Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Campanha da Fraternidade

Igreja Católica no Brasil, desde 1964, vem realizando, durante o período litúrgico da Quaresma, a Campanha da Fraternidade. Trata-se de uma proposta de evangelização intensa que a cada ano, a partir do exemplo de Jesus que dá a vida para a salvação da humanidade, propõe aos cristãos e a sociedade um aspecto específico e prático da vivência da fraternidade. A CF-2006 traz à nossa atenção as pessoas com deficiência que, freqüentemente, são vítimas de preconceito e de discriminação, vivendo em condições difíceis, pois o ambiente cultural tende a marginalizar e excluir os que têm menos capacidade de competir e se afirmar social e economicamente. Quem são estas pessoas? O Texto- base da CF cita os cegos, surdos, mudos, os que têm algum tipo de lesão física ou cerebral, ou alguma deficiência mental.

São as “Pessoas com deficiência”. Pensar que estas pessoas são menos capazes ou que deveriam ser eliminadas em vista de termos uma sociedade mais aperfeiçoada, como pensou o nazismo, constitui um alerta à sociedade e, sobretudo, aoscristãos que anunciam um amor sincero e generoso a Deus e ao próximo. Já foi dito que a civilização de um povo pode ser medida pela atenção que dedica aos mais fracos, aos mais frágeis, às pessoas com deficiência. A CF-2006 nos ajuda a pensar também que grande parte das pessoas com deficiência não nasceram assim. Todos nós estamos sujeitos, em qualquer etapa da vida, a nos tornarmos pessoas com deficiência, seja num acidente de trânsito, por um erro médico ou qualquer outra situação. Até mesmo quem vive muitos anos torna-se, progressivamente, uma pessoa com deficiência.

OBJETIVO DA CF - 2006

O objetivo desta CF é conhecer melhor a realidade das pessoas com deficiência e refletir sobre a situação, à luz da Palavra de Deus e da ética cristã, para suscitar maior fraternidade e solidariedade em relação às pessoas com deficiência, promovendo sua dignidade e seus direitos.

CONHECENDO A REALIDADE (Ver)

É oportuno esclarecer a terminologia que se usa para indicar ou reconhecer uma pessoa com deficiência, pois a palavra “deficiência” evoca ausência e está associada à idéia de imperfeição e por isso exige que tomemos cuidado, principalmente quando vemos a pessoa como um deficiente, ao invés de distinguirmos e vermos a pessoa com uma deficiência. Algumas expressões foram construídas ao longo da história. Bem-intencionadas ou rotuladoras, essas expressões podem ser conceitos ou preconceitos.

Algumas: paralítico, anormal, mongolóide, alienado, aleijado, portador de necessidades especiais, coxo, manco, especial, cego, inválido, surdo-mudo, imperfeito, retardado, débil mental, excepcional etc. A busca por um termo mais suave, bem como de outras iniciativas de inclusão, se faz necessária quando, no mundo, há mais de 500 milhões de pessoas com deficiência. Só na América Latina e Caribe são mais de 50 milhões dessas pessoas: sem escola, trabalho, serviços de saúde etc. As deficiências podem ser prevenidas em muitos casos e evitadas com políticas públicas adequadas, mas isso não acontece.

NO BRASIL

As pessoas com deficiência estão cada vez mais ocupando seus lugares na sociedade. Embora possa não parecer, elas têm uma rica história de eventos a seu favor em nosso país, porém é preciso olhar o passado levando em consideração os valores culturais e sociais da época sem querer julgá-lo puramente. Um exemplo bem claro foi o surgimento da APAE em 1954, hoje com mais de 2 mil centros espalhados pelo Brasil. Atualmente, tramita no Congresso Nacional o Estatuto da Pessoa com Deficiência, uma enorme evolução legislativa. Um destaque é a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação n. 9.394/96, que garante a educação e o atendimento especializado, na rede regular de ensino.

