Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Construindo Fraternidade

questão da ética vem preocupando a nossa Igreja há um bom tempo. O documento de número 50 da CNBB aborda com bastante clareza a crise ética em que a nossa sociedade está mergulhada. E, por mais incrível que possa parecer, a chave-mestra para mudar este cenário está na nossa atuação como leigos engajados nos trabalhos pastorais de nossas paróquias e comunidades, além das nossas atitudes cotidianas.

ESCRAVOS DA LIBERDADE

Um dos pontos centrais da crise ética em que vivemos está na forma como a nossa sociedade prega a supervalorização do “eu”. Um excelente exemplo disso está nas propagandas de cigarros largamente divulgadas nos meios de comunicação social da década de 80 e 90:

“O meu prazer em primeiro lugar”. Essa onda conduziu a nossa juventude para a falsa sensação de liberdade que domina a nossa sociedade até os dias atuais.

Frases do tipo: “Sou livre e não devo satisfações a ninguém”, ou “Religião nenhuma coibirá a minha liberdade” são constantemente ouvidas. O mais triste disso tudo não são as frases em si, mas a forma como a sociedade atual utiliza esse tipo de artifício para nos tornar ainda mais escravos do consumismo desenfreado e da preocupação exagerada com o “Eu”. Quando isso ocorre, nós acabamos nos escravizando pelo vício e pela falsa imagem de liberdade.

Até que ponto nós somos obrigados a mostrar para a sociedade que na verdade precisamos cumprir determinados papéis para provar que somos livres? A liberdade pregada pelo cigarro é um belo exemplo. Será que um fumante consegue facilmente exercer a liberdade de não fumar?

Quantas vezes temos que obedecer a certos princípios consumistas que pregam a falsa liberdade e colocam o nosso prazer consumista em primeiro lugar deixando o coletivo, o outro ou o irmão mais próximo em segundo plano? Infelizmente, somos conduzidos a esse terrível vício quase que diariamente.

O COLETIVO OU O INDIVIDUAL?

Fica fácil percebermos as conseqüências desta falsa liberdade. A priorização do “eu” frente ao próximo somente interessa ao consumismo desenfreado em que nossa sociedade está mergulhada.

A grande maioria dos problemas em que vivemos hoje são frutos desse falso ideal:

Quando furamos uma fila no banco, quando trocamos os nossos votos por favores pessoais ao invés de pensarmos no coletivo, quando não devolvemos o troco dado a mais no caixa do supermercado e etc. São exemplos claros da conseqüência deste problema.

Ainda me recordo de um amigo que morou durante um longo período em um país desenvolvido na Europa e, indo de carona para o trabalho com um colega, questionou porque ele parava o carro tão distante da portaria do prédio, uma vez que o estacionamento estava vazio e eles sempre eram os primeiros a chegar.

A resposta foi desconcertante:

Ele disse que era exatamente por chegar cedo que fazia isso. As vagas mais próximas da portaria deveriam ser deixadas para aqueles que chegarão mais tarde, pois estes não terão o tempo que eles tinham para caminhar até o escritório.

FORMAÇÃO E EXEMPLO: A CHAVE DA MUDANÇA

Está mais do que na hora de revermos algumas de nossas posições e evitarmos a armadilha do “não adianta, é impossível mudar”. A mudança só será possível se todos fizermos a nossa parte, seja em nossas aulas, cursos, palestras e demais atividades pastorais como no nosso dia-a-dia. Somente assim é que poderemos construir um mundo mais justo, fraterno e, conseqüentemente, Cristão. Um forte abraço e a Paz de Cristo!

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