Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
Moral
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CLONAGEM HUMANA Hoje vamos tratar de uma problemática do campo da bioética que também está relacionada com a fase inicial da vida: A CLONAGEM. De vez em quando, jornais e telejornais trazem notícia sobre a questão da clonagem. No início deste ano, foi até noticiado com estardalhaço a produção do primeiro clone humano. A façanha acirrou ainda mais a discussão, já tão controversa, a respeito da clonagem humana. É muito oportuno, então, que abramos espaço no nosso jornal para trocarmos algumas idéias sobre esse assunto que desperta críticas e posicionamentos divergentes no mundo inteiro. Para que a compreensão de um tema tão complexo, como é o da clonagem, se torne mais clara, o nosso bate-papo hoje assume a forma de pergunta e resposta. Comecemos perguntando: Em que consiste a clonagem humana? É uma técnica da qual resultam embriões com padrão genético idêntico. Não deixa de ser uma forma de copiar um ser humano. Como se faz isso? A técnica se utiliza de dois elementos: o óvulo de uma doadora e uma célula do corpo do candidato à clonagem. Do óvulo é retirado o núcleo, pois, em seu lugar, se implanta (se funde) o núcleo da célula somática que já possui 46 cromossomos. É como se o óvulo tivesse sido fertilizado por um espermatozóide. Essa fusão só pode acontecer por meio de um estímulo (descarga elétrica) que impulsiona o óvulo a dividir-se, formando assim um embrião. Quais são os objetivos que orientam tal façanha? Atualmente, o mundo da ciência concebe a clonagem em vista de duas
finalidades. A primeira se caracteriza como clonagem terapêutica, cujo objetivo estaria direcionado à produção de células com o mesmo DNA (código genético) de outra pessoa, com fins medicinais. O que se busca aqui é a obtenção de células-tronco para o tratamento de diversas doenças. A segunda finalidade tem como meta a reprodução. Neste caso, a clonagem seria uma técnica sofisticada de reprodução assistida. Ela viria favorecer casais que não conseguem ter filhos por nenhum método (natural ou artificial) e, ainda, realizar o desejo de pessoas que gostariam de ser clonadas. O que diz a ciência a respeito de uma experiência tão revolucionária? Situar a discussão da clonagem no contexto científico é dar-se conta de que não existe consenso acerca da legitimidade e necessidade dos experimentos de clones humanos. A própria ciência se encontra dividida sobre a validade de tal procedimento. Quando o experimento é submetido à avaliação ética, os posicionamentos se confrontam em dois grupos distintos. Há cientistas que defendem a idéia de que a ciência
é uma forma de conhecimento situado numa área neutra.
Por isso, não pode sofrer nenhum tipo de intervenção
externa. Não existem barreiras para o avanço das descobertas
científicas. É tentando avançar com autonomia que
a racionalidade científica garante o progresso e a inovação
das pesquisas. Somando riscos e desvantagens, a atuação
da ciência ainda tem a seu favor um saldo positivo, pois se mostra
como atividade que está a serviço da qualidade de vida.
Por outro lado, há os que pensam que a ética deve impor limites à pesquisa científica. É muito perigoso empurrar as fronteiras do conhecimento para além do valor fundamental que lhe dá sentido e orientação, a dignidade humana. Nesta perspectiva o conhecimento científico só deve ser utilizado para servir a dignidade e a integridade do ser humano. Este limite deveria ser respeitado, pois, do contrário, o avanço científico tende a voltar-se contra a própria vida humana. E a Igreja Católica como se posiciona? A posição da Igreja se apresenta radicalmente contrária à clonagem humana. Sua condenação se dirige à clonagem como técnica, experimento e finalidade. Sob a ótica da Igreja, a clonagem fere o sentido de identidade da pessoa como ser singular e autônomo, criado à imagem e semelhança de Deus. E o que é mais inaceitável ainda é que as relações fundamentais da pessoa, tais como a consangüinidade, a filiação, o parentesco, a maternidade e a paternidade, no processo de clonagem, ficam completamente distorcidas e ofuscadas. A dignidade da procriação se vê negada e seu vínculo com o sentido de união conjugal é rompido. Além disso, não se pode esquecer que o embrião humano, desde a concepção, já possui o estatuto de pessoa, cuja dignidade deve ser respeitada sempre e nunca instrumentalizada. Pe. Márcio Bolda da Silva |
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