Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Comunicação
Enquanto a guerra no Iraque continuava dominando o noticiário internacional, o aumento das mortes causadas pela tuberculose e o alto preço pago pelas pessoas que vivem em conflitos crônicos como na Chechênia, Colômbia e República Democrática do Congo, não receberam nenhuma cobertura. Segundo avaliação da organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), estes casos estão entre as dez crises humanitárias mais negligenciadas pela mídia em 2004 NORTE
DE UGANDA
Há 18 anos este povo vêm enfrentando conflitos brutais com conseqüências que estão praticamente invisíveis para o resto do mundo. Mais de 1.6 milhões de pessoas –80% da população – estão deslocadas e vivem em condições precárias. Civis vêm sendo atacados e mortos pelo Exército de Resistência do Senhor nas suas cidades, assim como nos campos onde buscaram abrigo. E o que é pior, milhares de crianças seqüestradas estão sendo forçadas a fazer parte dos combates e à escravidão sexual. REPÚBLICA
DO CONGO 150 mil pessoas, que fugiram de diversas regiões daquele vasto país, estão novamente encurralados no leste da República Democrática do Congo desde quando os conflitos recomeçaram no norte de Kivu, em dezembro de 2004. Estes são apenas os capítulos mais recentes desta horrível guerra, que já dura uma década, e que já matou cerca de 3 milhões de pessoas, reduzindo a ruínas as estruturas já tão precárias daquele país. SOMÁLIA Quatorze anos de violência afetaram drasticamente a população da Somália de nove milhões de habitantes, sendo que dois milhões foram deslocados ou mortos desde que a guerra civil teve início em 1990. Estima-se que outros cinco milhões não tenham acesso a água potável e a cuidados de saúde. Uma em cada 16 mulheres morre durante o parto; uma em cada sete crianças morre antes de completar o primeiro ano de vida, enquanto que uma em cada cinco crianças morre antes dos cinco anos de idade. BURUNDI No Burundi, uma taxa cobrada para utilização dos serviços públicos de saúde tem se tornado em mais um empecilho para o acesso da população mais carente aos cuidados mais básicos de saúde. Nas regiões onde o sistema de taxa foi implementado, as mortes por malária são duas vezes maiores que nas outras áreas. Uma em cada cinco pessoas entrevistadas disse que não vai ao posto de saúde mesmo quando está doente pois não pode arcar com o custo do tratamento: de 85 a 90% da população sobrevive com um dólar por semana. ETIÓPIA
Naquele país africano, mais de 10% das crianças não sobrevivem ao primeiro ano de vida. A falta de terras, na super-povoada área montanhosa do país, vem deixando cerca de cinco milhões, dos 69 milhões de etíopes, diante de uma falta crônica de alimentos. Desde o início de 2003, a falta de chuvas já matou mais de 50% dos animais da região. Médicos etíopes lutam, com os poucos recursos que têm, para combater doenças infecciosas como o HIV/aids, a malária, a Tuberculose e o Calazar, que exigem tratamentos caros e muitas vezes inacessíveis. LIBÉRIA Em 2003, os conflitos em Monróvia, capital da Libéria, causaram a morte de mais de 2 mil pessoas. Mas, um ano após o fim desta guerra, que durou 15 anos e devastou o país, os liberianos ainda vivem num estado de profunda crise. Mais de 300 mil pessoas continuam deslocadas dentro do país, enquanto que outras 300 mil estão refugiadas em países vizinhos. CORÉIA
DO NORTE No final dos anos 90, estimavase que entre dois e três milhões de pessoas haviam morrido de fome neste país. Notícias recentes revelam que a falta de comida e de acesso à saúde ainda é terrível. Enquanto grande parte do interesse internacional está voltado para o programa nuclear da Coréia do Norte, pouca atenção está sendo dada ao imenso sofrimento vivido pelos norte-coreanos dentro e fora do país.
COLÔMBIA Esquecido por grande parte do mundo, o conflito na Colômbia continua causando uma situação de desespero na população civil. A produção e o comércio de drogas é uma das maiores causas dessa situação. Mais de 3 milhões de pessoas já se deslocaram dentro do país, refugiando-se nas enormes favelas dos arredores das grandes cidades. A violência continua sendo a principal causa de morte naquele país. CHECHÊNIA Uma década de intenso conflito continua aterrorizando as pessoas deste país. O governo declara que a situação está se normalizando, mas a Chechênia está longe de ser um país estável e em paz. Quase todas as 539 pessoas entrevistadas para um estudo de MSF em 2004, haviam sido expostas a tiroteios, bombardeio aéreo e tiros de canhão. TUBERCULOSE A tuberculose mata uma pessoa a cada 15 segundos. São milhares de mortos todo ano, mesmo se tratando de uma doença curável. Esta doença está retornando com força em todo o mundo em desenvolvimento: um terço da população mundial está infectada com o bacilo da tuberculose e oito milhões de pessoas desenvolvem anualmente a doença.
Flávio Guilherme Para Refletir 1. Você já conhecia estas crises? Como? |
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