Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Teologia - Igreja e Reino de Deus


Uma das passagens mais citadas dos Atos dos Apóstolos é o retrato das primeiras comunidades cristãs, em que se constata que elas eram perseverantes na doutrina dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações (At 2,42). Em uma palavra, se poderia dizer que eram perseverantes na celebração eucarística. De fato, na Eucaristia, se encontram os quatro elementos citados:

PALAVRA - FRATERNIDADE - PARTILHA - ORAÇÃO

As primeiras comunidades cristãs eram comunidades eucarísticas. Como se sabe, a palavra “Eucaristia” significa ação de graças. Era, pois, a Igreja primitiva uma Igreja da gratidão, do louvor e da bênção, sempre e totalmente voltada a seu Senhor, de quem somente recebia a graça do chamado para a comunhão.

EUCARISTIA E COMUNHÃO

Esta marca eucarística é tão forte e necessária para a vida da Igreja, que, no decorrer desses dois milênios, foi diversas vezes acentuada demais, levando a exageros. Um deles é a insistência em missa para tudo quanto é ocasião (sétimo dia, formatura, bodas, confraternizações natalinas, etc.). Esquece-se que a Eucaristia é mistério a ser celebrado por pessoas que, de fato, vivem em comunhão e entendem o que celebram.

Estas comemorações podem ser mais bem vivenciadas com uma Celebração da Palavra, uma vez que é a Palavra de Deus que primeiramente reúne, chama e desperta as pessoas para a vida em Deus.

As ocasiões citadas deveriam ser aproveitadas, isso sim, para um momento prévio de evangelização e catequese, através de uma Celebração da Palavra que leve à vida comunitária, à missão e à solidariedade.

EUCARISTIA E SOLIDARIEDADE

Outro exagero é a insistência na adoração da hóstia, com estímulos ao olhar e aos joelhos! Gestos como elevações demoradas e afetadas, procissões durante a missa, cantos após a consagração, etc., incentivam demais a adoração, em detrimento da comunhão, da partilha e da solidariedade. Certamente, a Eucaristia é para ser adorada; mas, na intenção de Jesus, ao instituí-la na última ceia, antecipando sua entrega na cruz, a Eucaristia é para ser comida e partilhada. Não é litúrgico, nem teológico, nem místico, fazer da ceia do Senhor um show, fazer da cruz do Senhor um espetáculo!

A Eucaristia, que é pão da vida e sangue da salvação, deve estimular mais a boca (com a qual saciamos nossa fome) e as mãos (com as quais matamos a fome do próximo). Aquilo que comemos, que recebemos de Deus, transforma-se em nós, nos fortalece o espírito e o corpo, para que possamos melhor servir aos irmãos e irmãs, sobretudo os doentes, carentes e marginalizados. Saciamo-nos da fome de Deus, para saciar aos outros de sua fome de pão. Fazemos de nossa vida um altar, uma cruz, em que entregamos suor, esforços e sacrifícios, para que outros tenham vida.

EUCARISTIA: SACRAMENTO PRIMORDIAL

A reflexão que estamos fazendo sobre a Igreja do novo milênio é uma boa oportunidade para nos analisarmos sobre esta marca eucarística da Igreja e retomarmos as grandes verdades doutrinais sobre a Eucaristia.

Desde os primeiros tempos, os cristãos têm consciência da íntima relação que existe entre Igreja e Eucaristia. Uma frase muito comum dessa relação diz: “a Igreja faz a Eucaristia; a Eucaristia faz a Igreja”. A palavra “Igreja” vem do grego “ekklesía” e significa assembléia, convocação, congregação de pessoas reunidas em torno a um objetivo comum.

Para simbolizar esta comunhão, a Igreja faz, em nome de Cristo, a Eucaristia. Esta é, por isso, o sacramento primordial da Igreja, a fonte e o ápice da liturgia cristã, o centro de toda a vida em Cristo.

Ao fazer a Eucaristia, a Igreja se mostra ao mundo como sinal e instrumento da comunhão de todos entre si e com Deus, gérmen do Reino da paz e da justiça, semente da nova sociedade, banquete eucarístico do Reino de Deus, onde todos tenham as condições espirituais e materiais necessárias para viver na dignidade de filhos e filhas de Deus.

Pe. Vitor G. Feller

PARA REFLETIR

1.º De que modo, desvirtuamos hoje a relação entre Igreja e Eucaristia?

2.º De que modo a catequese pode ajudar nossas comunidades a serem mais eucarísticas?

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