Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Celebração

Nós queremos do bom e do melhor para nossa juventude também! Em nossa nação parecem cintilar raios de esperança para esta parcela da população que está entrando no mercado de trabalho. Mas é preciso muita luta ainda para vencer o desemprego e as injustiças no trabalho. Este teatro ajudará os movimentos juvenis a prepararem melhor o Dia Nacional da Juventude, que neste ano tem como lema: A gente quer valer nosso suor... A gente quer do bom e do melhor!

Boa sorte!

Entra um jovem caracterizado. Ele procura freneticamente pelo palco o “trabalho justo” (usar o imaginário).

JOVEM: Trabalho, trabalho, trabalho... onde você está “trabalho justo”? Trabalho, trabalho, trabalho... Não está aqui... onde está você?

O jovem procura cada vez mais rápido. Pergunta para o público e depois de um tempo, exausto, cai no chão e fica a repetir a palavra trabalho. Entra o “trabalho justo”. Bem vestido, desacanhado e com elegância, desvia do jovem para não ser percebido.

JOVEM: Ei! Espere aí, preciso de você!

TRABALHO JUSTO: Como precisa de mim? Seja ponderado garoto, nem experiência você tem, como pode me querer? Procure outro a sua altura! (descaso)

JOVEM: Espere! Eu sei que lhe mereço. Sou forte, criativo... Nós jovens só precisamos de oportunidades. (Mais intensidade) A gente quer valer nosso suor... A gente quer... O “trabalho justo” tapa a boca do jovem para que ele não termine a frase.

TRABALHO JUSTO: Está bem. Percebi que você é corajoso e tem força de vontade. Aqui entre nós: vou ser bondoso com você, vou lhe dar o meu primo “trabalho informal”. O que acha?

JOVEM: Trabalho informal? Será que com ele conseguirei ajudar minha família? Conseguirei voltar aos estudos? Diga-me: ele é bom mesmo?

TRABALHO JUSTO: Se é bom? O cara é um dos melhores! Sem contar que ele não vai exigir sua companhia 8 horas por dia, não lhe cobrará encargos e olha que 60% dos jovens são amigos dele. Deixe-me apresentar o “informal” para você? Informal, por favor, venha aqui!

O “trabalho informal” entra receoso, mas é astuto no falar.

JOVEM: Parece que você está se escondendo? Por quê?

TRABALHO INFORMAL: É que anda por aí aquela galerinha inconveniente da fiscalização do trabalho e da previdência...

TRABALHO JUSTO: Mas não se preocupe jovem. (Tentando disfarçar o que o outro disse) Vamos em frente, coragem! Quero ver surgir um bom relacionamento entre vocês. Cuide bem dele, primo!

Sai o “trabalho justo” e os outros dois se preparam para sair enquanto conversam.

JOVEM: Vamos nessa, meu novo companheiro! Precisamos ir para casa pois minha família precisa se alimentar e...

TRABALHO INFORMAL: Opa, vamos devagar. Hoje não vai dar não. Sabe como é que é: concorrência, desânimo, fiscalização... Quem sabe amanhã a gente tem mais sorte.

JOVEM: Mas o que vai ser da minha família? Do meu futuro? Preste atenção: A gente quer valer nosso suor... A gente quer...

TRABALHO INFORMAL: Tá, tá, entendi! Oh gentinha insatisfeita. Vamos fazer assim: eu tenho um amigo que é tudo de bom. Apresento você para ele e tudo vai estar resolvido.

JOVEM: Por favor, tire-me desta aflição, eu não agüento mais isso.

O “trabalho informal” sai de cena gritando pelo nome do “trabalho escravo”. Enquanto isso, o personagem “jovem” tira o boné e fala com o público saindo do contexto da cena.

JOVEM: “Jesus nos alerta: o lucro indevido, que explora a pessoa, é a causa do mal. É falsa riqueza: a traça a destrói. É como ferrugem: corrói o metal”.

Volta para a cena e nisso entram os dois personagens.

TRABALHO INFORMAL: Olhe ele aqui. Sejam bons amigos. (Enquanto sai diz) Eu lavo minhas mãos.

JOVEM: Então você me dará um futuro digno?

TRABALHO ESCRAVO: É claro! Mas não percamos tempo, pois tempo é dinheiro!

Usando a imaginação, o “jovem” simula a realização de trabalhos: carregando caixas, entregando folhetos, digitando... Mas tudo feito rapidamente, tendo ao lado o “trabalho escravo” de braços cruzados. Já fatigado, o “jovem” pára e diz.

JOVEM: Eu não posso agüentar mais isso! Nossa relação é de exploração, não me sobra tempo para o estudo, para o lazer, para a minha vida afetiva. (Enxuga o rosto, limpa a garganta e diz) A gente quer valer nosso suor... A gente quer do...

O “trabalho escravo” tapa a boca do “jovem” e lhe ameaça.

TRABALHO ESCRAVO: Olhe aqui, rapazinho: Você é muito atrevido, sabia?! Pessoas como você acabam como Santo Dias da Silva, Margarida Alves, Pe. Josimo... Mas vou lhe dar uma colher de chá. Vou lhe deixar com meu sócio, o “desemprego”.

O “desemprego” é debochado.

TRABALHO ESCRAVO: Desemprego? Venha aqui!

DESEMPREGO: Opa, o que temos aqui... Mais um companheiro. Deixe ele comigo, eu cuido dele.

JOVEM: Mas você não pode me ajudar, pode?

DESEMPREGO: Ô filho, mas do jeito que está nossa nação, quem é que pode? (o “trabalho escravo” e o “desemprego” caem na gargalhada).

Enquanto eles riem e zombam do jovem, entram outros jovens um a um e declamam os textos para o público.

JOVEM 2: O mal da ganância produz a miséria, a fome, a doença e a poluição. Deus quer que o trabalho e o seu resultado promovam a vida, libertem o irmão.

JOVEM 3: Jesus diz que um homem colheu com fartura, fez grande celeiro onde tudo ajuntou. Não quis partilhar, com seus operários, a morte porém já de noite o levou.

JOVEM 4: Programas de 1.º emprego; bolsa-trabalho; qualificação profissional; primeira terra e tantas outras políticas públicas precisam ser levadas a sério e conhecidas pela nossa juventude.

O “trabalho escravo” interfere.

TRABALHO ESCRAVO: O que é isso? Calem suas bocas, se não pagarão caro por isso!

O “jovem” se levanta e vem para frente.

JOVEM: Sozinhos não podemos fazer nada, mas unidos seremos ouvidos e respeitados.

Neste momento, os jovens tentam dizer a frase e os dois tentam tapar suas bocas. Mas como são em menor número, depois de algumas tentativas, os jovens finalizam gritando bem alto:

JOVEM: A gente quer valer nosso suor... A gente quer do bom e do melhor!

Termina-se com a música “É”, do cantor Gonzaguinha.

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