Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Celebração

o sentido de divulgar outros métodos, outras formas de trabalhar a arte cênica na pastoral e nas escolas, apresentamos nesta edição um dos trabalhos da professora Sandra Ávila.

No seu livro “Encenações Bíblicas”, fica evidente a sua intenção de fazer com que pessoas sem muita experiência cênica possam demonstrar sua fé e transmitir uma mensagem de vida cristã às comunidades em que vivem. Na próxima edição teremos outra contribuição, a da Mônica Ottermann (CEBI) sobre Bibliodrama e Teatro Bíblico.

PERSONAGENS: Homem, Mulher, Rita, Julia, Jesus, Ana, Josué, Laura.

FIGURINO: roupas simples para todos os personagens e túnica para Jesus.

MATERIAL CÊNICO: sementes para Jesus, vaso com muda de árvore, dois brinquedos.

MÚSICA: instrumental, à escolha.
Durante a música, as três crianças entram, passando pelo meio do público.
Uma delas (Rita) traz um brinquedo. RITA (mostrando o brinquedo):
Viu só? Eu disse que ela tinha quebrado! Olhe só aqui...

JÚLIA (com o brinquedo nas mãos):
Quebrou nada! Rita, foi você quem estragou, e agora fala isso só para ganhar um novo.
Não liga, Laura.

LAURA: Eu o peguei só para ver.
Sinto muito, se o estraguei.
(Muito constrangida, vai saindo de cena, pela direita do espaço cênico.)

RITA (indo atrás dela):
Não sente, não!
Eu vou falar para meu pai.
Você vai ter que me dar um novo.

JÚLIA: Pára, Rita! Foi você quem fez isso. (E sai também.)

MÚSICA: continua... O homem e a mulher entram pela esquerda do espaço cênico, discutindo.
O Homem parece embriagado, e a Mulher, embora pobre, parece muito vaidosa.

MULHER (lixando as unhas): Ah, cale a boca, Homem!
Você só sabe ficar bebendo nos botecos, e vem agora dizer que não cuido bem das meninas.

HOMEM: Pois não cuida mesmo.
Você só quer saber de ficar bonita.
Queria saber pra quem!
Enquanto isso, as meninas ficam por aí, sem uma educação.

MULHER: Sem educação, não!
As duas já estão no colégio.
A professora tem obrigação de educá-las.
A minha parte já fiz. Saem pelo lado esquerdo, discutindo.
Entram, pela direita, Josué, Ana e Laura.
A menina traz uma boneca.

LAURA (constrangida): Mãe, pai, queria falar uma coisa para vocês.

JOSUÉ: Fale, Laura.

LAURA: Agora, há pouco, eu estava brincando com duas meninas.
Pedi para ver o brinquedo de uma delas, e...

ANA: Continue, minha filha.

LAURA: Bom, é que a dona do brinquedo disse que eu o quebrei.

JOSUÉ (com carinho): E você quebrou?

LAURA: Não, pai! Eu juro que não. (E começa a chorar.)

ANA: Calma, filha. Nós acreditamos em você. (Abraçam-na.)

LAURA: Eu adoro vocês!

MÚSICA: instrumental, à escolha.
Durante a música, entram outro casal e suas filhas.
Posicionam-se no lado esquerdo do espaço cênico.

RITA (com o brinquedo): Foi aquela ali! Ela quebrou meu brinquedo!

MULHER (lixando as unhas): Então, pega o dela e está resolvido.

JÚLIA: Ela não quebrou. Não minta, Rita.

HOMEM (embriagado): Fica quieta, Júlia. Você sempre querendo ser boazinha. Vamos até lá.

RITA (chegando perto de Laura): Sua boba. Agora esse é meu! (E tira a boneca das mãos de Laura.)

JÚLIA: Desculpa, Laura.

JOSUÉ: Minha filha não fez nada.

ANA: Ela não é uma menina má. Laura sai de cena, consolada por Júlia.
Rita joga seu brinquedo no chão e se põe a brincar com a boneca.

MULHER (com ironia): O que vocês sabem?
Só vivem na igreja. São o casal certinho do bairro.

HOMEM: Se nossa filha disse, é porque é verdade.
Conheço essa menina, ela não mente.

JOSUÉ: Infelizmente, vocês não se conhecem.

ANA: Não são uma família, simplesmente moram juntos.

MÚSICA: instrumental, à escolha. Entra Jesus, trazendo sementes.
Posiciona-se na frente do espaço cênico.

JESUS: “O Reino do Céu é como uma semente que um homem pega e semeia em seu campo (joga as sementes). Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E se torna uma árvore”. Entram as crianças carregando um vaso com uma muda de árvore, e se colocam perto de Jesus.

JESUS (tocando na muda de árvore): “De modo que os pássaros do céu vêm e fazem seus ninhos em seus ramos”. As crianças colocam a muda no chão.
Rita devolve a boneca para Laura, e as três se abraçam na frente de Jesus.

JESUS: Todos vocês têm nas mãos um grande tesouro: as vidas dessas crianças que estão aqui. Eduquem-nas sem vaidade, preconceitos e mentiras.
Sejam seguidores das leis do Pai do Céu, e sirvam de exemplo para seus filhos!

MÚSICA FINAL: Ilumina, Ilumina - (CD: Canções que a vida escreveu - Paulinas/COMEP). Jesus sai pelo corredor central, olhando com carinho para as crianças. Os dois casais e as crianças abraçam-se e saem pelo lado direito do espaço cênico.


m pescador dirigia-se para seu barco, após uma noite mal dormida. Os peixes estavam cada vez mais escassos e ele temia logo não ter como sustentar a numerosa família.

Ia assim matutando entre um passo e outro, até parar admirado:

- em seu barco dormia a sono solto uma criança. Como fora parar aí ele não sabia, pensou em sacudi-la, mas sua mão ficou solta no ar, as palavras lhe faltaram diante daquele semblante do qual se desprendia tanta inocência.

Sentou-se ao lado do barco enquanto mergulhava em suas próprias lembranças:

- um dia também fora criança, alegre, sonhadora, apesar de todas as adversidades da vida. Seus risos infantis, as molecagens com os colegas, ainda ecoavam em sua memória. Bons tempos aqueles, mas a criança crescera e os sorrisos murcharam, os dias alegres se esconderam, não tinha mais tempo nem alegria nem mesmo para partilhar com os filhos. A molecada fora chegando um após outro, o pão ficando cada vez mais difícil, tentara ensinar-lhes o oficío, mas esquecera da alegria do coração. Hoje se dava conta do quanto perdera. Neste momento o barco sacolejou e a criança saltou assustada, já ia escapar quando ele a deteve.

O menino desculpou-se por ocupar o barco sem permissão, ele apenas sorriu meio sem jeito e foi soltando as palavras há muito atadas no coração:

- garoto, hoje me lembrei do que é ser criança, do que é ter a alegria solta no fundo do coração, hoje reaprendi a ser pai e vou levando comigo esta lição, vou partilhar com meus filhos além do pão de cada dia, o pão que alimenta a alma, o pão da palavra amiga, consoladora, pão que sai fresquinho do fundo do coração, pois, um pai que não sabe amar seus filhos de verdade pode dar-lhes tudo, mas este tudo de nada vale porque junto não está o coração.

A criança olhou-o sem nada entender, depois foi se afastando de mansinho deixando o pescador rodeado pelos filhos, que o cercavam de todos os lados numa festa sem fim.

Regina Célia Suppi
Escritora
Concórdia-SC

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