Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Atualidades - Ásia

pós dois meses dos desastres que as “Ondas Gigantes” fizeram na Ásia, o trabalho de reconstrução já toma corpo e um projeto mais elaborado, numa parceria daqueles que sobreviveram com a comunidade internacional, possibilita o empenho dos países que prometeram sua ajuda. Neste período em que se discutiam as causas deste fenômeno, os investimentos que deveriam ser feitos, os estragos que foram causados, umemergrupo de voluntários não perdeu tempo.

Imediatamente foram levantar os que estavam caídos e a partir daí, juntos, começaram a reconstrução. Eles fazem parte da organização Médicos Sem Fronteiras, e já somam mais de 200 voluntários presentes nos países afetados pelas tsunamis. Ninguém melhor do que eles para nos contar como anda a reconstrução destes países asiáticos.

Redação Missão Jovem

RELATO DAS TESTEMUNHAS DE MSF

As primeiras atividades de Médicos Sem Fronteiras nos países afetados foram realizadas por nossas equipes que já estavam na região. Outras equipes, provenientes de vários países, logo foram enviadas juntamente com toneladas de equipamentos de saúde e outros materiais importantes para a ajuda humanitária. O primeiro impacto que nossas equipes tiveram, diante dos hospitais abarrotados de feridos, dos desabrigados e deslocados, do número de corpos nas ruas, foi que a Malária e a dengue pudessem vir a ser graves problemas.

Também a dessalinização da água nos preocupava, pois a água salgada contaminou os reservatórios de água potável, pelo menos em alguns países. Pensando na avaliação e envio de mais profissionais de MSF, logo foram enviadas equipes para países como: Sri Lanka, Tailândia, Malásia, Myanmar, Índia, entre outros.

DE MÃOS DADAS

Ao chegarmos nos locais afetados, principalmente naque-les de difíceis acesso, encontramos os profissionais de saúde locais dando o máximo de si. Prova disso é que em Aceh e no Sri Lanka, onde a catástrofe resultou numa grande quantidade de mortos, bem como numa destruição material enorme, eles foram bastante ágeis ao prestar assistência aos sobreviventes, o que resultou em muitas vidas salvas. Nossa organização teve a alegria de poder ver a força de outras organizações que colaboraram na ajuda ao povo asiático.

Um deles foi a organização Greenpeace. Trabalhamos juntos logo na primeira semana após o desastre, motivo pelo qual pudemos ajudar tantas pessoas que estavam em lugares de difícil acesso. No dia 03 de janeiro, sete dias depois das tsunamis, o navio “Rainbow Warrior”, do Greenpeace, com sua tripulação, partiu para Aceh, no norte de Sumatra, transportando equipamentos, comida, combustível, suprimentos de saúde e profissionais de ajuda humanitária.

Afirmações como a do diretor executivo do Greenpeace, Gerd Leipold, dificilmente iremos esquecer nesta parceria pela vida:

“Queremos fazer o que for possível para oferecer ajuda humanitária e apoio médico para as áreas mais devastadas. Com isso esperamos contribuir com os esforços mundiais para o alívio desta trágica situação”.

CONTRIBUIÇÕES MUNDIAIS

Uma atitude que não podemos esquecer é a de cada doador espalhado por este imenso planeta, que se sensibilizou com o sofrimento do povo asiático. O MSF, por meio de seus escritórios em todo o mundo, recebeu uma quantidade extraordinária de apoio às vítimas, um valor que, até início de fevereiro, chegava a 90 milhões de euros.

Embora comprometidos em continuar oferecendo, no futuro, assistência às vítimas das tsunamis em Aceh e em outras regiões afetadas, as doações recebidas ultrapassam as nossas previsões de gasto. Por isso, o MSF já começou a contatar os doadores pedindo que desvinculem suas contribuições da tragédia da Ásia para que o MSF possa responder a outras crises humanitárias emergenciais, como a de Darfur, no Sudão, ou a da República, Democrática do Congo.

MUITA COISA A FAZER

Com um pouco mais de um mês após a tragédia, o MSF publicou um relatório completo das atividades de ajuda humanitária. Desde o início das operações, mais de 200 profissionais e cerca de 600 toneladas de suprimentos foram enviados para a região. Embora se tenha feito muita coisa com a ajuda de outras organizações e das autoridades da saúde locais, ainda é preciso fazer mais.

ÁGUA POTÁVEL

Como dito antes, muitos reservatórios foram inundados com água salgada. Internacionalmente foram enviados galões de água potável, bem como enormes reservatórios de água foram trazidos por navio. O próprio MSF alugou um cargueiro para levar tanques de água, tubulações e reservatórios para Lamno, na costa oeste de Aceh.

CASOS DE TÉTANO

Até o momento, pouco mais de 60 casos de tétano foram confirmados na região de Aceh. Já iniciamos uma campanha de prevenção e estamos oferecendo as doses necessárias da vacina contra a doença, que tem um alto índice de mortalidade.

Contudo, este número pode aumentar, já que o período de incubação do tétano é de três semanas. Os casos confirmados parecem estar concentrados em pessoas que se feriram durante as tsunamis e não naquelas que apresentaram ferimentos durante o trabalho de limpeza.

SAÚDE MENTAL

Embora haja a preocupação com as patologias mais comuns como infecções respiratórias, doenças de pele, diarréia e ferimentos, o MSF constatou que o problema mais grave nos locais afetados é o trauma psicológico. Os pacientes que chegam aos psicólogos do MSF apresentam crises epiléticas, stress psicossomático e sintomas de psicose e depressão profunda. A realidade que os sobreviventes acompanharam após a tragédia: pessoas mortas, suas casas destruídas, familiares desaparecidos, nunca mais sairão de suas lembranças.

CONTINUAMOS A SOLIDARIEDADE

Médicos Sem Fronteiras continua e continuará ajudando este povo. Nossas equipes continuam avaliando formas de se oferecer uma assistência mais apropriada para que as famílias mais afetadas possam reconquistar sua independência. O mundo também continua ajudando, seja através dos suprimentos que chegam ou das verbas destinadas pelos governos de cada país. É preciso sermos solidários. Agora com a Ásia, amanhã com quem precisar.

Os dados se referem ao início do mês de fevereiro
Flávio Guilherme
Assessor de Imprensa da Organização MSF
no Brasil press@msf.org.br

PARA REFLETIR

1. Você conhece o MSF? Quais são os serviços que vem prestando à comunidade mundial?

2. Sua comunidade procurou realizar atividades em favor dos povos atingidos pelas “ondas gigantes”?

3. Quais reflexões e atitudes sugere a grave catástrofe das “tsunamis”?

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