Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Teologia - Igreja e Reino de Deus

IGREJA DE TODOS OS POVOS

Uma das características da Igreja é sua universalidade. Quando dizemos que a Igreja é católica, estamos, de fato, dizendo que ela é universal, aberta a todos os povos e culturas. O termo católico vem do grego kata hólon, que significa conforme o todo, aberto ao todo. O advérbio todo, no singular e no plural, no masculino e no feminino, se faz sempre presente. A Igreja de Cristo é católica não somente porque está aberta a todos os povos, mas também porque contém todos os dados da revelação, aceita todas as maneiras possíveis para a expressão de sua fé, usa de todos os meios para a obra da evangelização, tem uma palavra a dizer sobre todos os âmbitos da vida humana.

A proposta de Jesus e do Espírito Santo

Jesus pregou às multidões, convidou todo tipo de pessoas para seu discipulado, dialogou com pessoas e grupos fora da religião judaica, passou na terra fazendo o bem a quem quer que fosse, independemente de raça, cultura e religião. Ensinou o amor universal, indicando como ponto de partida o amor aos mais carentes. Deu a vida por toda a humanidade, para que ninguém mais, nenhum de seus irmãos e irmãs, precisasse ser sacrificado na luta pela vida.

Por sua vez, o Espírito do Cristo ressuscitado foi derramado sobre pessoas de diversas proveniências. O autor do livro dos Atos dos Apóstolos faz questão de abrir o mapa e mostrar que, no grupo dos que receberam o Espírito Santo, havia gente do norte e do sul, do leste e do oeste, de todos os cantos da terra. A atividade missionária das primeiras comunidades cristãs alcançou em poucos anos todos os povos e culturas do mundo então conhecido. O evento de Pentecostes confirma o desejo de Deus Criador de que haja diversidade de línguas no mundo. Já no episódio antigo da torre de Babel, o orgulho dos poderosos pretendia que todo mundo falasse a mesma língua deles e lhes fosse submisso. E Deus os confundiu, insistindo que era do seu desejo a existência da diversidade de línguas e culturas, na vivacidade e beleza de cada uma. Em Pentecostes, essa diversidade está presente e é valorizada pelo Espírito criador da nova humanidade.

O desafio dos tempos atuais

Ao propor o projeto de evangelização “Ser Igreja no Novo Milênio”, a Igreja no Brasil pretende voltar aos primeiros tempos do cristianismo, em uma volta às fontes que lhe facilite o encontro com sua própria identidade. A leitura dos Atos dos Apóstolos está ajudando nossas comunidades a perceber a necessidade de sermos, como os primeiros cristãos, disponíveis para o encontro e o diálogo com todas as expressões humanas.

Nos tempos atuais, em que vai ficando cada vez mais claro o desafio da convivência pacífica entre povos de diferentes religiões e línguas, é urgente uma nova compreensão da Igreja, na linha da tolerância, do diálogo, da paz. Embora a história mostre que boa parte das guerras tem raízes religiosas, deve-se insistir que nenhuma religião prega a guerra e o terror, o ódio e a intolerância. Mas é também verdade que o fanatismo e o fundamentalismo, nascidos em ambientes de perversão religiosa, têm provocado, sim, sérios problemas em toda a história da humanidade. Para sermos claros, também os cristãos, também os católicos, temos praticado, mais no passado que atualmente, atos de intolerância e exclusão contra quem pensasse e cresse de modo diverso do nosso.

Hoje, porém, a intolerância é inconcebível nos corações e nas comunidades cristãs. Uma nova leitura da Bíblia, que se concentre na vontade salvífica universal de Deus Pai, na prática misericordiosa de Jesus e na presença e atuação reconciliadoras do Espírito Santo, tem ajudado os cristãos a perceber a urgência de uma nova postura. No Concílio Vaticano II (1962-1965), foi publicado um decreto intitulado Nostra Aetate (Em nossa época), sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs. Constatando que nos tempos atuais, “o gênero humano dia a dia se une mais estreitamente e se ampliam as relações entre os diversos povos”, a Igreja se lança ao desafio do diálogo. Nisso, ela percebe os sinais dos tempos, sinais claros que o próprio Deus lhe mostra, como argumento convincente, de que ela deverá se renovar e voltar às suas origens, quando, no Cristo e no Espírito, ela foi pensada pelo Pai para ser Igreja de todos os povos.

Pe. Vitor G. Felle

Refletindo:

1. Como acolhemos, em nossas comunidades, as diferenças de culturas e religiões?

2. O que fazer para que a Igreja seja mais aberta a todos os povos?

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