NA IGREJA

A Igreja, desde os primeiros séculos, engajou-se nessa via da caridade e da inviolabilidade da vida humana. Várias iniciativas, desde a Antigüidade, têm seus reflexos positivos hoje: a luta contra o infanticídio; cen-tros de acolhida; hospícios; casas para cegos; no silêncio dos conventos surgiu para os surdos-mudos o alfabeto manual; publicações educacionais; as ordens religiosas que acolhiam e educavam estas pessoas; a criação de comunidades como a Arca, que acolhem pessoas com deficiência intelectual; a Exortação Apostólica Chritifideles Laici que reconheceu as pessoas com deficiência como sujeitos ativos na Igreja e no mundo; ordenação de homens com alguma deficiência etc.

PROTAGONISMO

Conquistas não acontecem por acaso, são resultados de lutas individuais e coletivas, de organizações de e para pessoas com deficiência e de pessoas solidárias à causa, que interagem para a construção de uma sociedade mais justa para todos. As reivindicações e manifestações por parte de familiares e organizações não só geraram muitas mudanças e promoveram a dignidade e os direitos das pessoas com deficiência, como também impediram que deficiências fossem razão de injustiças e pretexto para discriminações.

PROBLEMÁTICAS

Concepção e direito de nascer: Desde as idéias de purificação e aperfeiçoamento da espécie humana até a detecção precoce de eventuais deficiências no feto com o intuito de promover o aborto, vão contra este direito. Nascimento, a hora da notícia e da fraternidade: Esta nova situação coloca os pais em contato com um mundo de sentimentos e necessidades totalmente novas e inesperadas. É preciso o apoio dos médicos e a solidariedade de outros pais em igual situação. Acolhida na família, proteção ou rejeição?: A família é o primeiro espaço de inclusão. Para isso é preciso se colocar solidária e positivamente em favor da pessoa com deficiência, pois há contravalores da sociedade que trabalham pela exclusão.

Atenção e terapias precoces:

Nem sempre possíveis, devido as condições sociais, econômicas e até culturais das famílias ou por falta de formação específica dos pediatras.

Inclusão escolar, um direito e um desafio:

Ter acesso à educação não proporciona somente a formação das pessoas com deficiência, mas modifica atitudes discriminatórias, cria comunidades acolhedoras e desenvolve uma sociedade inclusiva.

Saúde, previdência, acidentes e reabilitação: Pessoas com deficiência morrem prematuramente por não obterem os necessários cuidados da saúde. Embora seja um direito o atendimento médico, psicológico e funcional, incluindo próteses, e à reabilitação médica e social, essas pessoas estão longe de obter este direito devido a “crise da saúde” e a falta de recursos.

A PALAVRA DE DEUS ILUMINA (Julgar)

Na Bíblia encontramos muitas passagens que citam as pessoas com deficiência: “Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos!” (Lc 14,13). Veja ainda: Lv 19,14; Ex 4,11

JESUS CRISTO E AS NOSSAS DEFICIÊNCIAS

Na carta aos Filipenses (2,5-11), encontramos algumas orientações que nos levam a reflexão proposta pela CF. Somos chamados a termos os mesmos sentimentos de Cristo e, a partir daí, assumir atitudes de: ir ao encontro; fazer-se um deles; torná-los sujeitos; superar os diferentes níveis e formas de marginalização, seja através da exclusão como do endeusamento do mercado que não dá espaço nem vez para as pessoas com deficiência. Jesus Cristo é o modelo de relação entre as pessoas e concretização autêntica da fraternidade. Ele assume a fragilidade humana dando sentido e força a todos nós, principalmente às pessoas com deficiência. Ele rompeu com a idéia de pureza-impureza, fazendo prevalecer a pessoa humana e, por fim, dando-nos um novo mandamento:

“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.”
(cf. 13,34)

Ele não excluiu ninguém:

- seu amor é incondicional! Ao mesmo tempo, as pessoas com deficiência têm, na sociedade, uma missão profética, pois denunciam o subjetivismo fechado, os relacionamentos que não valorizam o outro.

Com essa postura, torna-se difícil ver a pessoa com deficiência como “outro”, levando a uma atitude paternalista ou, pior ainda, a exclamar:

“Deus quis assim”, enquanto que, cada vez mais, triunfa a ditadura do corpo ideal, da beleza etc.

