
Toni:
Meu livro... Onde está? (anda de um lado para o outro resmungando)
Pelo amor de Deus, onde está este bendito livro?
Um ator em meio ao público se levanta e pergunta.
Ator1:
Que agonia é essa rapaz?! Afinal, o que você está
procurando?
Sem parar ele responde.
Toni:
O Texto-Base da Campanha da Fraternidade... (resmungando) Onde foi que
eu o coloquei... (depois de deixar cair uma pilha de livros) Ah, achei!
Ele sai de cena. Muda a música e entra um homem
desanimado com um livro na mão, senta-se no banco da praça.
Homem:
Tudo está contra mim, não mereço tanta ingratidão...
Ele coloca a mão no rosto para chorar, quando
aparece um menino ofegante, cansado de brincar.
Menino:
Veja o que eu encontrei. (Ele mostra uma flor quase morta, já sem
cores)
O homem finge um sorriso para despistar o menino e
começa a ler o livro.
Menino:
O cheiro é ótimo e é bonita também. Por isso
a peguei. Tome, é sua! O homem chateado com a insistência
do menino diz em voz alta como se o menino não escutasse.
Homem:
Essa flor nem cores tem mais. Mas se eu não a pegar, ele jamais
sairá daqui. (Ele se vira para o menino e estende a mão)
Era o que eu precisava!
O menino segura a flor no ar e ele nota que o menino
é deficiente visual.
Ele passa a mão na frente dos olhos do garoto e depois, envergonhado,
pega a flor.
Num gesto de agradecimento lhe dá um abraço e diz.
Homem:
Muito obrigado!
O menino volta a brincar.
O homem sai de cena renovado e feliz enquanto entra o Toni, que, olhando
a conversão daquele homem, diz.
Toni:
É! Este sujeito aprendeu uma grande lição hoje. (Solta
um sorriso de felicidade) É nos sentimentos que se revela a verdadeira
grandeza das pessoas. E as pessoas com deficiência nos ensinam a
aceitação dos limites como um caminho para o crescimento.
Ele corta o assunto pegando o Texto-base e comentando
com a platéia.
Toni:
Escutem só o que li aqui no Texto-Base da CF sobre as pessoas com
deficiência. (Ele mostra a capa)
Diz
aqui: “No Brasil, a situação concreta
das pessoas com deficiência é ainda um universo desconhecido”
(n.º 12). (Olhando para a platéia). É minha gente,
a coisa é séria e só tomamos conhecimento desta realidade...
(ele fala quase que cochichando) quando acontece conosco!
Entram duas mulheres conversando. A mãe está
desanimada.
Mãe:
Não sei o que fazer. Fizemos tudo certinho, foi tudo bem planejado...
Ela começa a chorar e é tranqüilizada
pela Emily.
Emily:
Ter uma criança com deficiência não significa receber
uma cruz e nem um castigo.
Mãe:
Mas tínhamos tantos projetos para ele, e agora?
Emily se adianta e fala olhando para o infinito.
Emily:
Eu entendo você. Foi o que aconteceu comigo também. Mas hoje
o meu Lucas é o bem mais precioso que tenho.
Mãe:
Então me ajude amiga, pois neste momento tenho que ser o braço
forte na minha família.
Emily:
Quando me perguntam o que significa ter um filho com deficiência,
eu comparo ao planejamento de uma fabulosa viagem de férias à
Itália. Você faz planos maravilhosos e, após meses,
finalmente chega o grande dia. Você embarca e, algumas horas depois,
você aterrisa. O comissário de bordo chega e diz: “Bem-vindo
à Holanda!”. Holanda? Mas eu escolhi a Itália!
Ela volta até a mãe, abraça-lhe
e a traz para frente.
Emily:
Mas houve uma mudança no plano de vôo. (Animada
e encorajando a amiga) O mais importante é que eles não
levaram você para um lugar horrível e desagradável,
mas apenas para um lugar diferente!
Mãe:
Você tem razão Emily...
Emily:
A dor que isso causa nunca irá embora, porque a perda desse sonho
é algo extremamente significativo. No entanto, se passar toda a
vida remoendo o fato de não ter chegado à Itália,
nunca você estará livre para apreciar as coisas belas e muito
especiais existentes na Holanda.
A mãe enxuga as lágrimas e diz.
Mãe:
Com licença, Emily, entendi que preciso partilhar esta experiência
com minha família. Nosso filho precisa e será amado como
ele merece.
A mãe sai e logo atrás a Emily sai também.
Neste momento entra o Toni, e acompanha com o olhar as duas.
Toni:
A solidariedade é algo maravilhoso mesmo. Vocês não
acham? (olhando o livro)
A propósito,
a CF fala sobre isso: “A chegada de um bebê
com deficiência, ou um acidente que torne uma criança ou
um jovem um deficiente físico, coloca os pais num mundo de sentimentos
e necessidades totalmente novas e inesperadas. Falta solidariedade, fraternidade
e famílias dispostas a fazer uma visita a um recém-chegado
diferente.” (n.º 79 e 82).
Enquanto ele está terminando de falar, entram
dois atores: uma pessoa de cadeira de rodas e um guarda de trânsito.
Anteriormente já deve estar preparado uma placa como a imagem desta
página.
O cadeirante se aproxima do local de estacionar, quando aparece o guarda
apitando.
Guarda:
Não pode parar aí, não!
Cadeirante:
Desculpe, mas não estou entendendo.
Guarda:
Não tem o que entender. Só não pode estacionar aí.
Não tá vendo que tem um monte de vagas?
Cadeirante:
Mas a placa... (O guarda interrompe).
Guarda:
É! Justo pela placa.
Cadeirante:
Pois a placa...
Guarda:
A placa indica que aqui não pode parar carro não. Não
sabe de trânsito? (diz quase gritando).
Cadeirante:
Mas...
Guarda:
Sem mas! Tira logo o carro. Não vê o desenho da placa? Aqui
é lugar de parar só as bicicletas...
Enquanto o cadeirante sai, frustrado, seguido pelo
guarda, o Toni acompanha a cena
boquiaberto com a confusão.
Toni:
É, meus amigos, esta CF chegou na hora certa. (Ele ri). Hora, hora...
(mostrando a placa) Confundir o “símbolo internacional de
acesso” com uma pessoa na bicicleta... Essa foi demais!
Uma pessoa da platéia grita.
Ator2:
Já que você entendeu bem o sentido desta campanha, como nós
podemos deixar de sermos e nos comportarmos como simples expectadores?
Ator1:
É verdade. Como podemos nos envolver mais para construirmos uma
cultura de solidariedade com esses irmãos e irmãs?
Toni:
Uma boa pergunta. E a resposta vem do próprio lema
da CF, “Levanta-te, vem para o meio!”. Além de ser
um convite também para as pessoas com deficiência, para que
se sintam acolhidas e valorizadas, também é um convite para
todos nós. Deficiência não é sinônimo
de incapacidade! Por isso precisamos promover ações que
os tornem protagonistas de suas vidas.
Interrompendo o Toni, entram o cadeirante e as duas
mães cantando o hino da CF-2006.
O Toni se une a elas finalizando a peça.
• Para dicas, dúvidas e sugestões
usem nosso Fórum na internet abaixo:
www.missaojovem.com.br/forum
|