Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Teologia - Moral

Se você se motivou a discutir com o seu grupo de catequese essa questão, deve ter percebido que encontramos dificuldades para definir o que é o bem. Não só isso, como também nos damos conta de que é uma questão muito controversa, pois as opiniões e interpretações divergem na elucidação do conceito de bem.

No debate que você realizou, talvez apareceram estas divergências. Mas isso não nos deve intimidar, porque elas são reflexo da sociedade, do mundo em que vivemos...

Nem todos partem do mesmo pressuposto quando se coloca em questão a definição de bem. Coisa que não faremos, mas se procurássemos entrar no âmbito filosófico, perceberíamos como a reflexão ética se vê dividida em correntes rivais quando o desafio é este de conceituar o que é “o bem”. É certo, portanto, que se existem diferentes morais é por que existem diferentes conceitos de bem.

Esta constatação é muito clara no mundo atual. Se ficarmos atentos às motivações que as pessoas dão para legitimar seus comportamentos, observaremos que, em última instância, elas se deixam guiar por um critério que lhes serve como “boa” razão, “bom” motivo para agir desse ou daquele modo.

Vamos tentar agora configurar esses diferentes modos de agir. Bem esclarecida, a pessoa age de determinada maneira porque tem em vista a busca de algo considerado bom, precioso, valoroso... Em uma palavra, está em busca do que compreende como “bem”.

Começamos pelos que exaltam o prazer, os “hedonistas”. Sob esta ótica, a pessoa vive para satisfazer sua ânsia de prazer. Na esteira do desejo incontido de gozar a vida, deverá manter-se de olhos fitos para as coisas que lhe possam assegurar o máximo de prazer: comida, bebida, sexo, dinheiro...

Há os que se deixam guiar pelo critério da felicidade, os eudemonistas. Existencialmente, quem não luta pela possibilidade de ser feliz? Após a experiência da derrota, do fracasso, do problema superado, as pessoas se motivam a recomeçar, tendo como perspectiva de vida o sonho da felicidade. Sendo assim, alguns acreditam que a felicidade, tanto no plano individual como no coletivo, é o bem supremo que deveria pautar a ação moral, ou seja, o comportamento tido como bom.

Outros pensam de modo bem diferente. Consideram que é o poder o fator condicionante da vida moral.

Quantas vezes já escutamos expressões como:
“querer é poder”, “o mundo é dos fortes”, “se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Neste caso, a vontade de domínio, a vontade de poder devem sobrepor-se a qualquer outro valor ou interesse. Dentro dessa lógica, é como se vivêssemos em um campo dominado por forças que se chocam e as mais fortes e prepotentes conseguem se impor na área econômica, política, social...

Existe, ainda, um outro ponto de vista, muito presente na mentalidade popular. Algumas pessoas são da opinião de que a liberdade é o valor maior da vida moral. Em certas circunstâncias, a liberdade é experienciada e identificada com a atitude de fazer o que bem se entende, o que a cada um apetece. Freqüentemente se escuta a expressão: “cada um é dono do seu nariz”. Isso significa que, ser livre, é seguir os ditames da própria consciência, sem contar muito com as interferências exteriores.

Outras interpretações poderiam ser acrescentadas a esta lista. Mas, antes de encerrar, gostaria de sugerir que se retomasse com os catequizandos a conversa sobre a questão central da vida e da reflexão ética (o sentido de bem).

Agora a discussão deve tomar a direção de um certo posicionamento.

Abrindo a perspectiva mais específica da Catequese, já se poderia questionar:

Desejo que o debate que você vai motivar seja frutuoso. Procure também despertar nas crianças, nos jovens e nos adultos o interesse pelas problemáticas morais que acompanham a nossa vida.
Meu abraço fraterno.

Pe. Márcio Bolda da Silva
Prof.de moral no ITESC - SC

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