Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Celebração
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Fundo musical Voz: Em todas as raças e culturas, cada pessoa tem seu lugar. A criança, o jovem, o adulto e também o idoso. Em alguns povos, o ancião é particularmente valorizado e venerado. Seus conhecimentos, experiências e vivência. são considerados um precioso acervo de valores para as novas gerações que depositam sua confiança na sabedoria dos idosos. Moça: Meu vovô conta-me histórias de quando ele era jovem. São engraçadas e, outras vezes, tristes, mas sempre aprendo com elas. Sempre percebi que o que ele conta tem muito a ver também com minha vida. Ah, o vovô e a vovó são tão queridos, gostaria de ser como eles quando alcançar a idade deles. Voz: Muitas culturas cultuam sobretudo a modernidade, o progresso econômico. Nelas, a atração pelo novo é tão grande que ofusca a experiência dos mais velhos. Infelizmente, para muitos, o idoso é um peso e uma cruz para a família e a sociedade. Conseqüentemente, os avós acabam por ficarem esquecidos, largados em asilos ou até jogados na rua como quem nada mais tem a oferecer à sociedade. Moça: Hoje é mais um
dia daqueles! Imaginem só, terei que passar o domingo com os avós.
Sabem por quê? Para que eles não se sintam sozinhos.
Música: (Eles entram abraçados com a moça) Idosa: Graças a Deus, nós, os idosos, seremos os protagonistas, ou melhor, os contemplados pela Campanha da Fraternidade deste ano. E gostei do lema. Ele pede para nós mais Vida, Dignidade e Esperança. É isso mesmo de que nós mais precisamos! Não acha meu querido? Idoso: Sim, estou de acordo contigo, minha querida. Está na hora de nós, os idosos, encontrarmos nos familiares a acolhida e solidariedade que merecemos. Afinal, a nossa foi uma vida de lutas e de muitos sacrifícios. E o resultado está aí: a nossa grande família de filhos, noras e netos. Temos muito a agradecer a Deus! Música: (Entra um jovem com o outro pé do sapato que está no palco. Representa com ele na mão) Jovem: Queria dar um fim neste sapato. Velho sapato... Andei muito com ele. Lembro-me do primeiro dia em que o ganhei de minha mãe. Meus amigos falavam comigo olhando para os meus pés. E não era por menos, pois ele era o mais bonito e sofisticado sapato que havia no comércio. (Sobe a música e logo depois o jovem começa lembrando de uma história) Jovem: Ah, lembro-me do dia em que todos os alunos do colégio foram para o desfile da cidade. Coitados, muitos deles não tinham o que calçar. Estava tão quente que se podia fritar um ovo na calçada. Meus amigos pulavam como sapos de tão quente que estava a estrada. E eu? Eu estava firme como uma estátua, ali, tranqüilo diante do desfile, graças, é claro, aos meus sapatos. Eles eram motivo de orgulho para mim! (Entram crianças e lado a lado recitam o jogral na frente do jovem, deixando-o em segundo plano) Criança 1: Usava os sapatos para tudo... Criança 2: Para trabalhar... Criança 3: Para brincar... Criança 1: Usava até... Criança 2: Para dormir no inverno! Criança 1: Usava... Criança 3: Para passear Criança 1: Para dançar Criança 2: Para namorar no sofá Criança 3: Mas, tudo na vida Criança 1: Tem um fim Criança 2: E o sapato novo Criança 3: Ficou velho Criança 1: Já havia nas ruas Criança 2: Muitos outros sapatos Criança 3: Muito mais interessantes Criança 1: E o sapato do nosso amigo Criança 2: Que um dia foi belo Criança 3: Agora seria melhor Crianças: Que o amigo tivesse um chinelo! (Saem de cena e fica o jovem a olhar para o sapato) Jovem: Essa é a história do meu sapato velho. Sei o quanto ele significou para mim. Mas seu tempo já passou. Para ele não há mais lugar em minha vida. Não sei mais onde colocá-lo. O que devo fazer? Jogá-lo fora ou...?! (Dirigindo-se à assembléia) Jovem: O que vocês acham, devo guardá-lo como recordação ou é preferível que o jogue fora. (Um dos atores, que está no meio da assembléia, levanta e diz) Pessoa: Não é justo que o abandone logo agora que não lhe serve tão bem como antes. Pense bem, nele estão as marcas da experiência do caminho que vocês percorreram juntos. Eu acho que você deve guardá-lo. Jovem: Acho que você tem razão, não o jogarei fora. Seria egoísmo imperdoável de minha parte. (Ele sai com os sapatos nas mãos) Não, ele não merece tanta ingratidão! Voz: Essa foi a história do sapato velho. Graças a Deus ela terminou bem. Pena não ser essa a sorte de milhares de idosos brasileiros, uma classe que não desfruta da atenção de nossa sociedade consumista, somente preocupada com a boa presença física e com a riqueza, custe o que custar. (Entram novamente os idosos com todas as pessoas que participaram no teatro) Idoso: Não estou pedindo compaixão, mas somente aquilo que todos os anciãos, como nós (indicando a esposa), têm direito. Seja bem vinda a Campanha da Fraternidade 2003. Antes que a nossa situação se torne ainda mais triste, é necessário que a Igreja e a sociedade revejam sua posição e suas atitudes diante das pessoas que chegaram à terceira idade. Idosa: Meu bem, em poucas palavras você disse tudo aquilo que eu também queria dizer, não só para os nossos queridos familiares, mas para todos aqueles que têm o dever de melhorar a situação dos anciãos, e somos cada vez mais numerosos, através de leis e iniciativas que nos amparem e nos façam sentir ainda úteis. Moça: Meus amigos e minhas amigas, o que a CF 2003 está nos pedindo não é nada fácil. Por isso, precisamos da ajuda de Deus. Convido, portanto, a todas e todos para, juntos, rezarmos a bela oração dos amigos e amigas dos nossos queridos anciãos. (A assembléia reza com os atores -pode ser em dois coros - A oração seja projetada numa parede- fundo musical) 1 - Abençoados sejam aqueles que mostram compreensão, quando meus passos são incertos e minhas mãos trêmulas. 2 - Abençoados sejam aqueles
que levam em conta 1 - Abençoados sejam os que
percebem que meus olhos 2 - Abençoados sejam os que desviam o olhar, simulando não ver o café que derramo sobre a mesa. 1 - Abençoados sejam aqueles que param um pouquinho para bater um papinho comigo. 2 - Abençoados sejam aqueles
que nunca me dizem: 2 - Abençoados sejam aqueles
que compreendem 1 - Abençoados sejam aqueles
que me ajudam a encontrar a passagem final para o Pai bondoso. Etori Caldeira de Amorim |
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