Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Celebração

TEATRO

Caros amigos,
Conseguiram brincar com o joguinho que preparamos no mês passado? Espero que sim! Bom, neste mês o nosso assunto é bem mais sério e grave. Também não é por menos: a Aids está acabando com a vida de milhões de pessoas, inclusive crianças. Imaginem só: no continente africano cerca da metade da população de certos países está condenada à morte por causa da Aids.

Levando em consideração a gravidade do problema e a proximidade do Dia Mundial de Luta Contra a Aids (01/12), apresentamos este teatro. Dessa forma queremos colaborar com as várias atividades que escolas, comunidades e grupos... realizam nesta data. No início, achava-se que a Aids estava longe de todo mundo.

Hoje temos pessoas infectadas pelo vírus HIV em todos os lugares e todos precisam se prevenir: homens e mulheres, casados ou solteiros, jovens e idosos e até mesmo as crianças. Infelizmente, as pessoas infectadas não encontram respeito e acolhida até entre os seus próprios familiares.

Chega-se ao ponto de ter medo delas. É bom que vocês saibam que no Brasil existem mais de 300.000 pessoas que sofrem deste mal ainda sem cura. Bem, mãos à obra! Espero que o teatro ajude a conscientizar muitas pessoas.

Um abraço!

Por ser uma peça coreografada, precisa-se de tempo e muito ensaio. No palco, quatro personagens (humanos) simbolizam pessoas sem vida, sem sangue. Devem estar pintados de branco para que fiquem pálidos.

Eles devem estar estáticos e suas formas devem representar a ausência de vida. O palco deve estar escuro. Inicia-se a música de fundo que vai aumentando enquanto se dá a narração.

NARRADOR: No princípio nada tinha forma. Apenas a possibilidade da Vida existia. (acende-se as luzes) Mas a Vida criou, e a forma surgiu do nada. Do frio surgiu o calor e, nas veias da criatura, a Vida jorrou sangue.

Entram quatro personagens vestidos de vermelho, em suas mãos longas faixas da mesma cor. Numa coreografia harmoniosa, eles correm fazendo esvoaçar as faixas entre os personagens. Logo que o narrador simular as batidas do coração, os “humanos” o imitam batendo harmoniosamente os pés no chão. Eles continuam mesmo após o término da narração.

NARRADOR: E o sangue trouxe vida: TUM, TUM, TUM, TUM.

Os personagens “sangue” enrolam as faixas nos seres humanos. Estes, por sua vez, começam a sair de suas posições e a descobrirem-se uns aos outros. Eles se tocam, se beijam, se abraçam, trocam carinhos e andam pelo palco de mãos dadas enquanto os personagens “sangue” fazem as batidas do coração.

NARRADOR: E a Vida viu que tudo era bom. Repentinamente se troca a trilha sonora por uma dramática. Enquanto se dá a narração, entra o personagem “vírus” com o corpo coberto por retalhos de cores desbotadas. Traz na mão dois tecidos longos também desbotados. Ele ronda os personagens enquanto se dá a narração.

NARRADOR: Mas, por essa a Vida não esperava. Na década de 80, com grande surpresa e espanto da humanidade, surgiu uma epidemia que mudaria o rumo de milhares de seres humanos. O vírus da nova epidemia, que ficou conhecido como HIV, atravessou os continentes e hoje já está no sangue de mais de 40 milhões de pessoas.

A música deve tornar-se mais imponente. O vírus pega uma pessoa e a enrola com as duas faixas e sai de cena. O personagem infectado se aproxima de um outro e, como que se unissem através de um abraço bem forte, deixa uma faixa desbotada no outro. Na continuação da coreografia, os dois personagens infectados perdem aos poucos os movimentos.

NARRADOR: O temível vírus HIV provoca uma doença infecciosa, terrível, que nós conhecemos como AIDS. Desde que ela surgiu, já matou mais de 20 milhões de pessoas. E, o pior de tudo, com ela veio também o preconceito.

Os dois personagens infectados tentam fazer o que antes faziam com naturalidade: abraçar, beijar... mas são rejeitados pelos outros dois. Eles tentam fugir e, com muito pavor, declamam seus textos.

PERSONAGEM 1: Tenho medo de me contaminar! Não quero morrer! (olhando para os infectados) Não me toquem! Pelo amor de Deus, fiquem longe!

A coreografia continua, sendo que os sãos se tocam naturalmente enquanto fogem dos infectados.

NARRADOR: A falta de informação matou muitos infectados pelo isolamento e pela falta de amor. A verdade é que o vírus da Aids só é transmitido através do contato direto com o sangue ou outros tipos de secreção. Assim, não há risco de transmissão da doença quando se compartilha copos, talheres, sabonete ou roupas com pessoas contaminadas. Os contatos sociais, através de beijos e abraços, são totalmente seguros.

Agora, os personagens infectados já estão se arrastando. Levantam as mãos pedindo ajuda.

NARRADOR: Infelizmente, mais uma vez, as regiões mais pobres do planeta são as mais afetadas. O continente africano é a grande vítima. Lá existem 25 milhões de infectados. E no Brasil? Sim, também neste nosso Brasil milhares de pessoas têm o virus HIV.

Entram dois personagens vestidos de branco e tendo nas mãos lençóis da mesma cor que irão cobrir os infectados. Nas roupas eles trazem escrito seus nomes. Muda-se a trilha sonora para algo mais esperançoso.

GAPA: Eu sou o GAPA, um Grupo de apoio à prevenção à Aids. Surgi para defender os direitos humanos e integrar as pessoas portadoras do vírus HIV. Eu represento uma grande força para aqueles que, por serem aidéticos, perdem a família, os amigos e, muitas das vezes, o próprio trabalho.

O personagem Gapa vai até um dos infectados e o levanta, cobrindo-o com o lençol branco. Aparecem outras pessoas...

VOLUNTÁRIOS: Somos milhares em todo o Brasil e ajudamos a sociedade no processo de informação. Somente com a prevenção, poderemos amenizar este quadro assustador. Nós precisamos de você também. Ajude estas pessoas que tanto precisam. Junte-se a nós!

Os personagens Voluntários fazem o mesmo com o outro infectado.

NARRADOR: Aids não se pega com um abraço. Não se pega com carinho e atenção. (Os “humanos sãos” vão ao encontro dos infectados e os acolhem dando carinho, abraçando...). Amigos, todos nós somos convidados a mudar esta realidade, seja com a prevenção, como também apoiando os soro-positivos.

Os personagens encaminham-se para a frente do palco.

TODOS: “Discriminação e Preconceito” nunca mais!

Inicia-se a música “Amor cuidado”. Os artistas podem continuar a coreografia por entre a platéia com as faixas e ou distribuindo o símbolo do combate a Aids (laço vermelho).

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