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Neste mês, a Equipe Missão Jovem propõe um
desafio aos jovens e animadores das comunidades que utilizam o teatro
para enriquecerem suas celebrações. Gostaríamos de
provocar a criatividade dos grupos e, neste teatro da Semana Santa,
convidá-los a usar a técnica dos Gestos sem fala.
Essa forma de apresentar um tema é muito usada pelo teatro, principalmente
quando se quer mostrar uma realidade que fala por si só. Um exemplo
pode ser a seca do nordeste brasileiro. Mulheres e crianças com
latas na cabeça andando de um lado para o outro com homens apoiados
em suas enxadas e com expressões descrentes. Não precisaria
de uma fala sequer. Nessa técnica são muito importantes:
os figurinos, a caracterização do ambiente, boas trilhas
sonoras (músicas) e, acima de tudo, muita criatividade.
PREPARAÇÃO
PALCO (lugar da apresentação)
Dar um toque todo especial ao ambiente teatral: Igreja, sala de catequese,
escola ou outro lugar improvisado para apresentar com arte o nosso teatro.
Como o teatro é para a Semana Santa e uma das coisas que mais
estamos precisando atualmente é de paz no mundo, vamos unir as
duas coisas.
Preparar o palco com diversos símbolos da Semana Santa, começando
pelos ramos até às vestes brancas dos anjos e de Jesus do
dia da ressurreição. Tudo com muita criatividade.
PERSONAGENS
Rio de sangue: Serão 5 ou 6 pessoas vestidas de
branco que estarão envolvidas numa faixa de pano vermelho. Colar
em seus corpos palavras como: esperança, vitória, futuro,
vida, alegria, coragem...
Nuvem
de fumaça: Podem ser 2 ou 3 pessoas vestindo cores escuras,
não necessariamente o preto, envolvidas numa faixa de pano cinza.
Colar em seus corpos as palavras: vingança, morte, soberba, autoritarismo,
superioridade...
Mulheres chorosas: Serão 3 mulheres com vestidos
longos.
Cristo: Um homem com túnica longa, branca e muito
rasgada. O figurino deste personagem deve ser de uma pessoa muito maltratada.
Tempo: Uma criança que já consiga dramatizar
com seriedade. Sua roupa poderia ser uma camiseta grande e de cor verde.
Em suas mãos um despertador preparado para despertar.
APRESENTAÇÃO
Cena I
Inicia-se a música e no fundo do palco está o Cristo em
pé, olhando o infinito. Logo após entram os personagens
do rio de sangue, ficando apenas um de fora que entrará depois
com a faixa vermelha. Estes entrarão com folhas de palma e demonstrando
alegria. Abraçam-se, trocam carinhos...
Cena II
Ao som de uma música mais fúnebre, entram os personagens
da Nuvem de fumaça presos pela faixa cinza. Com movimentos seguros
e ameaçadores, avançam sobre os outros personagens. Nesta
hora o personagem que estava fora com a faixa vermelha entra e se mistura
com os outros que estão sendo encurralados pela nuvem de fumaça.
Os personagens do Rio de sangue começam a esticar o pano vermelho
e prendem-se nele formando um grande rio de sangue e suas expressões
agora, já sem os ramos, são de espanto, medo e terror e
andam pelo palco tentando fugir da Nuvem de fumaça.
Cena
III
Em meio ao caos que está se instalando, as Mulheres chorosas se
colocam numa das extremidades do palco e ali choram (sem som), de joelhos
e segurando-se umas nas outras. Elas apontam e elevam as mãos ao
céu... Também entra o Tempo com o despertador na mão
e, sem expressão, caminha devagar entre os personagens, apenas
desviando-os. O Rio de sangue, procurando fugir da Nuvem de fumaça,
vai várias vezes até o Cristo e implora com gestos, pedindo
ajuda. Sem dizer nada, Cristo olha para eles e estende as mãos
num gesto de acolhida, mas sem tocá-los. Diante daquela cena, seria
interessante que o Cristo mostrasse tanto sofrimento ao ponto de chegar
a chorar (sem som).
Cena IV
Já numa certa altura daquele caos, as Mulheres chorosas levantam-se
e, com panos ensopados em água, tentam matar a sede dos personagens
do Rio de sangue que, entre choros e lamentos, tentam beber as gotas que
caem dos panos. O Tempo agora começa a caminhar um pouco mais rápido
no palco.
Cena V
Começa a vitória da nuvem de fumaça que, um a um,
vai envolvendo os personagens do rio de sangue. Esta cena deve se desenvolver
aos poucos e com muita expressão. Após serem envolvidos
pela nuvem de fumaça, eles são deixados pelo palco como
mortos. As Mulheres chorosas soltam seus lamentos sobre cada um deles.
Cena
VI
Após alguns instantes, diante daquela cena de derrota, o Tempo,
que já corria pelo palco, pára no centro e dispara o despertador.
Neste momento, o Cristo solta um grito alto e prolongado (Nãaooo!!!),
expressando sofrimento, mas, ao mesmo tempo, a vitória sobre a
morte e o início de novos tempos. O Cristo cai no chão.
Muda-se a música e os personagens da Nuvem de fumaça largam
a faixa cinza e arrancam os dizeres que estão colados em seus corpos.
Os que estavam mortos revivem e todos juntos vão em direção
ao Cristo, envolvem-no com a faixa vermelha, carregam-no sobre a cabeça
e saem do palco, ficando apenas as Mulheres chorosas ao redor do menino
Tempo. Enquanto isso alguém narra o texto a seguir:
LOCUTOR
Desfigurado pela ambição e pelo orgulho das pessoas,
o Nazareno, pobre e simples, feito mártir pela humanidade, mais
uma vez é carregado ao túmulo. A Semana Santa é,
na verdade, um tempo forte para refletir, a semana dos que, com o crucificado,
descem ao túmulo buscando um tempo para pensar e para mudar. Um
tempo para trazer nova luz ao mundo que, mais uma vez, precisa de PAZ.
Pobre Jesus de todos os dias, de mãe e pai pobres e sem voz. Pobre
porque tu pagas o preço da ganância e do poder... Tu que
estás no campo ou na cidade... Tu que és aclamado nas rezas
dos que tiveram a sua casa destruída. Tu que sofres as conseqüências
das guerras... Mais uma vez nosso coração está de
luto por ti. Sim, Senhor Jesus, estamos te esperando na Aurora da Paz.
Na vitória de tua gloriosa ressurreição.
CONCLUSÃO
Enquanto finaliza a música, as Mulheres chorosas e o menino Tempo
poderiam sair deixando apenas o relógio no centro do palco.
Etori Caldeira de Amorim
DICAS
1.º
Aconselho algumas músicas que podem se encontradas em nosso site:
www.missaojovem.com.br/teatro.htm. Escolham-nas conforme o desenvolvimento
das cenas. Elas darão vida à dramatização.
2.º Caso a apresentação seja na igreja, poderiam,
no Domingo de Páscoa, entrar na procissão da Missa os personagens
acompanhando o Cristo ressuscitado.
3.º Os personagens devem fazer da dramatização
o seu mundo naquele momento sem preocupar-se com a platéia. Disso
depende também o êxito da apresentação.
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