Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Atualidades - Africa

Desastre insuportável

Angola é certamente um país simpático para o Brasil. Gostaríamos que fosse cheio de felicidades. Mas é triste o que está acontecendo lá: uma guerra fraticida. Na imprensa lemos que lá acontece um “auto-genocídio”.

O país já é pobre e a guerra civil acentua ainda mais esta situação. Na lista da ONU, entre 174 países, a Angola estava em 156º lugar. Agora regrediu ainda mais: está 160º lugar. E o pior é que a situação está piorando a cada dia.

Os angolanos não podem contar com esperança de vida longa. A média de vida é de 42 anos. Mais da metade da população está com menos de 18 anos. Pessoas com idade e experientes são cada vez mais difíceis de serem encontradas. A mortalidade infantil é pavorosa. Morrem 170 crianças entre mil já ao nascer. Mais de 300 entre mil morrem antes dos cinco anos. São números astronômicos, tratando-se de estatísticas deste gênero.

A alimentação é muito precária. Quase 17% das crianças vivem subnutridas. Nos últimos 25 a 30 anos a situação vai indo de mal a pior. Além disso, o país está enfrentando um acentuado surto de poliomilite, talvez o mais preocupante de todo continente africano.

Mais de 80% da população está condenada a viver na pobreza. Dois terços da população não têm acesso a nenhum tipo de saúde, não encontra água potável, não dispõe de instalações sanitárias... Pelo que dizem as informações atuais, três milhões e meio de pessoas dependem de assistência alimentar diária. Falar em desemprego é tocar numa ferida generalizada: atinge mais de 80% da população.

E o que dizer dos terríveis acontecimentos? Minas antipessoais infestam o solo em grande quantidade, e novos guerrilheiros não param de colocar outras. Situação pior somente é constatada no Camboja.

A guerra angolana destruiu tudo o que podia destruir. É uma das maiores tragédias da história. Primeiro destruíram as pontes, as estradas, as linhas férreas, as comunicações... Depois passaram a liquidar as cidades. A fase atual não poderia ser pior: estão aniquilando as pessoas! Lá se vai a liberdade, a esperança, a dignidade, a família, a memória histórica do grupo, os valores culturais, a religião.

Já se fala que Angola não é mais um país, passaria a ser uma designação geográfica para um desastre insuportável.

Os partidos em guerra são dois. Mas, está cada vez mais evidente que trata-se de duas facções corruptas, totalitárias e violentas. A guerra para eles é necessária para continuarem a exploração dos recursos que essa terra ainda dispõe. A guerra é financiada com as próprias riquezas tiradas dos angolanos. Assim, enquanto poucos se aproveitam da situação, a maioria vai morrendo à mingua.

Que dizer? Há esperança?

Tudo é muito difícil, mas há sinais de que estão surgindo agentes dinâmicos que lutam contra essa morte prolongada. Há grupos de direitos humanos, organizações não governamentais, e a própria ação da Igreja... São vozes corajosas, confiantes, que um dia serão ouvidas. Oxalá esse dia não demore a surgir no horizonte angolano!

Pe. Fabiano Kachel - Verbo-NAM

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