Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Cidadania

Também sou cidadão

O tema sobre o qual conversaremos nesta edição é muito importante para qualquer sociedade, mas nem sempre parece merecer a atenção dos adolescentes. Trata-se do exercício da cidadania.

Cidadania muito tem a ver com política, realidade pela qual criou-se uma certa antipatia. No entanto, é no exercício da política que são tratados os problemas e se responde às aspirações do povo e dos próprios adolescentes. Pode ser que vocês considerem o assunto um tanto chato, mas, nem por isso, podemos deixar que vocês reflitam sobre ele.

COMEÇANDO ...

Não é exagerado afirmar que a política é a mola-motora de uma sociedade. É através dela que nos tornamos cidadãos verdadeiros, mais atuantes e protagonistas naquilo que interessa o progresso de nossa cidade e nação.

Mas, dede já, vocês adolescentes devem entender bem em que consiste fazer política. Há que pense que fazer política seja o mesmo que estar filiado há algum partido. É isso também mas é bem mais: fazer política é exercer a cidadania. Política vem da raiz grega “polis” que expressa a ideia de viver em conjunto e da busca do bem comum através do confronto das idéias.

Não há sociabilidade sem política e, sobretudo os adolescentes mais maduros dos anos 60 e 70 sabiam bem isso, exercendo já política para conquistarem seus direitos. Era interessante vê-los lutarem juntos e mostrarem a cara em defesa das grandes causas da sociedade. Mas as coisas mudaram. O interesse pela política foi decaindo e os adolescentes foram se aburguesando e fechando-se em seus próprios interesses.

Isso não é nada bom! Muitos adolescentes começaram a não exercerem sua cidadania e a associarem a política com a participação partidária. Os muitos escândalos dos políticos contribuíram também a denegrirem o conceito de “política”, associando-a à ganância de enriquecimento por parte de pessoas que, aproveitando-se de sua posição, exploram a boa fé do povo que as elegeu. Hoje, devido também aos resultados da última eleição, parece haver o despertar de uma nova consciência política. O estado volta a ter crédito perante os adolescentes e parece se reacender neles o desejo de lutar por uma sociedade mais justa e fraterna.

O QUE FAZER?

Devemos aproveitar este momento de entusiasmo e educar os adolescentes e mostrar-lhes que a política é algo muito importante e necessário. Que não é por existirem maus políticos que a política é ruim. Se é por isso, podemos constatar que pessoas ruins, injustas, gananciosas...existem em todos os segmentos da sociedade, as vezes dentro das próprias famílias, da igreja, entre os nossos amigos...

Que através da política exercitamos uma série de atitudes: diálogo, partilha, doação, renúncia. Desta forma, os adolescentes aprenderão que política inicia e se faz em sua própria casa e continua em todo lugar: ônibus, escola, academia, enfim, em todos os lugares por eles freqüentados.

O já bem conhecido escritor Frei Beto, atualmente encarregado pelo Presidente Lula de dinamizar a campanha nacional “Fome Zero”, num artigo publicado no “O Estado de São Paulo – 04/09/2002”, que aqui reproduzimos, nos ajuda a refletir sobre o assunto. Diz o religioso falando aos pais:

ENSINA A TEU FILHO ...

Ensina a teu filho que o Brasil tem jeito e ele deve crescer feliz por ser brasileiro. Há neste país juízes justos que, como meu pai, nunca empregaram familiares, embora tivessem filhos advogados, jamais fizeram da função um meio de angariar mordomias e mostraram que a honra é inegociável.

Saiba o teu filho que no monolito preto do Banco Central, em Brasília, onde trabalham cerca de três mil pessoas, a maioria é honrada e, porque não é cega, indignada ante maracutaias de autoridades que deveriam primar pala ética no cargo que lhes foi confiado.

Ensina teu filho que o Brasil possui dimensões continentais e as mais férteis terras do planeta. Que não se justifica, pois, tanta terra sem gente e tanta gente sem terra. Assim como a libertação dos escravos tardou, mas chegou, a reforma agrária haverá de se implantar. Tomara que regada com pouco sangue.

