Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Construindo Fraternidade

Oi, Pe. José Negri! Gostaria de dizer-lhe que acompanhei todos os artigos do senhor até hoje. Sou catequista na minha paróquia e há cinco anos recebi um presente de Deus, meu filho L.H. Ele é um menino muito travesso e falar nem sempre adianta. Algumas vezes perdi a paciência e lhe dei umas palmadas, fiz certo?

Nilva P. Neto – Porto Alegre – RS

ilva, você me colocou entre a cruz e a espada. No entanto, será uma boa oportunidade para muitos pais. Visto que, embora os tempos são outros, ainda temos em nossa cultura a "mania de bater". A educação, nos seus vários âmbitos, passou por grandes mudanças.

Você lembra de como nossos pais nos educaram? Lembra o que seus pais lhe falaram da educação que eles receberam? Agora confronte com a educação atual e poderá perceber que o assunto "educação" nunca foi fácil, e que ainda não se encontrou quem tivesse uma ?receita mágica? para solucionar os problemas da educação dos nossos filhos.

CADEIA PARA OS PAIS

Uma lei recente na Inglaterra pode levar os pais para a cadeia por até cinco anos se a famosa ?surra? deixar alguma marca nas crianças. E mais, está por volta de dez os países que proibiram qualquer tipo de punição corporal como forma de educação. Isso pode até parecer superproteção aos nossos pequeninos, mas não é Nilva.

Tomarei a atitude de Jesus com relação ao seu caso:

Quem nunca fez isso que atire a primeira pedra. Tenha certeza que algumas pedras virão, pois já há muitos pais que abandonaram o castigo físico. Contudo, a maioria já "perdeu a cabeça" e palmada, tapa, cascudo, chinelada, varada já entraram em ação.

LIMITES

O dilema que se apresenta é "bater ou não bater"?. Você poderia me perguntar: "Mas como vou educar meu filho se não lhe dou limites"? A grande questão de hoje é justamente esta: parece que ninguém mais quer ?pôr limites? e que tudo é facilmente concedido. Até na categoria dos valores existe o que o Papa chama de "subjetivismo ético" em que cada um pode interpretar o valor seguindo as próprias categorias, independentemente da escala de valores universais que nunca deveriam mudar.

Na educação deve-se levar em consideração umas perguntas muito importantes: qual é o VALOR que eu quero passar para os meus filhos? E quais são os meios que eu quero usar para passar este valor? É claro que se procuro passar determinados valores somente com raiva e agressões, devo estar preparado para obter o efeito contrário mais tarde, isto é, quando o adulto não tiver mais autoridade sobre ela, poderá fazer o contrário daquilo que sugere o valor.

AGINDO COM AMOR

Uma correção feita com amor, procurando sobretudo o diálogo, a abertura, a misericórdia, com certeza deixará a criança disposta a escutar e a aprender uma nova lição de vida. Um fato que comprova o que estou dizendo é justamente a realidade de tantos jovens que abandonaram a Igreja. Encontro freqüentemente pais frustrados e amargurados se queixando dos filhos que não querem mais saber de Deus.

No entanto, se você escuta os filhos, descobrirá que os pais faziam chantagem com eles dizendo:

"Se você não for à missa, não sairá com seus colegas!" O valor a ser proposto era bom, mas os meios para fazer entendê-los criaram mais constrangimentos do que convencimento. Depois destas premissas, Nilva, acredito que o bom educador é aquele que sabe usar todos os métodos e meios necessários para deixar transparecer que o importante é querer bem à pessoa que se quer educar. Poderei colaborar mais com este assunto se me escreverem. Até mais.

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