Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Celebração

Amor incondicional

Animador: Neste ano a Campanha da Fraternidade está voltada para o grave problema das drogas. O problema, que vem afetando dramaticamente milhares de pessoas, nos leva a refletir e agir com urgência em favor da dignidade humana. A Igreja, mais uma vez, toca numa grande ferida da sociedade.
Para introduzirmos melhor nossa reflexão e oração sobre este problema de enormes proporções, vamos cantar juntos o canto da Campanha da Fraternidade:

Canto: Ó Senhor, nós queremos a vida

NOSSO PERDÃO

Animador: Na caminhada da vida, muitas pessoas são derrubadas pelas drogas. Sua queda nos interpela como um pedido de socorro. Mas quando nós permitimos, por omissão ou indiferença, que um ser humano sofra e fique entregue à própria sorte, estamos negando, na prática, o valor da vida humana que afirmamos em tantos discursos.

Por isso, peçamos perdão, cantando:

Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

O AMOR DE DEUS

Animador: Para Deus todos nós temos nome e uma história por ele conhecida e acompanhada. Deus ama incondicionalmente cada pessoa. Vamos ouvir algumas afirmações em que Deus expressa esse seu amor pela pessoa humana:

Leitor 1: “Mesmo que as montanhas oscilassem e as colinas abalassem, jamais o meu amor te abandonará” (Is 54,10).

Leitor 2: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que o amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu nunca te esqueceria” (Is 49, 15).

Leitor 3: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. O mercenário, que não é pastor, e as ovelhas não são suas, quando vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e sai correndo. Então o lobo ataca e dispersa as ovelhas. O mercenário foge porque trabalha só por dinheiro, e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor: conheço minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou a vida pelas ovelhas” (Jo 10, 11-13).

AMOR NA FAMÍLIA

Animador: Vamos ouvir também uma história que nos mostra o amor vivido numa família, que teve um caso de dependente de drogas.

(Ler o texto ao lado: “Um caso entre tantos outros”)

REFLETINDO

  1. Comparar as afirmações de Isaías, de Jesus e a atitude desta família. Quais as semelhanças?
  2. Que outros exemplos da vida, no que diz respeito ao problema das drogas, poderíamos citar?
  3. Como viver a mensagem do Bom Pastor com as pessoas dependentes de droga?


PRECES ESPONTÂNEAS

Canto:

SOLIDARIEDADE OU INDIVIDUALISMO

Animador: O relacionamento entre as pessoas pode ser carinhoso, amigável, fraterno, mas também pode ser mesquinho, egoísta, carregado de inveja, ciúme e vingança. Podemos viver unidos por laços de solidariedade ou de concorrência. Esta traz consigo desconfiança mútua e competição, aquela traz justiça e partilha. A oração do Pai Nosso nos ensina o primeiro caminho: o do amor incondicional. Por isso, de mãos dadas, rezemos a linda oração do Pai Nosso.

Agir

Discutir a realização, individualmente ou em grupo, de algo concreto a ser realizado durante a Campanha da Fraternidade.

TODOS: Seguindo os passos de Jesus e olhando o próximo com o seu olhar, nos empenhamos na construção de um mundo onde o ser humano encontre a felicidade e não precise mais buscar nas drogas o prazer ilusório. Pedimos ao nosso bom Deus que ajude a todos que se encontram no desespero do vício e lhes dê auto-estima e força para saírem do engano das drogas e reconstruírem uma vida digna de filhos de Deus. Amém.

Abraço da paz

Um caso entre tantos outros

Imagino a raiva que têm de mim. Sim, fui muito ingrata com vocês. Larguei os estudos, tornei-me uma viciada, desapareci. Vim para São Paulo com um amigo e, aqui, passei a viver de pequenos expedientes. Na verdade, afundei-me na lama.

O fato é que, agora, estou na pior. Peguei Aids. O que temo não é a morte. Ela é inevitável para todos nós. Tenho medo é de ficar sozinha. Preciso de vocês. Mas também sei que os maltratei muito e posso entender que queiram manter distância de mim. Cada um na sua!

É muito cinismo da minha parte vir, agora, pedir socorro. Mas, sei lá, alguma coisa dentro de mim dá forças para que eu escreva esta carta. Nem que seja para saberem que estou no início do fim.

Um dia qualquer, passarei aí, em frente de casa, só para dar um último adeus com o olhar. Se por acaso tiverem interesse que eu entre, numa boa, prendam, à goiabeira do jardim, um pano branco ou um toalha de rosto. Então, pode ser que eu crie coragem e dê um alô. Caso contrário, entendo que vocês têm todo o direito de não querer carregar essa mala pesada e sem alça na qual me transformei. Irei em frente, sem bater à porta, esperando em Deus. Que, um dia, a gente se reencontre no outro lado da vida.

Beijos da filha ingrata, mas que ainda guarda, no fundo do coração, muito amor.

Clara

Três semanas depois, antes das cinco horas da manhã, Clara desembarca na rodoviária e toma um ônibus para a Praia do Canto. É quinta-feira, e o vento sul começa a aplacar o calor. Clara desce da esquina e caminha, temerosa, pelo outro lado da rua. Sabe que, a essa hora, seus pais e as duas irmãs costumam estar dormindo.

Ao decifrar a ponta do telhado, seu coração acelera. Olha o portão de ferro esmaltado de preto, as grades em lança que marcam o limite entre a casa e a calçada. Vislumbra o cume da goiabeira. Seus olhos se enchem de lágrimas. De repente, uma coisa branca quebra o antigo cenário. Não é uma toalha nem um pano de prato. É um lençol, com pequenos furos no meio, tremulando entre a árvore e o muro da garagem.

Em prantos, Clara atravessa a rua e corre para casa.

Frei Betto

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