Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Ciências
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Está em curso uma luta terrível, que tem o nome de Controle das biotecnologias. Quem possuir as técnicas para alterar e melhorar a qualidade das sementes vai dominar o futuro político, social e econômico da humanidade. O vencedor, é claro, já é conhecido, assim como as conseqüências: o terrível fosso existente entre países ricos e pobres vai aumentar ainda mais. A biotecnologia já controla a agricultura mundial. Meia dúzia de multinacionais agro-alimentares e farmacêuticas modificam geneticamente enormes quantidades de sementes, impedindo as plantas (trigo, grãos e outras sementes) de reproduzir-se segundo as leis da natureza. Desde modo os agricultores serão obrigados a importar sementes made in EUA ou made in Europe, isto é, criadas nos laboratórios dos Estados Unidos ou da Europa, dos quais ficam dependentes. Há ainda os organismos geneticamente modificados, obtidos através da manipulação dos genes, uma tecnologia que pouquíssimos possuem e que ultrapassa a produção agrícola natural. Com ela, consegue-se, por exemplo, prolongar a duração do tomate e, até mesmo, estabelecer a medida do produto final. Quem possuir estas técnicas pode varrer do mercado a já quase nula concorrência dos produtos dos países pobres. Estas técnicas poderiam produzir uma vacina contra a Aids, que está dizimando povos inteiros na África e na Ásia. Porém, só são aplicadas quando rendem lucros a curto prazo. Kofi Anam, Secretário Geral da O.N.U., já acusou a indústria farmacêutica de ter abandonado a investigação da Aids, por existirem, no mercado, medicamentos que custam várias centenas de dólares por mês para o doente. A descoberta de uma vacina iria privá-los de enormes lucros. Para garantir o desenvolvimento dos povos, é, porém, necessário criar normas que lhes permita o acesso aos medicamentos fundamentais. Mas isto exige a democratização das biotecnologias e da indústria farmacêutica. A segurança alimentar é um direito; a luta contra a fome no mundo não pode tornar-se uma arma nas mãos de poucos oportunistas, e não pode permitir que a Aids continue a matar milhões de pessoas, só porque os medicamentos são caros. Há direitos individuais e coletivos que são anteriores à economia e aos interesses financeiros. Fátima Missionária
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