Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Campanha da Fraternidade
“Água, fonte da vida”. A CF tornou-se especial manifestação de evangelização libertadora, provocando, ao mesmo tempo, a renovação da vida da Igreja e a transformação da sociedade, a partir de problemas concretos e de grande importância, tratados à luz do Projeto de Deus. Com esta, a 40.ª Campanha da Fraternidade, a CNBB quer chamar a atenção para o valor vital da água para os seres vivos. Na CF 2004, a Igreja quer mobilizar a sociedade para que o direito à água com qualidade seja efetivado para as gerações presentes e futuras. “CRISE DA ÁGUA”: EXISTE? Há alguns séculos, os únicos rumores que se ouviam por causa da falta da água eram os da tragédia nordestina. Artistas e escritores foram retratando a seca que matou e ainda mata um povo abandonado pelo elemento mais abundante do nosso planeta. A Terra, com 70% de sua superfície coberta por água, é considerada o “Planeta Água”, sendo que 97,6% é água salgada e 2,4% é água doce.
EVAPOROU A ÁGUA? Há quinhentos milhões de anos, as águas do nosso planeta são as mesmas, fazendo seu ciclo natural de evaporação, chuva, infiltração no solo e formação de fontes, rios, lagos e lençóis subterrâneos. Mas no último século as águas vieram perdendo sua pureza, por causa da poluição e do exagerado aumento do consumo humano. Sendo assim, no século XXI, a conservação das reservas de água da Terra será um dos principais desafios da humanidade. E o problema não está só no volume da água, mas, sobretudo, com sua qualidade. A destruição dos mananciais, à devastação das matas, contaminação dos mananciais por agroquímicos, resíduos industriais, esgotos urbanos e hospitalares, além do aumento do consumo na agricultura (irrigação), indústria e o consumo humano, projetam uma imagem de “escasseamento progressivo” das águas. Só para se ter uma idéia, no Brasil, a industria é a segunda maior responsável pela poluição da água, logo depois dos esgotos domésticos. Isso também é mais uma questão de gerenciamento do que de escassez. PERIGO! Diante da crise da água surgiram muitas propostas. Embora correndo o risco da simplificação, podemos distinguir dois movimentos:
Consequência:
De fato, nas zonas urbanas já pagamos pela água, ou melhor, pagamos pelos serviços de captação, tratamento e distribuição, não pela água em si. Provavelmente tendo que pagar a utilização da água, cada um será mais racional e cuidadoso em seu uso. COMO ADMINISTRAR A ÁGUA? A cobrança pelo uso da água pode ser um mecanismo de gerenciamento desde que estabeleça preços diferenciados conforme a concessão de uso. Hoje, uma fábrica de cerveja retira do poço artesiano toda água de que necessita, sem pagar nada por ela, e depois descarrega parte dessa água, agora poluída por detergentes e dejetos, no rio mais próximo. O lucro com a venda da cerveja é todo da fábrica, enquanto a perda no lençol subterrâneo e a poluição do rio são da comunidade local. Portanto, a partir desta constatação, uma boa gestão deveria cobrar um preço baixo pela água usada como “mercadoria”, e um alto preço sobre o esgoto industrial, de modo que a indústria fosse estimulada a filtrar os dejetos antes de lançá-los de volta ao rio. A ÁGUA É DE TODOS! Nós somos água: o corpo de um bebê é 90% água, o corpo de um adulto, 70%. Nosso planeta, à semelhança de nosso corpo, tem 70% de sua superfície coberta por água. Nós nascemos numa bolha de água. No ventre materno passamos nove meses dentro de uma bolsa com o líquido amniótico que contém todas as substâncias necessárias para crescermos até saltarmos para o mundo.
Podemos ficar vários dias sem comer, mas se não ingerirmos líquidos, em dois dias começa o processo de falência múltipla dos órgãos, levando uma criança à morte em cinco dias e, um adulto, em dez. Todas as formas de vida dependem da água. Por isso, do ponto de vista biológico, água e vida não podem ser separadas. A maioria das doenças do planeta é causada pelo uso de água imprópria para o consumo humano. Hoje em dia, segundo a ONU, aproximadamente 1,2 bilhão de pessoas não têm água de qualidade para beber. A cada ano, morrem dois milhões de crianças devido a doenças causadas por água contaminada. A água é uma necessidade primária, portanto, direito e patrimônio de todos os seres vivos, não apenas da humanidade, mas também dos animais e vegetais. Por excelência, a água é um bem de destinação universal. A primazia da vida se estabelece sobre todos os outros possíveis usos da água. O QUE EU POSSO FAZER PARA COLABORAR? Comece olhando como você age na sua casa. Cada um de nós gasta, em média, 250 litros de água por dia! Coisas simples vão ajudar a reduzir o consumo e sua conta no final do mês. 1. Feche a torneira quando for escovar os dentes ou fazer a barba. Se deixá-la aberta, estará consumindo 20 litros de água a mais.
3. Deixe os talheres e pratos de molho dentro da pia antes de lavar. Não deixe a torneira aberta enquanto os ensaboa. Você estará economizando 100 litros de água! 4. Ao esfregar as roupas, mantenha a torneira do tanque fechada e abra-a somente no enxágüe. 5. Use balde ao invés de mangueira para lavar o carro. 6. Jamais use água para varrer a calçada! Saber utilizá-la com moderação é uma questão de educação. 7. Não regue as plantas nas horas quentes do dia. A água evapora antes mesmo de atingir as raízes. Cuidado com vazamentos! Uma torneira pingando consome 46 litros de água por dia e, num mês, 1.380 litros! Canos furados e vazamento em vasos sanitários também são grandes prejuízos para seu bolso.
Etori Caldeira de Amorim Fonte: TEXTO-BASE da Campanha da
Fraternidade 2004 Um milhão de cisternas Uma das lutas mais bonitas pela água acontece na região semi-árida do Nordeste brasileiro. Ali, ONGs, Igrejas, movimentos sindicais, já vêm buscando caminhos para resolver o problema trágico dos sem-água.
Que nesta CF, na solidariedade dos com-água para com os sem-água, cada paróquia brasileira arrecade pelo menos o valor de uma cisterna (mil reais) para solidarizar-se com uma família do semi-árido. Ao final desta Campanha, a solidariedade terá resolvido o problema da água potável de pelo menos mais cinco mil famílias. PARA REFLETIR 1. “E o Espírito de Deus pairava sobre as águas...”(Gn 1,2) Por que a água, que o Criador nos deu em abundância, está se tornando um dos grandes problemas da humanidade? 2. Qual a solução mais viável para o problema
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