Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Moral

UM NOVO MANDAMENTO!

E aí, prezado(a) catequista, conseguiu despertar nos catequizandos a consciência de que, como discípulos de Jesus Cristo, pertencemos ao Reino de Deus!? Lembra-se da nossa última conversa?

No mês passado, chegamos a concluí-la acentuando que uma das finalidades da Catequese é a de fazer com que o catequizando se sinta responsável e feliz pela causa suprema que abraçou, a causa do Reino de Deus.

Hoje precisamos aprofundar um pouco mais este sentido de pertença ao Reino de Deus. Por acaso, existe algum vínculo, algum laço que nos assegure que de fato estamos pertencendo ao Reino de Deus? Como podemos ter certeza de que a nossa participação no Reino de Deus é concreta e efetiva? Qual é o sinal visível que nos dá essa garantia? Basta ser batizado? Ou, ainda, basta ir à missa aos domingos, pagar o dízimo, colocar em prática as obrigações para com a Igreja? Basta só dar bom exemplo? Afinal, que significa concretamente pertencer ao Reino de Deus?

Estamos cientes de que a resposta para todas essas perguntas se encontra no testemunho de Jesus Cristo. Já sabemos que é nesse testemunho que a nossa ética está fundada. Com os olhos fixos na Luz da qual provém o sentido maior da nossa existência, intuímos que só existe uma “atitude ética” revelada como marca que caracteriza o comportamento do discípulo de Jesus Cristo.

Esta atitude ética original só pode ser expressão do mandamento máximo, o que sintetiza todos os outros mandamentos, todas as leis, todas as regras e normas. Segundo as palavras de Jesus:

“Dou-vos um mandamento novo, que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13, 34-35).

AMAR COMO JESUS AMOU

Não tem como vacilar diante das palavras de Jesus. Seremos conhecidos, marcaremos presença, teremos certeza de pertencer ao Reino de Deus pela nossa abertura e disposição de colocar em prática o mandamento novo. Isto quer dizer que “tudo” (pensamentos, palavras, gestos, atos, intenções, atitudes) é e será medido pela nossa capacidade de amar. Entretanto, é bom esclarecer que quando falamos de amor, isto significa concretamente amar como Jesus amou.

Quando empregamos a palavra amor, muito mais ainda quando procuramos identificar nos comportamentos das pessoas gestos de amor, podemos entendê-lo de forma genérica ou até confundi-lo com atitudes suspeitas. Por exemplo, o amor, às vezes, é confundido com o ciúme, com o domínio e a posse sobre o outro. Quantas vezes já escutamos por aí o dito popular “por amor também se mata”.

É muito comum confundir o amor com o fazer sexo sem nenhum tipo de compromisso. Há o amor que se confunde com a superproteção, por sinal, muito freqüente no relacionamento entre pais e filhos. Encontramos também falsas atitudes de amor que no fundo nada mais são do que reflexo de imposição, de censura e discriminação, de violência e injustiça contra os direitos inalienáveis do ser humano.

O que é mais questionante ainda é a própria engrenagem do nosso mundo consumista que se alimenta de atitudes e comportamentos que visam simplesmente “lucrar”, nada mais do que isso, apenas “lucrar”...

O MANDAMENTO NOVO

O mandamento novo proclamado por Jesus é original, porque nos remete à origem, à verdadeira e inesgotável fonte do amor, Deus e sua capacidade infinita de amar. É o testemunho de Jesus que nos confirma que não existem barreiras, fronteiras, limites para o amor infinito de Deus.

O que caracteriza concretamente este amor é a gratuidade.  Na dinâmica do amor gratuito, o interesse, o lucro, a recompensa, o mérito não estão presentes.

Segundo Jesus, somos convidados a amar simplesmente porque se quer o bem do outro e de toda a sociedade, sem esperar nada em troca. “Este é o meu preceito: amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15, 12-13).

Que proposta desafiadora! Não vale a pena conversar com os catequizandos a respeito desse sentido de gratuidade que identifica o amor cristão!?

Pe. Márcio Bolda da Silva
Professor de Teologia Moral no ITESC

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