Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Celebração
No seu livro “Encenações Bíblicas”, fica evidente a sua intenção de fazer com que pessoas sem muita experiência cênica possam demonstrar sua fé e transmitir uma mensagem de vida cristã às comunidades em que vivem. Na próxima edição teremos outra contribuição, a da Mônica Ottermann (CEBI) sobre Bibliodrama e Teatro Bíblico. PERSONAGENS: Homem, Mulher, Rita, Julia, Jesus, Ana, Josué, Laura. FIGURINO: roupas simples para todos os personagens e túnica para Jesus. MATERIAL CÊNICO: sementes para Jesus, vaso com muda de árvore, dois brinquedos. MÚSICA:
instrumental, à escolha. JÚLIA
(com o brinquedo nas mãos): LAURA:
Eu o peguei só para ver. RITA
(indo atrás dela): JÚLIA: Pára, Rita! Foi você quem fez isso. (E sai também.) MÚSICA:
continua... O homem e a mulher entram pela esquerda do espaço cênico,
discutindo. MULHER
(lixando as unhas): Ah, cale a boca, Homem! HOMEM:
Pois não cuida mesmo. MULHER:
Sem educação, não! LAURA (constrangida): Mãe, pai, queria falar uma coisa para vocês. JOSUÉ: Fale, Laura. LAURA:
Agora, há pouco, eu estava brincando com duas meninas. ANA: Continue, minha filha. LAURA: Bom, é que a dona do brinquedo disse que eu o quebrei. JOSUÉ (com carinho): E você quebrou? LAURA: Não, pai! Eu juro que não. (E começa a chorar.) ANA: Calma, filha. Nós acreditamos em você. (Abraçam-na.) LAURA: Eu adoro vocês! MÚSICA:
instrumental, à escolha. RITA (com o brinquedo): Foi aquela ali! Ela quebrou meu brinquedo! MULHER (lixando as unhas): Então, pega o dela e está resolvido. JÚLIA: Ela não quebrou. Não minta, Rita. HOMEM (embriagado): Fica quieta, Júlia. Você sempre querendo ser boazinha. Vamos até lá. RITA (chegando perto de Laura): Sua boba. Agora esse é meu! (E tira a boneca das mãos de Laura.) JÚLIA: Desculpa, Laura. JOSUÉ: Minha filha não fez nada. ANA:
Ela não é uma menina má. Laura sai de cena, consolada
por Júlia. MULHER
(com ironia): O que vocês sabem? HOMEM:
Se nossa filha disse, é porque é verdade. JOSUÉ: Infelizmente, vocês não se conhecem. ANA: Não são uma família, simplesmente moram juntos. MÚSICA:
instrumental, à escolha. Entra Jesus, trazendo sementes. JESUS: “O Reino do Céu é como uma semente que um homem pega e semeia em seu campo (joga as sementes). Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E se torna uma árvore”. Entram as crianças carregando um vaso com uma muda de árvore, e se colocam perto de Jesus. JESUS
(tocando na muda de árvore): “De modo que os pássaros
do céu vêm e fazem seus ninhos em seus ramos”. As crianças
colocam a muda no chão. JESUS:
Todos vocês têm nas mãos um grande tesouro: as vidas
dessas crianças que estão aqui. Eduquem-nas sem vaidade,
preconceitos e mentiras.
Ia assim matutando entre um passo e outro, até parar admirado: - em seu barco dormia a sono solto uma criança. Como fora parar aí ele não sabia, pensou em sacudi-la, mas sua mão ficou solta no ar, as palavras lhe faltaram diante daquele semblante do qual se desprendia tanta inocência. Sentou-se ao lado do barco enquanto mergulhava em suas próprias lembranças: - um dia também fora criança, alegre, sonhadora, apesar de todas as adversidades da vida. Seus risos infantis, as molecagens com os colegas, ainda ecoavam em sua memória. Bons tempos aqueles, mas a criança crescera e os sorrisos murcharam, os dias alegres se esconderam, não tinha mais tempo nem alegria nem mesmo para partilhar com os filhos. A molecada fora chegando um após outro, o pão ficando cada vez mais difícil, tentara ensinar-lhes o oficío, mas esquecera da alegria do coração. Hoje se dava conta do quanto perdera. Neste momento o barco sacolejou e a criança saltou assustada, já ia escapar quando ele a deteve. O menino desculpou-se por ocupar o barco sem permissão, ele apenas sorriu meio sem jeito e foi soltando as palavras há muito atadas no coração: - garoto, hoje me lembrei do que é ser criança, do que é ter a alegria solta no fundo do coração, hoje reaprendi a ser pai e vou levando comigo esta lição, vou partilhar com meus filhos além do pão de cada dia, o pão que alimenta a alma, o pão da palavra amiga, consoladora, pão que sai fresquinho do fundo do coração, pois, um pai que não sabe amar seus filhos de verdade pode dar-lhes tudo, mas este tudo de nada vale porque junto não está o coração. A criança olhou-o sem nada entender, depois foi se afastando de mansinho deixando o pescador rodeado pelos filhos, que o cercavam de todos os lados numa festa sem fim. Regina Célia Suppi |
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