Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Teologia - Igreja e Reino de Deus

IGREJA: COMUNIDADE DA PALAVRA

Muitíssimas vezes aparece no livro dos Atos dos Apóstolos o vocábulo “Palavra”, para se referir à palavra divina, à vontade salvífica, ao projeto de Deus anunciado ao povo de Israel e cumprido em Jesus Cristo. Da Palavra de Deus se diz que ela crescia e se multiplicava, que era anunciada com coragem, em todas as partes, no meio de perseguições, no Templo e sobretudo nas casas, que ela convertia os corações, que transformava a vida da comunidade, que o seu anúncio era motivo de alegria.

É preciso lembrar que os discípulos e discípulas de Jesus ainda não tinham a Bíblia, como a temos nós hoje. Naquela época, os livros do Antigo Testamento ainda não estavam reunidos num só bloco e os do Novo Testamento ainda não haviam sido escritos.

A Palavra de Deus estava no seu coração e na sua mente. Eles a conheciam da vida de suas famílias judaicas, onde a Palavra de Deus era ensinada, rezada e vivida de geração em geração. Eles a lembravam da convivência com Jesus de Nazaré. Eles a comentavam, rezavam, viviam nas suas comunidades Eles não punham nada à frente da Palavra, nada que ocupasse o lugar central da Palavra. Anunciá-la com coragem, e vivê-la em comunidade e em meio a perseguições, era motivo da maior alegria.

A Palavra no centro de tudo

Depois de dois mil anos de cristianismo, muita coisa foi se acumulando em nossa vida de fé: devoções, rituais, documentos, instituições, objetos. Muitas vezes essas coisas são por demais valorizadas tirando o lugar central da Palavra de Deus. Palavra que se fez carne, gente, história, em Jesus de Nazaré. Quantas vezes essa Palavra, que é o próprio Jesus, fica pra trás! Há pessoas e grupos que deixam de lado a Palavra de Deus e põem na sua frente muitas outras coisas: a reza do terço, a devoção das nove primeiras sextas-feiras, o culto a um título de Maria, a veneração a um padroeiro, a romaria a algum santuário, o uso de uma medalha, a pertença a um movimento, a insistência em uma orientação pastoral, a obediência a uma norma canônica, a celebração de uma missa-show. Tudo coisas mais ou menos importantes. Mas, nenhuma é central para a fé. Nenhuma delas salva. Nenhuma é sacramento da comunicação de Deus com o ser humano.

Para os primeiros cristãos, a Palavra de Deus estava no centro de tudo. Eles viviam anunciando a Palavra. Onde ela era bem acolhida, transformava, renovava, libertava, com resultados impressionantes (At 2,41; 13,12). Em pouquíssimo tempo, cerca de trinta anos, o número dos seguidores de Jesus passou de 120 para 3 mil, depois para 5 mil, até chegar a multidões, pipocando o mundo da época com pequenas comunidades, alcançando todas as importantes cidades do mundo então conhecido. Foram trinta anos de difusão entusiasta e corajosa da Palavra de Deus. Nas realidades onde vivemos, sobretudo urbanas, em que a população cresce de modo extraordinário, em bairros e em edifícios inumeráveis, fica o desafio de criarmos comunidades, grupos de reflexão, pipocando nossas cidades com igrejas, centros comunitários, casas de oração, em que a Palavra é anunciada e vivida.

A Palavra se faz comunidade

Às vezes, em lugar do vocábulo “Palavra de Deus”, os missionários usavam a expressão “Reino de Deus”, ou anunciavam e explicitavam o nome, o ministério, a vida e a morte de Jesus de Nazaré. Com isso,queriam significar que a Palavra de Deus tem de se fazer história, sociedade, comunidade, tem que transformar-se em justiça, solidariedade, tem de criar condições mínimas de vida digna. Por isso, o Reino de Deus é sintetizado na vida das primeiras comunidades cristãs: entre eles tudo era comum, não havia necessitados, repartiam o pão pelas casas, eram um só coração e uma só alma (At 2,42-47; 4,32-35; 5,12-16).

Não era, pois, uma Palavra vazia, mas encarnada, situada. A Palavra feita carne em Jesus de Nazaré, agora fazia-se carne na vida dos primeiros cristãos. Do mesmo modo como Jesus, também os discípulos e discípulas pregavam a Palavra, andavam de cidade em cidade, faziam milagres, eram perseguidos, muitos foram assassinados. Ser cristão era refazer na própria vida o Caminho de Jesus, ser um outro Jesus.

Pe. Vitor G. Feller

PARA REFLETIR

1. Como nossa catequese e nossas comunidades vivem a Palavra?

2. Podemos ainda testemunhar que ela está à frente de tudo em nossa vida cristã?
Por que sim? Por que não?

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