e o do bom samaritano para entender, segundo o espírito de Jesus, o que significa amar concretamente o outro que está do nosso lado ou o que aparece nos nossos caminhos, este outro que é sempre o nosso próximo.

Amar de verdade e com a intenção de libertar, é aproximar-se, é estender a mão, é ter compaixão, é dispensar cuidados, é acolher, é perdoar, é alegrar-se com o retorno...

Prezado(a) catequista, continue a conversa com os catequizandos, pois tenho certeza de que eles se sentirão atraídos pela prática do amor libertador nas relações curtas. Não se esqueça que ainda precisamos falar sobre as relações longas. Mas, este é um assunto para o próximo mês. Até lá.

Pe. Marcio Bolda da Silva
Professor de teologia Moral no ITESC

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