ATITUDES CONCRETAS (Agir)

Mas como a sociedade deve ir ao encontro do outro na sua diferença e acolhê-lo com fraternidade? Eis algumas atitudes:

SENSIBILIZAÇÃO SOBRE A REALIDADE

  • Conhecer a realidade das pessoas com deficiência e suas dificuldades.
  • Conhecer suas famílias e a realidade destas pessoas.
  • Fazer levantamentos em fontes qualificadas de informação sobre pessoas com deficiência, bem como através de agentes de pastoral, comparando esses resultados com os dados nacionais trazidos pelo texto base da
    CF-2006.
  • Um amplo trabalho educativo nas escolas, na catequese e em outras instâncias educativas, gerará consciência e provocará protagonismo.

O conhecimento e a divulgação podem ser fonte de inspiração e de motivação para gestos concretos de inclusão.

A HORA DO PROFETISMO

  • Promover atos públicos, passeatas, caminhadas da fé, cultos ecumênicos, como forma de denunciar todo tipo de pecado.
  • Anunciar o Evangelho, pois os valores evangélicos precisam ser explicitados para que a consciência formada nestes princípios possa mobilizar o protagonismo das pessoas.
  • Lutar pelos direitos que as pessoas com deficiência já têm garantidos.

VALORES EVANGÉLICOS NO AGIR EM FAMÍLIA

  • Desde a concepção, a família deve incluir o bebê na vida familiar e apreciar seus progressos.
  • Avós, irmãos... são convocados a ajudar quando aparece uma criança com deficiência na família.
  • Os excessos, como a superproteção, devem ser evitados.
  • Não agir como se a criança com deficiência fosse incapaz, mas permitir, quanto possível, uma vida autônoma
    e cidadã.

A FRATERNIDADE ENVOLVE A TODOS

A sociedade, a Igreja e suas instituições devem assumir suas responsabilidades diante das pessoas com deficiência. A CF-2006 deve ser ocasião para um grande salto qualitativo na atenção às pessoas com deficiência. É preciso encontrar as pessoas com deficiência, tentando evitar o desconforto diante do “diferente” e aceitando-a com sua deficiência, pois só assim o relacionamento será verdadeiro. Cada tipo de deficiência requer um tratamento diferenciado. As pessoas com deficiência visual, física, auditiva, mental ou com paralisia cerebral merecemnosso respeito e consideração. O Texto-base, n.º 293 a 320, fornece informações importantes.

COLETA: GESTO CONCRETO DA CF

No Domingo de Ramos, todas as comunidades cristãs são convidadas a participarem, oferecendo sua solidariedade com doações em dinheiro. Os recursos serão destinados a projetos que promovam os direitos, as políticas públicas e projetos profissionalizantes que visam a inclusão social das pessoas com deficiência.

Saiba mais sobre a CF-2006 nos sites:
www.cf.org.br / www.missaojovem.com.br
Síntese comentada do Texto-base Redação Missão Jovem
redacao@missaojovem.com.br

COMO POSSO TE CHAMAR?

Razões do uso da terminologia “Pessoas com Deficiência”

Mundialmente, já fecharam a questão: querem ser chamadas de “pessoas com deficiência” em todos os idiomas.

Eis os princípios básicos para os movimentos terem chegado a este termo:

1.º Não esconder ou camuflar a deficiência;

2.º Não aceitar o consolo da falsa idéia de que todo mundo tem deficiência;

3.º Mostrar com dignidade a realidade da deficiência;

4.º Valorizar as diferenças e necessidades decorrentes da deficiência;

5.º Combater buscas de dar novo significado ao termo, que tentam diluir as diferenças, tais como “pessoas com capacidades especiais”, “pessoas com eficiências diferentes” etc.;

6.º Defender a igualdade entre as pessoas com deficiência e as demais pessoas em termos de direitos e dignidade;

7.º Identificar nas diferenças todos os direitos que lhes são pertinentes e a partir daí encontrar medidas específicas para o Estado e a sociedade diminuírem ou eliminarem as “restrições de participação” (dificuldades ou incapacidades causadas pelos ambientes humanos e físicos contra as pessoas com deficiência).

fonte: www.presidencia.gov.br/sedh

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