Saiba o teu filho que os sem-terra que ocupam áreas ociosas e prédio públicos são, hoje, chamados de “bandidos”, como outrora Gandhi, que sentava nos trilhos das ferrovias inglesas, e Luther King, que ocupava escolas vetadas aos negros.

Ensina a teu filho que o Brasil é uma nação trabalhadora e criativa. Milhões de brasileiros levantam cedo todos os dias, comem aquém de suas necessidades e consomem a maior parcela de sua vida no trabalho, em troca de um salário que não lhes assegura sequer o acesso à casa própria.

Ensina teu filho a votar com consciência e jamais ter nojo de política. Que o teu voto e o dele sejam em prol da justiça social e dos direitos dos brasileiros injustamente tão pobres e excluídos, por razões políticas, dos dons da vida.

Ensina teu filho que a uma pessoa bastam o pão, o vinho e um grande amor. Cultiva nele os desejos do espírito. Saiba o teu filho escutar o silêncio, reverenciar as expressões da vida e deixar-se amar por Deus que o habita.

Dai a César... (Mt 22, 15-21)
Há neste versículo, um teor político. Os Doutores da Lei perguntam a Jesus, sobre o imposto, querendo coloca-lo em xeque. E a resposta de Jesus foi: “Devolvei a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus.”
É como se Jesus dissesse: “Se vocês acham que César tem direito a esse imposto, paguem-no, mas não esqueçam que também a Deus estais devendo, e olhem lá quanto Deus deu a vocês!”
Amigo, o Brasil tem jeito. Aliás, tudo tem jeito, desde que nos engajemos nesta luta.
Arregace as mangas e mãos à obra. Você é importante e fundamental! Lutar para melhorar nossa sociedade é devolver a Deus o amor que ele nos deu.

Cristian Goes
Ex-membro da Coordenação Naional da PJ

DICAS PARA OS QUATRO ENCONTROS MENSAIS

1.ª SEMANA: Estudo do tema.
Apresentação do tema (poderá ser convidado um assessor).

Grupos: refletir as seguintes questões:

1.º - O que entendemos por política?
2.º - Quais as qualidades do bom político?
3.º - O nosso grupo debate os problemas da cidade e do mundo?
Os secretários preparam seu depoimento para o próximo encontro.

Tarefa: Avaliar o tipo de política existente em nossa família:

1 - O que os nossos pais e irmãos(ãs) fazem pelo bem comum?
2 - Há diálogo e respeito pelas opiniões dos outros?

2.ª SEMANA: Espiritualidade Missionária.
Plenário dos grupos e das opiniões colhidas em cada família.
(Espaço para comentários e conclusões do coordenador)
Reflexão individual e escrita (15 minutos) - Sei me desprender do meu egoísmo para me abrir generosamente à comunidade, a começar de casa?
(Entregar a folha sem nome e, em clima de oração, alguém leia os testemunhos)
Tarefa: Em pequenos grupos, dialogar com os políticos da cidade sobre aquilo que está se fazendo pelos mais pobres, os jovens desempregados e outras problemáticas existentes.

3.ª SEMANA: Empenho Missionário.
Grupos - Relatam aquilo que dialogaram com os políticos.
Ação política – (Dividir em grupos de cinco )

1.º Grupo - Visita a diretora de um grupo escolar ou... e, com ela, detecta os maiores problemas da
Educação e as possíveis soluções.
2.º Grupo - Visita um médico ou o secretário da saúde (mesmo procedimento do 1.º grupo)
3.º Grupo - Prepara um plano de ação para melhorar a cidade. (Pode escolher um assessor)
4.º Grupo – Encenação, apresentando um grupo modelo de adolescentes que praticam a cidadania

Cada Grupo parte para o trabalho. Poderá ser apresentado, no quarto encontro, numa das seguintes formas: diálogo, encenação, cartaz, música... Trazer pais e amigos.

4.ª SEMANA: Vida de Grupo

Apresentação dos quatro grupos (entremeados de considerações e cantos apropriados).
Avaliação do trabalho do mês e amadurecimento político do grupo.
Sugestões para uma mais efetiva prática da cidadania do grupo como tal.
Confraternização.

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar