Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Catequese "MISSÃO JOVEM"
Teologia - Igreja e Reino de Deus
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O chamado não é para alguns, mas para todos. Com efeito, lemos em At 2,39 que a promessa do Espírito Santo não é somente para os filhos de Israel, mas para todos os que estão longe e, mais ainda, para todos os que o Senhor chamar, independentemente de raça, cultura ou religião. O fato de os discípulos de Jesus passarem a ser chamados de cristãos, em Antioquia (At 11,26), revela também uma vocação: ser e viver como o Cristo. Há também alguns chamados específicos. Lembremos os de Pedro e de Paulo. Através de uma visão, por meio de um anjo, o Senhor manda Cornélio chamar Pedro à sua casa, para iniciar assim a evangelização dos pagãos (At 10,5; 11,13). O Espírito Santo pede que Paulo e Barnabé sejam separados para a obra a que os havia chamado (At 13,2). O chamado, a vocação, é uma das características das primeiras comunidades cristãs. Ninguém é o primeiro responsável da Igreja. Ela é resultado da obra salvífica de Deus, e não da iniciativa humana. O primeiro e único responsável da Igreja é o próprio Senhor, que, gratuitamente, chama os que ele quer para fazerem parte de sua obra e para colaborarem na expansão e realização de seu projeto. A Igreja não é povo de cobranças, de eficiência, de busca pelo sucesso, como se tivesse que dar conta de resultados. A Igreja não deve nada a ninguém, só a Deus. Os membros da Igreja não devem nada a ninguém. Pois são livres e gratuitamente chamados pelo próprio Senhor, que já fez a sua parte, que já deu a sua vida, que já nos garantiu a salvação. Nossa única dívida é, pois, com o Senhor. Mas o Senhor não nos trata como devedores e sim como colaboradores. Nesse sentido, trabalhar na Igreja é uma graça. A ALEGRIA DE SER CHAMADO Por isso, os primeiros cristãos eram um povo alegre. A alegria transborda na vida das primeiras comunidades. Aí, tudo respira alegria (ver At 2,46; 8,8; 13,52; 14,17; 16,34). Eles ficavam alegres quando podiam dar testemunho do Senhor, quando se sentiam chamados à missão, até quando tinham a graça de ser perseguidos em nome do Evangelho. Um dos grandes pecados da Igreja de hoje está no fato de muitos cristãos, a começar pelos seus líderes, sentirem a vocação como peso e não como graça. Há quem se sinta por demais atarefado, com a agenda cheia, como se fosse o responsável pela salvação do mundo. As correrias do apostolado e os compromissos da agenda são vividos por muitos com a amargura do cansaço, a tristeza pelos fracassos, com rosto carrancudo e coração azedo. A vocação se torna peso! Não estaria aí um dos obstáculos para o aumento do número de vocações? Qual jovem se sentiria atraído e fascinado pela Igreja e pelo Senhor, quando vê padres e catequistas, diáconos e lideranças, sempre a reclamarem de muitas tarefas, do peso da vida e dos insucessos do ministério? Pior, quando os vê divididos, isolados, como caramujos a carregarem uma pesada casa às costas, como se a Igreja fosse sua! Não estaria na hora de aproveitar a mística do novo milênio e retomar a vocação como graça, como convite gratuito que o Senhor nos faz para podermos, na liberdade, colaborar com sua obra? CHAMADOS PARA A COMUNHÃO QUE SALVA Quem é chamado, é chamado para a comunhão. O vocacionado, qualquer que seja sua condição e missão, é alguém que se liberta da dolorosa solidão e da insatisfação de estar entregue a si mesmo e entra em comunhão com o Tu pessoal de Deus e dos seus irmãos e irmãs. Sua existência fragmentária e esfacelada se completa: é a salvação se iniciando já aqui. A Igreja é precisamente o povo dessas pessoas: convocadas, congregadas e, por isso, libertas da solidão e do egoísmo. Pe. Vitor G. Feller PARA REFLETIR: 1 - Em que medida nossa vocação é vivida como alegria ou como peso? 2 - A maneira como vivemos nossa vocação
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